Wellhub chega a 3 milhões de usuários ativos em meio a novas acusações no Cade

Unicórnio, anteriormente conhecido como Gympass, foi denunciado por retaliação após encerramento de contrato de exclusividade Há cerca de quatro meses, o Gympass realizou uma manobra arriscada e anunciou o seu rebranding para Wellhub, movimento que atraiu muitas análises nas redes sociais. Ainda é cedo para avaliar os efeitos da mudança, mas o unicórnio acaba de anunciar ter atingido o marco de 3 milhões de usuários ativos no mundo e 500 milhões de check-ins na rede de parceiros. O feito vem em meio a denúncias no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre os contratos mantidos pela plataforma.
A decisão pelo rebranding se deu para comunicar de forma mais direta que a empresa vai além das academias e dos exercícios físicos, abraçando o bem-estar de forma mais ampla, da saúde mental à saúde financeira. Apesar das críticas ao movimento, Priscila Siqueira, líder do Wellhub no Brasil, diz que a empresa vê o processo como positivo e, por ter criado uma categoria no mercado nacional, tornado-se sinônimo dela, antecipou que o novo nome pudesse demorar a pegar.
“Não se muda de um dia para o outro, estamos no processo de evangelização, mas não temos pressa para a mudança. As pessoas vão continuar falando Gympass e não tem problema. A nossa percepção interna é de que tem sido muito bom para trazer mais clareza e coerência com o que entregamos”, afirma.
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A estratégia, segundo Siqueira, é continuar expandindo a oferta de parceiros – atualmente, são mais de 40 aplicativos integrados à plataforma –, possibilitando também que as empresas realizem suas iniciativas de bem-estar por meio da plataforma com mensuração de engajamento.
“Somos uma plataforma de bem-estar, não apenas um benefício de academias. Nossa proposta é ter produtos e serviços para a empresa engajar seus funcionários. Olhando por essa linha, eu perco a equiparação [com a concorrência]. Ainda sou líder aqui”, pontua. A principal concorrente do Wellhub é a TotalPass, criada pelo grupo Smart Fit.
Priscila Siqueira, líder do Wellhub no Brasil
Divulgação
Os números mais recentes da TotalPass indicam um crescimento de 130% no faturamento em 2023 em comparação com o ano anterior e aumento de 105% no número de usuários ativos na plataforma. Atualmente, a solução soma mais de 20 mil academias e estúdios parceiros em 1,2 mil cidades brasileiras. O número de clientes também cresceu 110% no mesmo período.
O Wellhub, por sua vez, divulgou que demorou 10 anos para alcançar a marca de 100 milhões de check-ins e que o número subiu para 500 milhões em apenas dois anos. Em 2024, o unicórnio brasileiro passou a atender 3 mil novos clientes globais e integrou 8 mil novos estabelecimentos à rede, sendo 3,5 mil no Brasil – o número total de parceiros em solo nacional já soma 28 mil. O Wellhub opera em 11 países.
Segundo Siqueira, o churn de estabelecimentos está “abaixo do mercado”, mas o Wellhub não divulga o dado. “80% dos usuários que levamos para eles são novos, então geramos incremento de receita. Quando comparamos com outras plataformas, não há conflito de interesses porque eu não sou dona de nenhum parceiro”, afirma.
Cade foi acionado novamente
O relacionamento entre o agregador e os estabelecimentos se tornou tema de denúncias de duas academias ao Cade, como reportado pelo Valor Econômico nesta quarta-feira (31/7). Uma delas, a rede TecFit, declarou ter sofrido queda nos usuários oriundos do Wellhub após deixar de ser parceira exclusiva do unicórnio e passar a aceitar TotalPass.
Em 2020, a TotalPass protocolou um processo sobre a prática de exigência de exclusividade por parte do então Gympass para as grandes redes de academias. Dois anos depois, o unicórnio assinou o termo de compromisso de limitar os contratos de exclusividade a 20% da base de academias em cada cidade.
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“Nenhum dos nossos parceiros foi obrigado a assinar contrato de exclusividade. A gente vem investindo cada vez mais neles para construir a rede e temos a limitação do quanto podemos ser exclusivos, que não estamos nem perto. Tem muito espaço para trabalhar ainda. Quem quiser ser exclusivo, vai ter preferência e benefícios adicionais, é natural, mas é uma opção do parceiro”, declara Siqueira.
De acordo com a empresa, os parceiros exclusivos recebem maior exposição aos clientes; um canal exclusivo de suporte comercial; assistência financeira adicional, como pagamento antecipado; e desconto na aquisição de novos equipamentos e em cursos de MBA. Siqueira explica que a escolha é feita por um time que monitora os estabelecimentos com maior relevância dentro da rede e que são solicitados pelos próprios usuários.
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