Representatividade de pessoas pretas está estagnada em 13% no mercado de trabalho, aponta pesquisa

Os dados divulgados pela Gupy refletem a diversidade nas contratações realizadas pelas empresas que utilizam sua plataforma de recrutamento desde 2021. Apenas Norte e Nordeste lideram em inclusão racial A representatividade de pessoas pretas em contratações para novas vagas de emprego permaneceu em 13% entre 2021 e 2024, sem avanços significativos. Os dados são do Relatório de Tendências de Empregabilidade para 2025, divulgado pela Gupy, e refletem as contratações realizadas por empresas que utilizam a plataforma de recrutamento no período analisado. Em 2024, a empresa soma mais de 2,9 milhões de contratações. Apenas as regiões Norte e Nordeste lideram em inclusão racial no mercado de trabalho.
Em contraste, pessoas brancas continuam dominando as contratações, representando entre 45% e 47% do total. O grupo de pessoas pardas, por outro lado, tem mostrado um crescimento anual de 1%, sinalizando um pequeno avanço, embora ainda distante de uma representatividade proporcional à população brasileira.
Guilherme Dias, cofundador da Gupy, destaca que, apesar dos esforços de diversas empresas para ampliar a diversidade racial, “o crescimento tímido nas contratações de pessoas pretas evidencia um desafio estrutural que ainda precisa ser enfrentado”.
Dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostram que trabalhadores negros recebem, em média, 32,9% menos que seus colegas não negros, mesmo ocupando funções semelhantes e com níveis de qualificação equivalentes.
Norte e Nordeste lideram inclusão racial
O relatório também aponta disparidades regionais nas contratações. As regiões Norte e Nordeste apresentam os melhores índices de inclusão racial, com pessoas pardas representando 50% e 46% das contratações, respectivamente, segundo dados da plataforma. No entanto, a representatividade de pessoas pretas segue baixa em todo o país, variando entre 6% e 15%.
Já a participação de pessoas indígenas é ainda mais reduzida, oscilando entre 2% e 3% das contratações no Brasil, mesmo em áreas de maior diversidade racial. No mercado formal, o cenário é ainda mais crítico, com indígenas representando apenas 1% nos setores de Indústria e Comércio e nenhuma presença em outros segmentos.
“Por outro lado, as regiões Sul e Sudeste ainda precisam avançar consideravelmente. Essas áreas, que concentram uma grande parte das oportunidades de emprego no Brasil, apresentam um nível de inclusão racial inferior, especialmente em comparação com o Norte e Nordeste”, diz a Gupy.
Quais setores mais contratam pessoas pretas e pardas?
De acordo com os dados do levantamento, o setor de Serviços registra os maiores índices de diversidade racial, com 36% de trabalhadores pardos e 14% de pretos. Por outro lado, o Comércio, setor voltado ao atendimento direto ao público, apresenta níveis mais baixos de representatividade e enfrenta desafios para refletir a composição racial do país.
A presença indígena no mercado formal é ainda mais limitada, representando apenas 1% nos setores de Indústria e Comércio e sem participação em outros segmentos. Esse dado contrasta com o número de indígenas no Brasil, que supera 1,6 milhão de pessoas, conforme o Censo de 2022.
Para Dias, há uma expectativa de crescimento nas contratações de grupos sub-representados, especialmente se as empresas continuarem comprometidas com metas claras de inclusão. “Estamos vendo um movimento crescente de corporações que estão adotando ferramentas tecnológicas para promover um recrutamento mais justo e inclusivo, o que é um bom presságio para o futuro,” conclui.
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