44,5% dos negócios de mulheres não são formalizados, diz pesquisa

Pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME) diz que 28,6% pretendem se formalizar, enquanto 15,9% não pretendem ter um CNPJ 44,5% dos negócios de mulheres não são formalizados — ou seja, não possuem CNPJ, segundo o estudo anual “Empreendedoras e Seus Negócios 2024”, realizado pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME). Destas empreendedoras, 28,6% pretendem se formalizar, enquanto 15,9% não têm intenção de ter um CNPJ.
De acordo com Ana Fontes, presidente da Rede Mulher Empreendedora, o resultado da pesquisa não significa que as mulheres sejam contra a formalização. “Elas apenas não dão importância porque não entendem a relevância sem ter um benefício direto relacionado ao CNPJ”, afirma. A pesquisa mostra que 31,6% das mulheres não se formalizam porque não consideram relevante ter um CNPJ. O resultado tem como base respostas de 1.810 mulheres que têm negócios atualmente
A estilista Karina Coimbra, de 29 anos, pediu demissão de seu emprego como manicure e teve um negócio informal por três anos antes de criar um CNPJ como MEI para seu ateliê, em 2021. Segundo a empreendedora, a motivação foi ter acesso aos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — incluindo aposentadoria, auxílio-maternidade, auxílio-doença, pensão por morte para os dependentes e auxílio-reclusão. “Me sentia muito insegura por saber que se, por algum motivo eu não conseguisse trabalhar, eu não teria uma assistência”, diz Coimbra, acrescentando que até o momento não precisou utilizar nenhum dos benefícios.
A pesquisa afirma que o maior motivo (40,9%) para o negócio não ter CNPJ é por não ter como pagar os impostos. Fontes cita o exemplo da modalidade do microempreendedor individual (MEI), que foi criado com o objetivo de formalizar autônomos. “Mesmo o MEI tendo um valor de contribuição mensal mais baixo, ainda é considerável para mulheres que faturam até R$ 2 mil por mês. Parece que não, mas o valor anual é alto para a nanoempreendedora, e faz a diferença em seu orçamento”, afirma a presidente da RME. Atualmente, o valor da contribuição varia entre R$ 71,60 e R$ 76,60, dependendo da atividade exercida.
Coimbra conta que o valor de contribuição, que é recolhido por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS-MEI), não chegou a ser um empecilho para se formalizar, mas se sentiu insegura de ter uma conta mensal para ser paga. “No começo, passei por um momento em que não consegui pagar. Quando me estabilizei, tive que quitar esse valor aos poucos”, afirma.
Para Dariane Fraga, professora da FIA Business School, o primeiro passo para se formalizar não é criar um CNPJ — mas fazer a gestão financeira adequadamente. “A formalização não é só fiscal. Não adianta elas quererem cumprir as normas fiscais se não tiverem caixa para isso”, afirma.
Já 13% das mulheres não se formalizam porque não entendem os processos, enquanto 11% não se formalizam devido à burocracia. Era o caso de Aline Milioni Castro, 35, que optou por contratar uma assessoria para ajudá-la na criação da Brindes2Go, empresa de brindes personalizados. Segundo a empreendedora, ter o auxílio profissional foi importante para a rapidez do processo. “O desafio foi escolher CNAEs pertinentes à nossa atuação. Tivemos que ser o mais abrangente possível, porque trabalhamos com diversos produtos e, às vezes, serviços”, afirma.
Karina Coimbra, do Atelie Karina Coimbra, e Aline Milioni Castro, da Brindes2go
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Como se formalizar
Caso ainda não tenha uma empresa, a mulher deve se inteirar do setor antes de abrir o CNPJ, recomenda Leidiane Lima, consultora de negócios do Sebrae-SP. “Ela deve entender o que seria a empresa, o público-alvo, concorrentes, fornecedores e qual seria o investimento para começar. É fundamental ter essa noção antes de entrar no mercado”, explica.
Para quem já tem um negócio informal, a professora da FIA Business recomenda começar a dedicar pelo menos duas horas da semana para realizar a gestão financeira, “se não vira uma bola de neve em que falta dinheiro e elas não têm tempo de resolver pendências, então toma decisões erradas”.
Fraga recomenda realizar um “Plano de Resultados do Negócio”, em que a empreendedora conhecerá a situação financeira atual, entendendo os custos e o lucro. Também deve fazer um plano de ações estratégicas para otimizar o resultado — lista do que precisa ser feito. Também é fundamental realizar um plano financeiro, entendendo qual é a projeção do fluxo de caixa e do lucro do negócio.
Então, é o momento de abrir o CNPJ. “A empreendedora deve entender quais são os tipos de regime — por exemplo, microempreendedor individual, micro empresa, empresa de pequeno porte”, afirma Lima. “Para isso, ela pode consultar o próprio Sebrae para ter uma assessoria gratuita, ou contratar um escritório de contabilidade. ”
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