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Sucesso na música, rapper Ajuliacosta é dona de marca de moda que valoriza cultura periférica

Sucesso na música, rapper Ajuliacosta é dona de marca de moda que valoriza cultura periférica


A artista paulista se destaca ao criar peças com referências do universo do hip hop. Ela aproveita a visibilidade dos videoclipes para lançar novas coleções Seja na música ou na moda, a principal premissa da rapper Ajuliacosta é valorizar o estilo periférico em suas composições e nas criações da marca de roupas Ajuliacosta Shop. Além de brilhar nos palcos, a paulista, que atende pelo nome de batismo Júlia Costa, de 26 anos, se destaca no desenvolvimento de peças únicas e autorais em seu próprio negócio. Com mais de nove anos de história, sua loja recentemente chegou às passarelas do Paris Fashion Week, com um forte foco na representatividade negra e periférica.
A carreira musical começou em 2021, em meio à pandemia, e mesmo com pouco tempo de estrada, Costa já acumula alguns números significativos: as músicas da cantora são ouvidas mensalmente por cerca de 750 mil pessoas no Spotify. Além disso, ela é acompanhada por 545 mil seguidores no Instagram e tem videoclipes com mais de 4 milhões de visualizações no YouTube.
O empreendedorismo por meio da moda, no entanto, chegou à vida da rapper antes da música. Costa sempre foi apaixonada por costura. Ainda na adolescência, aos 14 anos, ela passou a customizar suas roupas para ir à escola, e isso chamou a atenção das colegas de classe. A jovem, então, decidiu transformar o hobby em uma fonte de renda, dando os primeiros passos em direção à independência financeira.
“Eu estava em busca de um emprego e não encontrava, queria ter o meu próprio dinheiro. Passei a vender e negociar as peças com minhas colegas na própria escola. Foi um sucesso”, conta.
Com o passar do tempo, Costa passou a trabalhar como jovem aprendiz em uma distribuidora de bebidas e em uma indústria de tratores. Aos 17 anos, quando seu contrato terminou, ela utilizou os R$ 700 de seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abrir a loja de roupas Ajuliacosta Shop. O negócio nasceu em sua casa, em um condomínio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), localizado no município de Mogi das Cruzes, Região Metropolitana de São Paulo.
Segundo a empreendedora, sua marca foi criada com o propósito de estabelecer um diálogo direto com a cultura negra e marginalizada. A principal referência são os estilos visuais que englobam todas as manifestações do hip hop. “Sempre quis me distanciar das referências eurocêntricas e separatistas. Eu acho que a moda precisa ser democratizada, esse é o meu objetivo com a Ajuliacosta Shop”, afirma.
No início, ela era a única responsável por toda a cadeia de produção da loja, desde a compra dos tecidos até a confecção e distribuição das peças. Antes de ter seu próprio e-commerce, ela anunciava as peças nas redes sociais, e entregava para os clientes em estações de metrô de São Paulo.
Costa afirma que seu maior desafio no início foi entender como funcionava a administração financeira e comercial de uma loja. “Quando comecei a fazer as minhas peças do zero, fui obrigada a lançar uma coleção de roupas listradas, mas não porque eu quis. Eu comprei uma quantidade absurda de tecido listrado, tive que aproveitar de alguma forma. Fiz regatas, blusinhas e saias. Eu estava começando a minha loja e aprendendo a costurar em grande quantidade”.
Hoje, a empreendedora é responsável pelo desenvolvimento artístico e direção executiva das produções da Ajuliacosta Shop. A marca conta, atualmente, com um time de 78 funcionárias, entre costureiras e vendedoras, e produz saias, vestidos, calças, blusas, shorts e acessórios. Os preços dos produtos vão de R$ 54,99 a R$ 169,99. Por mês, a loja fatura cerca de R$ 75 mil.
Peças de roupas da Ajuliacosta Shop
Divulgação
Além do e-commerce, o negócio tem um ponto físico no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro (RJ), e outro em São Paulo (SP). O espaço na capital paulista é utilizado para a confecção das roupas, mas também serve para que a clientela possa retirar seus pedidos e provar as peças.
Entre a moda e a música
Embora a música sempre tenha sido parte de sua personalidade, a jovem de Mogi das Cruzes nunca imaginou que poderia, de fato, construir uma carreira. “A música sempre foi um sonho meu, mas eu achava que precisava me estabilizar com a moda antes de investir na carreira de rapper”, aponta.
Em 2021, durante a pandemia, Costa decidiu lançar seus primeiros videoclipes. Sua estratégia foi bastante eficaz: ela filmou as produções usando as roupas da Ajuliacosta Shop. No vídeo do single “O Tipo de Garota”, por exemplo, a artista e empreendedora aparece vestindo peças da sua mais nova coleção. Essa abordagem permitiu que ela integrasse sua música à divulgação da loja de forma criativa.
Rapper e empreendedora Ajuliacosta
Reprodução/Instagram
“Desse período em diante, decidi que iria lançar uma música a cada três meses, mas sem deixar de investir na marca. Eu lançava um videoclipe com alguma coleção nova da loja, como se fosse um fashion film”, explica.
Um ano após se lançar na carreira artística, Costa foi convidada a cantar pela primeira vez em um festival, o CENA2k22, um dos maiores eventos musicais da cultura Hip Hop. “Estar naquele espaço foi importante para mim, pois eu vi que tinha um pessoal que curtia a minha música e passou a me conhecer também”, conta.
Agora, a empreendedora e cantora se equilibra entre os universos da moda e da música, mas com uma finalidade em comum para as duas facetas: a cultura periférica.
“A moda e a música se refletem uma na outra, pois o que me formou nesses dois meios foi o hip hop, o rap, a cultura negra como um todo. As minhas letras e as minhas roupas estão atreladas à história de uma mulher negra e periférica. O que eu faço busca trazer ainda mais mulheres como eu para diversos espaços, mais representatividade e diversidade para o meio fashion e artístico.”
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