Web Summit Rio: programa Mulheres Inovadoras vai acelerar 50 startups femininas

Dez empresas de cada região do país serão selecionadas como forma de incentivar o empreendedorismo Com o objetivo de incentivar o empreendedorismo feminino, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou nesta segunda-feira, no Web Summit Rio, o aumento do total de startups lideradas por mulheres a serem aceleradas na próxima edição do programa Mulheres Inovadoras. Serão selecionadas 50 startups, dez por região. E essas empresas serão divididas em dois grupos de 25: um para negócios em estágio inicial e outro para startups mais avançadas.
Assim como na edição anterior, que selecionou 30 empresas, haverá uma pontuação diferenciada para startups de mulheres pretas, pardas e indígenas. E o programa, que vai para sua sexta edição, distribuirá R$ 100 mil para a primeira colocada em cada região e R$ 51 mil para as demais selecionadas.
As cinco primeiras colocadas da quinta edição do programa, que contou com 287 startups inscritas, receberam a premiação nesta segunda-feira no stand da Finep no Riocentro.
A ministra destacou que o programa foca na capacitação, no reconhecimento e na ampliação da competitividade nacional. E afirmou que estimular a participação de mulheres em empresas de base tecnológica é essencial para garantir sustentabilidade, inovação e inclusão no país.
Em conversa com jornalistas, Luciana listou uma série de ações do governo para formação de profissionais para a área de tecnologia, como o programa Hackers do Bem, mas disse que o déficit de mão de obra na área de TI deve chegar a 500 mil profissionais em 2030.
— Um dos eixos é a formação e a capacitação. A Universidade Federal de Goiás é a única que tem graduação em IA. O país todo tem uma capacidade instalada grande, tanto em institutos federais, de nível técnico, como na graduação. Mas há um gap entre o que se necessita no mercado e o que a gente consegue formar. De nível superior, como engenharia da computação e analista de dados, esses [profissionais] já saem praticamente empregados da graduação, são formandos com maior complexidade na área de TI — disse.
Inteligência artificial e modelo de linguagem
Sobre o projeto Rio AI City, anunciado no domingo pelo prefeito Eduardo Paes, Luciana disse que é sempre muito bem-vinda a parceria entre o poder público e a iniciativa privada e em linha com o plano do governo federal de descentralização de data centers.
— O pressuposto é a sustentabilidade, porque data center exige muita água e muita energia e esse e um diferencial competitivo para a gente, já que no Brasil 90% da matriz elétrica é sustentável ou renovável. Vamos levar tudo isso em consideração — disse ao explicar que ainda não foram definidos os locais para essa descentralização.
— O Rio de Janeiro é uma cidade e um estado importante. Das 17 unidades de pesquisa ligadas diretamente ao nosso ministério, seis são daqui do Rio, entre elas o LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica), que tem o [supercomputador] Santos Dumont. Então, é uma sinergia necessária, mas é uma construção ainda.
A ministra também disse que, em vez de desenvolver um grande modelo de linguagem (LLM, na sigla em inglês), o governo avalia a possibilidade de combinar diferentes LLMs já existentes em português.
Segundo Luciana, o país tem 11 centros de competência em IA, mas nem todos têm a tarefa de desenvolver um LLM. Mas há algumas experiências brasileiras em desenvolvimento, como Sabiá, Amazônia e SoberanIA.
— O SoberanIA, do Piauí, talvez seja hoje o que tem mais parâmetros. São 100 bilhões de parâmetros porque conta com dados do governo, seguindo a LGPD e propriedade intelectual, algo que muitos LLM não respeitam. Todos os modelos brasileiros estão dentro das normas. Só o SoberanIA tem acordo para receber dados do Estado. Esse é o único que tem experiência de dados governamental — explicou.
A cobertura do Web Summit Rio 2025 na Editora Globo é apresentada pela Vale, com apoio do Itaú BBA.
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