Quem era o CEO da OceanGate, dona de submarino que implodiu próximo a destroços do Titanic

Stockton Rush, CEO e fundador da OceanGate, pilotou o submersível em acidente que completa um ano. OceanGate ignorou alertas de risco para a expedição Nesta terça-feira (18/6), completa-se um ano do desaparecimento do Titan, veículo submersível que fazia uma expedição exploratória nos destroços do Titanic quando implodiu a cerca de 3,5 mil metros de profundidade, matando cinco pessoas. O piloto do submarino era Stockton Rush, CEO e fundador da OceanGate, empresa responsável pelo passeio. O transatlântico Titanic naufragou há mais de um século. O acidente causou a morte de 1.517 passageiros e tripulantes.
O empresário, que morreu aos 61 anos, havia sido alertado sobre a segurança dos equipamentos da OceanGate e das viagens submarinas pelo menos cinco anos antes, mas ignorou os avisos. Depois do incidente, a OceanGate suspendeu as operações comerciais.
Nascido em São Francisco (Estados Unidos), Rush começou sua carreira como piloto de jatos, diz o Daily Mail. Com o sonho de ser astronauta, trabalhou com a Força Aérea dos EUA a partir de 1984, em programas de F-15 e mísseis anti-satélite. O empresário também passou por diversas empresas, especializando-se em sonares, tecnologias submarinas e radares. Ele construiu a aeronave experimental Glasair III e o submersível Kittredge K-350.
Em 2009, ao lado de Guillermo Söhnleinm, fundou a OceanGate. O empreendedor tinha o sonho de levar turistas em passeios para ver os destroços do Titanic no fundo do oceano Atlântico.
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Avisos
O consultor de expedições em alto mar Rob McCallum trocou e-mails com Rush em 2018. Nas mensagens, alertava que CEO poderia estar colocando a si mesmo e aos seus clientes em risco. O dono da OceanGate reagiu de forma agressiva às críticas.
“Ouvimos gritos infundados com muita frequência. Tomo isso como um sério insulto pessoal”, respondeu Rush. O especialista, no entanto, continuou insistindo que a empresa buscasse uma certificação segura antes de vender as expedições marítimas.
Em resposta, o CEO chegou a afirmar que estava “cansado de quem tenta usar argumentos de segurança para impedir a inovação”. Ele ainda disse que o risco faria parte da natureza da inovação e que atores do setor estariam fazendo um esforço para impedir a entrada de novas empresas no mercado.
McCallum afirmou que Rush ameaçou processá-lo depois da troca de e-mails e que disse ao CEO que “havia muito mais em jogo do que Titan e o Titanic”. “Sou bem qualificado para entender os riscos e os problemas associados à exploração submarina”, retrucou Rush.
Antes do acidente, a OceanGate demitiu David Lochridge, que era diretor de operações marítimas e foi processado por ter produzido um relatório sobre os riscos da operação. No documento, o profissional enfatizou a urgência de abordar a questão, e escreveu que era o momento de analisar “adequadamente os itens que possam representar um risco à segurança do pessoal”. Ele afirmou que suas tentativas anteriores de falar sobre os problemas foram “ignoradas várias vezes”, de modo que ele sentia a necessidade de produzir o relatório para ter “um registro oficial”.
O acidente
O submarino desapareceu no dia 18 de junho, poucas horas após iniciar sua descida ao fundo do mar. A tripulação de cinco pessoas morreu durante uma implosão, causada pela força da pressão na estrutura do submersível. Os destroços foram descobertos cerca de 80 horas após o desaparecimento, quando a reserva de oxigênio do veículo já estaria no final.
Os restos do Titan foram encontrados a 500 metros da proa do Titanic, que está a quase quatro quilômetros de profundidade e a 600 km da costa de Terranova (Canadá).
Além de Rush, morreram na implosão os bilionários Hamish Harding, o mergulhador francês Paul-Henry Nargeolet, o empresário paquistanês Shahzada Dawood e seu filho, Suleman Dawood.
