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Empreendedora cria marca de acessórios feitos por rede de artesãs da Amazônia

Empreendedora cria marca de acessórios feitos por rede de artesãs da Amazônia


Fundada por Lídia Abrahim, a Seiva Amazon Design tem cerca de 40 mulheres artesãs em sua rede, que recebem uma capacitação para extrair uma “borracha natural” das seringueiras e produzir colares, pulseiras e brincos A Seiva Amazon Design nasceu em 2021 com a proposta de estimular uma moda sustentável na Amazônia ao mesmo tempo em que gera renda para uma rede de artesãs que residem em comunidades ribeirinhas e extrativistas em municípios do Pará. A fundadora é Lídia Abrahim, designer de acessórios, que vive em Ananindeua (PA). Ela recebe os itens — que incluem colares, brincos e pulseiras — e se responsabiliza pelas vendas.
No momento, a empresa tem cerca de 40 mulheres artesãs em sua rede, que recebem uma capacitação para extrair uma “borracha natural” das seringueiras. O látex então é misturado a fibras vegetais, como pó de serragem ou resíduo de caroço de açaí. “Com isso, obtemos um material biodegradável que não agride a natureza ao ser descartado”, explica Abrahim. Então, as artesãs também são capacitadas para produzir os acessórios.
O total de peças vendidas varia. Em agosto, a empreendedora participou de diversos eventos e feiras e conseguiu fechar o mês com quase 1 mil acessórios vendidos. Porém, em alguns meses, o total fica em torno de 100. A empresa vende por meio das redes sociais e em eventos de varejo, e está em processo de criação de um site. O valor das peças gira entre R$ 30 e R$ 180.
Em entrevista a PEGN, Abrahim conta que sempre se interessou por artesanato e cresceu cercada por artefatos indígenas. “Meu pai é biomédico, trabalhou em diversas aldeias indígenas na região Norte e ganhou muitos objetos em todos os lugares em que passava”, diz.
Nascida em Belém (PA), Abrahim se formou na faculdade de Design de Produtos e passou a trabalhar como designer de marcas de joias, tanto de empresas que utilizavam itens diferentes, como semente de açaí, quanto as mais tradicionais que vendiam acessórios banhados a ouro e prata. Paralelo a isso, dedicou-se à capacitação de artesanato em comunidades de povos tradicionais, como quilombolas, indígenas e ribeirinhas.
Acessórios da Seiva Amazon Design
Divulgação
Em 2018, durante uma capacitação na comunidade de Anajás, Abrahim conheceu Francisco Samonek e Zélia Damasceno, que comandam o projeto Poloprobio, que desenvolve pesquisas sobre a borracha e como agregar valor a essa matéria-prima.
“O Poloprobio é uma instituição que pensa em formas de criar itens que utilizem a borracha e gerem renda. O objetivo é restabelecer o ciclo da borracha, mas de uma forma sustentável e com foco nas comunidades originárias e preservação das florestas”, diz a empreendedora. Para isso, o projeto faz parceria com comunidades que estão dentro de unidades de conservação, que permitem o uso sustentável dos recursos naturais no local.
“Existem maneiras mais sustentáveis de extrair a borracha, usando ferramentas corretas e com métodos de corte adequados, sem atingir uma profundidade que desmate as árvores”, diz Abrahim.
Seiva Amazon Design capacita artesãos
Divulgação
“Dentro do projeto, eles criaram essa mistura de látex com fibras naturais e faziam itens de decoração para casa e sandálias. Sugeri que criassem acessórios como colares, brincos e pulseiras. Deu muito certo e muitas pessoas mais novas, especialmente mulheres filhas de seringueiros, se interessaram em produzir as peças”, diz Abrahim.
Com as primeiras peças prontas, a empreendedora testou comercialmente no Polo Joalheiro e em uma loja dentro do Museu Paraense Emílio Goeldi, ambos em Belém. “Já tivemos uma aceitação muito boa e vendemos muito bem. As pessoas ficaram muito curiosas para saber o que era aquele material”, diz Abrahim, que passou a levar essa capacitação para mais comunidades.
Até que em 2021, Samonek sugeriu que Abrahim investisse nos acessórios como um novo negócio. “Aqui na região temos uma grande dificuldade de escoar a produção, então não adiantaria levar toda essa capacitação se não encontrarmos uma forma de vendê-las e gerar renda, que é o nosso objetivo principal”, afirma. Então, a empreendedora decidiu fundar o negócio e buscou capacitação em gestão no Sebrae Pará. Também passou a participar de eventos de varejo, onde conheceu lojistas interessados em revender os acessórios da marca.
Saiba mais
Inicialmente, a empreendedora trabalhou com o modelo em que pagava para as artesãs apenas depois que os itens eram vendidos — o que desmotivava as profissionais. Então, optou por comprar as peças anteriormente e fazer um estoque.
A logística e a comunicação com as artesãs — que muitas vezes vivem em locais sem internet — é uma das barreiras que o negócio enfrenta. “Algumas artesãs moram em comunidades que ficam a mais de 14 horas de uma viagem de barco. Pode demorar muito para as peças chegarem”, explica Abrahim, que tenta combinar as entregas com antecedência para garantir o abastecimento do estoque. “É um processo muito desafiador, mas queremos trabalhar com essas comunidades porque é o nosso grande diferencial.”
Ela diz que o negócio já capacitou mais 150 mulheres em mais 10 comunidades. Porém, algumas delas decidem fabricar e vender suas peças por conta própria, ou oferecer para Abrahim ocasionalmente.
O próximo plano da marca é focar em exportação, e Abrahim está buscando formação no tema. “Quero entender quais são as regras para vender em outros países, desde os materiais aceitos no mercado internacional e quais são as normas de etiquetagem. Estamos subindo degrau por degrau”, diz a empreendedora.
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