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Como as startups podem competir no cenário atual de inteligência artificial, segundo especialista do Vale do Silício

Como as startups podem competir no cenário atual de inteligência artificial, segundo especialista do Vale do Silício


Para Steven Hoffman, fundador de empresas e aceleradora de negócios, a perspectiva é de crescimento nos próximos anos A inteligência artificial generativa transformou o cenário tecnológico nos últimos anos, mostrando potencial de impactar indústrias com sua capacidade de criar e analisar dados de forma autônoma. O que antes parecia muito distante se tornou uma realidade palpável, impulsionando investimentos bilionários e uma corrida de empresas e startups para desenvolver soluções e surfar a onda do hype do momento.
Assim como em outros grandes eventos de inovação e tecnologia realizados neste ano, a IA foi o principal tema do GITEX Global, feira que aconteceu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na última semana. O país foi o primeiro do mundo a criar um Ministério de Inteligência Artificial e Economia Digital.
Um dos nomes que subiu ao palco para falar sobre o assunto foi Steven Hoffman, CEO da aceleradora Founders Space, autor e fundador de três startups nas áreas de games e entretenimento investidas por fundos de venture capital do Vale do Silício. Em entrevista a PEGN, ele falou sobre o cenário atual de investimento em inteligência artificial e compartilhou suas perspectivas sobre o futuro das startups.
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A mensagem de Hoffman é clara: as startups que adotarem uma abordagem estratégica, focando em inovações que atendam necessidades específicas, têm a chance de prosperar mesmo em um ambiente dominado por gigantes da tecnologia. Leia a entrevista na íntegra a seguir:
PEGN: A Inteligência Artificial está em alta, a OpenAI captou US$ 6,6 bilhões recentemente, big techs estão anunciando grandes investimentos em IA generativa. Como as startups podem competir neste mercado?
Steve Hoffman: As startups não conseguem competir com as grandes empresas porque é um jogo de dinheiro, é sobre potência de computação. Essa corrida já acabou. Mas as startups podem competir no espaço de aplicativos. Muitos desenvolvedores de aplicativos se tornaram unicórnios criando produtos para vender no iOS e Android. Se você for criar um aplicativo como ChatGPT ou Google Gemini, você vai virar poeira, porque essas plataformas principais vão oferecer o mesmo serviço de graça e já têm usuários. Também existe a possibilidade de usar um API e criar algo que outras startups podem replicar facilmente, gerando muita concorrência e jogando seu preço no chão.
PEGN: Como vê o apetite dos investidores por startups que criam soluções com IA?
SH: No Vale do Silício, as startups que tem recebido investimentos não têm IA como core. Mas elas atacam uma vertical, desenvolvem uma tecnologia especial, tem contatos direcionados e uma base de dados proprietária, que analisa e aplica IA para entregar mais valor. As grandes empresas não farão isso, elas não conseguem criar aplicativos para cada setor. Então, a IA mais vertical é uma área quente para investir. Outro tema que tem despertado interesse são os agentes, a aplicação de IA para realizar várias etapas de tarefas complexas. O mais simples, como um agente de agendamentos, provavelmente fará parte do ChatGPT no futuro, mas haverá agentes para saber das compras feitas por uma empresa, para gerenciar a cadeia de suprimentos. A OpenAI e o Google não gastarão tempo construindo isso. Nesse caso, startups que estão trabalhando nisso terão valor, e o dinheiro também está indo nessa direção. Existe dinheiro para startups, mas é preciso fazer a coisa certa na área certa.
PEGN: Na sua opinião, o uso de IA generativa vai trazer mais eficiência ao ponto de se tornar mais comum a existência de fundadores solo?
SH: Todos têm acesso a essa tecnologia, todas as suas startups concorrentes. Sim, é possível fazer muito mais com a IA generativa, mas a outra startup tem um time maior com conjuntos de habilidades diferentes que também está usando a ferramenta. Ter skills complementares é o motivo de precisar de cofundadores, contar com pessoas que conheçam outras ferramentas e saibam usá-las de forma muito eficaz. Você pode ter sucesso como solo founder, mas é muito mais difícil. Trazer outras pessoas permite que você comece a escalar o seu negócio mais cedo, o que traz vantagem sobre a concorrência.
PEGN: Você acredita que estamos vivendo uma bolha da IA, com alta de investimento por pessoas que não entendem do tópico e não querem perder a oportunidade porque é o assunto do momento?
SH: Quando até a sua avó está falando sobre assunto, então há uma bolha. Algumas delas estouram porque nunca alcançam o product market fit [ajuste do produto ao mercado, em português], vimos isso com a realidade virtual e o metaverso: todos falavam sobre, mas ninguém usava no dia a dia, apenas um grupo muito pequeno de pessoas. Com a IA é diferente, a tecnologia está oferecendo um valor real, é utilizada pelas pessoas. Nesse caso, não temos uma bolha especulativa pura, há fundamento por trás disso. Ou seja, mesmo que ela estoure, as startups continuarão firmes se descobrirem como entregar valor e prosperar. O capital sempre passa por ciclos, se você apresenta a coisa certa no momento certo, é fácil captar. O Vale do Silício é um grande palco para todos os estágios, há muito dinheiro fluindo agora, mas mercados diferentes passam por fases distintas dependendo de suas economias.
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PEGN: Em um dos seus painéis, você mostrou alguns exemplos de estudos que estão sendo realizados em universidades dos Estados Unidos sobre o uso de microchips no cérebro. Existe a possibilidade de um dia todos nós termos um dispositivo desses dentro de nós?
