Solfácil volta ao mercado de capitais e levanta FIDC de R$ 1 bilhão

Nos últimos anos, startup captou R$ 4 bilhões para financiar a instalação de energia solar em residências A Solfácil, ecossistema de soluções solares, anuncia nesta quarta-feira (19/2) a captação de R$ 1 bilhão em um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para financiar a instalação de placas solares no Brasil. O valor deve ser concedido em crédito para 50 mil clientes em um período de 6 a 9 meses.
“Entre 2023 e 2024, praticamente dobramos a originação de financiamento solar, a demanda veio forte. R$ 1,5 bilhão de originação por ano é expressivo, o FIDC é um instrumento bem conhecido, sólido no mercado, e decidimos trabalhar com bancos grandes para que não falte capital se tivermos um mês mais acelerado de demanda”, pontua Guillaume Tiret, cofundador e CFO da startup. Os investidores não foram divulgados.
A Solfácil surgiu como fintech há seis anos para financiar a instalação de placas solares em residências por meio de intermediários: os profissionais que atuam na ponta. Em 2022, ampliou o leque de ofertas para vender equipamentos e, atualmente, o ecossistema também engloba seguros e dimensionamento de projetos.
Toda a jornada é digital e a startup não cobra entrada. O tíquete médio está na casa de R$ 22 mil – há 3 anos, girava em torno de R$ 30 mil. O valor emprestado é cobrado com juros, que variam de acordo com o perfil do cliente e do integrador que faz a instalação. O payback do investimento costuma acontecer em cerca de quatro anos. A Solfácil não divulga a taxa de inadimplência de seus clientes.
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Esta não foi a primeira captação da Solfácil no mercado de capitais. Nos últimos anos, a startup havia levantado R$ 4 bilhões em instrumentos como FIDC, Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e debêntures, e conquistou o título de maior emissora de títulos verdes do Brasil, de acordo com dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Não teve um momento em que tivemos de fechar a torneira porque o funding não estava pronto. Faz parte do DNA da Solfácil sempre ter um capital amarrado e disponível para concessão”, aponta o CFO.
Ele acrescenta que a demanda crescente é reflexo da quebra de alguns mitos em torno do tema e de movimentos como a Geração Compartilhada de Energia, que possibilita a criação de consórcios para o compartilhamento de energia gerada em fazendas solares. No futuro, o cenário pode mudar novamente quando o Mercado Livre de Energia chegar às pessoas físicas, possibilitando a compra de eletricidade da fonte que preferir.
“Eu sou muito otimista sobre o futuro da energia solar. Pode ter alguma oscilação pelo interesse dos players mais antigos, mas não vejo outro caminho a não ser o da infraestrutura descentralizada no futuro”, opina.
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A Solfácil tem 8 mil profissionais integradores solares cadastrados na plataforma e 145 mil clientes, sendo a maioria pessoas físicas, segundo Tiret. Nos últimos cinco anos, a startup cresceu 107 vezes e, em 2024, registrou faturamento de mais de R$ 1 bilhão.
Em rodadas de equity, a Solfácil captou mais de R$ 800 milhões com fundos como QED Investors, Softbank, Valor Capital Group e VEF. O último aporte anunciado aconteceu em maio de 2022, quando a startup recebeu um cheque de US$ 100 milhões.
“A Solfácil gera lucro desde o ano passado. Isso faz com que a gente não precise mais captar para financiar a operação, o que é um grande marco. Se a gente voltar a captar, será por outros motivos, para fazer aquisições, expansão internacional ou pensar um novo produto”, finaliza.
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