Startup criada por brasileiros nos EUA facilita o processo de adoção de pets

Adopets já intermediou o abrigo de 500 mil animais e firmou parceria com grande rede de petshops na América do Norte Foi por causa do processo burocrático para a adoção de um cachorro que três brasileiros resolveram criar a Adopets, nos Estados Unidos. Lucas Alencar, Artur Sousa e André Martins fundaram a startup para facilitar o trâmite de adoção para abrigos públicos, privados e não governamentais e, recentemente atingiram a marca de 500 mil pets adotados com o auxílio da plataforma.
A história da startup teve início em 2015, quando Sousa decidiu adotar um cachorro. O processo foi complicado e demorou dois meses, com mais de 70 e-mails trocados com organizações até conseguir se tornar tutor de Frisco. Alencar e Martins acompanharam o processo e, juntos, eles resolveram criar uma solução para resolver esse problema.
Os sócios se conheceram nos Estados Unidos, onde faziam faculdade. Alencar, o CEO, sempre teve o sonho de estudar fora e, graças a uma bolsa de estudos, conseguiu sair de Belém (PA) para cursar ciência da computação com foco em aplicativos, em 2015. “Eu sempre fui fascinado por vídeo-game desde criança. Era a época do boom dos apps e novas tecnologias, e eu sonhava com o empreendedorismo”, relembra.
Artur Sousa, Lucas Alencar e André Martins, os fundadores da Adopets
Divulgação
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Cerca de um ano depois, porém, ele enfrentou um quadro de burnout ao somar o estudo em tempo integral e o processo de fundação da Adopets. “Com o acúmulo das coisas, eu passei do limite e tive crises fortíssimas de ansiedade. Foi um momento muito difícil, longe da família. Precisei escolher o que fazer para ficar saudável de novo”, conta. A quatro meses de se formar, Alencar trancou a faculdade e voltou para o Brasil, mas não desistiu da ideia da startup.
Trabalhando em conjunto com os colegas que permaneceram nos EUA, ele passou a se dedicar exclusivamente ao desenvolvimento do negócio, que foi lançado no mercado norte-americano oficialmente em 2017, no formato de aplicativo para simplificar a coleta de dados dos adotantes para repassar para os abrigos. O projeto chegou a ganhar tração, mas não engatou. Segundo o CEO, os sócios perceberam que, ainda que tentassem simplificar o cadastro, o problema estava no processamento das informações pelos abrigos.
A Adopets se tornou então uma plataforma que permite que os estabelecimentos utilizem ferramentas de comunicação automatizada, com visualização da operação, gestão de lares temporários, engajamento da comunidade, entre outras funções. A solução pode ser integrada ao site dos abrigos para facilitar a visualização dos animais disponíveis para adoção, com atualizações automáticas sobre o status do processo para os interessados.
Plataforma da Adopets
Reprodução/Adopets
A startup cobra uma taxa – de 5% ou US$ 5 (R$ 26), o que for maior – em cima do que os abrigos cobram pela adoção. Alencar pontua que essa taxa costuma ser repassada para os adotantes. No momento, mais de 2 mil abrigos são usuários ativos da plataforma e 6 mil adoções são facilitadas por mês.
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Pelo histórico de trabalho, a Adopets recebeu uma proposta da rede de petshops PetSmart, com cerca de 1,7 mil lojas nos Estados Unidos e no Canadá, para desenvolver uma solução exclusiva com o mesmo fim, que recebeu o nome de Ame. Lançada em setembro de 2023, a plataforma faz a intermediação de cerca de 30 mil adoções mensais.
Ao longo da jornada, a Adopets levantou três rodadas de investimento que totalizam US$ 1,7 milhão (R$ 9,1 milhões). O primeiro cheque foi da Techstars, aceleradora norte-americana, em 2018. “Deram o selo de que não estávamos brincando, que tínhamos um negócio sério, com propósito, com um objetivo de alcançar resultados de impacto e financeiros”, afirma Alencar. A startup não abre o faturamento, mas espera chegar ao breakeven em 2025.
Não perca
Em 2022, a Adopets se fundiu à ShelterBuddy, empresa australiana que tem um software de gestão para abrigos. Atualmente operando nos Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia, a empresa não descarta a possibilidade de trazer a Adopets para o Brasil: Alencar diz que estuda o mercado nacional. Ele mora no Brasil, enquanto Martins reside nos EUA. Sousa saiu do negócio no fim do ano passado.
“São mercados com grau de maturidade parecido na forma que os abrigos operam, houve avanço no Brasil, com a estruturação de processos, mas ainda há informalidade. Temos grande interesse em adaptar para o mercado nacional e estamos estudando como a solução tomaria forma para ser sustentável financeiramente”, finaliza.
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