SH: A maioria das pessoas provavelmente não vai ter chips em seus cérebros imediatamente, mas já existem interfaces cérebro-computador não invasivas, como faixas de cabeça, que podem medir suas ondas cerebrais e começar a interpretar seu cérebro. Elas estão se tornando cada vez mais sofisticadas com inteligência artificial, e chegaremos a um ponto, em um futuro não muito distante, onde poderemos ler suas ondas cerebrais com um dispositivo simples. Por enquanto, ainda é bem primitivo, então você pode fazer coisas como controlar uma apresentação de PowerPoint, desligar as luzes e mostrar quando há mais ou menos concentração.
PEGN: Essas soluções estão recebendo grandes investimentos ou o foco realmente está na inteligência artificial generativa?
SH: Muitas corporações investiram: o Facebook, o Google, a Microsoft. Todos estão investindo algum dinheiro porque eles sabem que vai acontecer, só não sabem quando. É preciso lembrar que os algoritmos para a IA generativa, as redes neurais que permitiram essa revolução têm 70 anos. Tivemos que chegar ao ponto onde tínhamos internet, dados em alta velocidade, conexão, para fazer a diferença para a IA. Não sabemos se vai acontecer amanhã ou daqui a 30 anos.
PEGN: Você escreveu um livro chamado “Surviving a Startup” (“Sobrevivendo a uma Startup”, em tradução livre). Quais são suas três principais dicas para ser um fundador resiliente?
SH: Como empreendedor, você precisa se cercar de pessoas incríveis, podem ser conselheiros, investidores, cofundadores, porque sua chance de sucesso aumenta exponencialmente. Quando enfrentar um momento difícil, você pode não ter a resposta, mas provavelmente uma das pessoas ao seu redor terá e poderá ajudar se você trabalhar bem com elas e ouvi-las. A segunda dica é sempre questionar tudo, não assuma que as coisas são como são. Empreendedores realmente bons sempre estão investigando mais profundamente as questões fundamentais de seus negócios. Se você entender no que está focando, conhecer seu negócio e seus clientes melhor do que ninguém, acabará seguindo pelo caminho certo. A última dica é muito importante: seja flexível. Se você olhar para os empreendedores bem-sucedidos, eles não persistem incansavelmente em uma ideia porque estão sempre procurando para onde as coisas estão indo no futuro, se algo surge no meio do caminho e o mercado muda, eles se adaptam. É por isso que grandes corporações não mudam, elas estão presas ao que sabem fazer, novas coisas surgem e elas são pegos de surpresa. A mentalidade de startup deve ser rápida. Se você olhar para empresas realmente inteligentes, elas estão sempre mudando. Sam Altman está sempre à frente do jogo, ele sabe que qualquer pessoa pode superá-lo um dia e está constantemente lançando recursos. A OpenAI é uma empresa que está evoluindo muito rápido.
PEGN: Como você avalia o ecossistema de startups e o que vislumbra de evolução nos próximos anos, levando em consideração as recentes mudanças econômicas?
SH: O ecossistema global de startups cresceu enormemente, tipo cem vezes mais. Eu sei porque estou por aqui há um tempo, desde quando o Vale do Silício era muito especial. Ainda é especial, mas hoje, quando você viaja pelo mundo, seja Dubai ou uma pequena cidade na China, vai existir um ecossistema de startups. Elas não irão sumir, vão existir épocas melhores e piores, o financiamento vem em ondas. Hoje os jovens querem fazer a diferença, querem fazer suas próprias coisas. Agora temos bilhões de pessoas conectadas na internet, com todo o conhecimento disponível. O caminho antigo era obter um diploma. Hoje, se você for criativo, extrovertido e se cercar de pessoas inteligentes, você pode fundar a sua empresa e ser recompensado por isso.
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PEGN: Existem outras tendências de investimento no Vale do Silício além de IA?
SH: As interfaces cérebro-computador ainda não são uma tendência, mas poderiam ser. Uma das que mais me interessam é a edição de genes. Descobrimos o equivalente ao código fonte para a vida no planeta e podemos criar novas espécies de plantas que nunca existiram, frutas como banana de framboesa, tomates com mais vitaminas e antioxidantes. Isso não é ficção científica, já está acontecendo. Uma startup editou os genes do salmão para que ele cresça duas vezes mais rápido. Para os humanos, temos terapias genéticas para o câncer, para curar a cegueira, tem um potencial enorme. Também estão desenvolvendo muitos novos materiais com nanotecnologia, como baterias que duram 100 vezes mais ou materiais de construção super resistentes.
PEGN: Se você pudesse prever uma grande mudança no cenário das startups na próxima década, qual seria?
SH: Há 10 anos, as pessoas estavam dizendo que era o fim das startups e que as grandes corporações iriam dominar. Com Microsoft, Google, Alibaba, Tencent, não haveria mais espaço para startups. Ainda há muitas startups, mais do que nunca. A minha previsão é que teremos mais startups do que nunca. Mais jovens vão querer fazer parte de startups e vão escolhê-las em detrimento de outras oportunidades. Embora muitas das tecnologias venham de grandes corporações, universidades ou centros de pesquisa, porque elas levam 10, 20, 30 anos para acontece, as startups são a melhor maneira de introduzir uma nova tecnologia no mercado. Com IA, vimos startups dominarem o cenário porque algumas dessas tecnologias requerem muito capital. Mas as startups tendem a prosperar em ambientes com baixo investimento, onde você não precisa de quantias massivas de dinheiro para inovar e experimentar. E isso continuará acontecendo, não vai desaparecer.
*A jornalista viajou a convite do Dubai World Trade Centre.
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