Planos da Velocity pós-aquisição pela SmartFit incluem primeira franquia internacional

Em entrevista a PEGN, Shane Young, fundador da Velocity, falou sobre a decisão de vender o negócio e o projeto de ajudar na construção de um ecossistema fitness Foram cerca de cinco anos de flertes até a Velocity e o grupo SmartFit chegarem a um acordo de venda por R$ 183 milhões, anunciado na semana passada. Em entrevista a PEGN, Shane Young, fundador da rede de estúdios de bike indoor diz que vê o novo capitulo como uma oportunidade de profissionalizar ainda mais o negócio e globalizar a marca, criada em 2014. A primeira unidade internacional deve abrir as portas até o fim do ano em Barcelona, na Espanha.
Pelos próximos 12 meses, Young vai se juntar a Carol Corona, da SmartFit, e seu sócio na Velocity, André Botelho Coracini, para realizar a integração entre sua marca e os estúdios do grupo SmartFit (Jab House, Vidya, Race Bootcamp, Tonus e One Pilates). Atualmente, a empresa fundada por Young tem cerca de 150 unidades negociadas, sendo 103 em operação, entre Kore (miniestúdios focados em treinos funcionais) e Velocity.
“Sempre acreditávamos que um ecossistema seria o caminho para o nosso negócio. Principalmente para os nossos clientes, que buscam essa experiência, essa comunidade. Quando a SmartFit nos procurou, em 2018, eles estavam criando a vertical de estúdios, que entram nesse mesmo pensamento”, comenta Young.
De acordo com ele, as conversas se alongaram por que, naquele ano, a Velocity lançou seu plano de franquias e, em seguida, veio a pandemia. A rede só voltou a crescer após o ápice da crise sanitária. Por isso, Young considera que o momento certo chegou.
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“Estamos pensando em como construir esse ecossistema, seja juntando as marcas ou integrando os times, por exemplo. Tanto do lado deles como do nosso, o foco sempre será o cliente final, porque sem eles não temos nada disso, e os colaboradores, que têm a expertise e experiência nas marcas”, diz. Uma das condições da Velocity foi manter o time, por ser uma “operação complexa”.
Com a força do grupo SmartFit, o empreendedor enxerga a oportunidade de realização de alguns desejos antigos, como a criação de um centro de treinamento focado em seu produto, para funcionários administrativos e, sobretudo, professores. Também está no radar de Young o investimento em melhorias na experiência para o cliente, ações e eventos conjuntos. “Atualmente, é um pouco difícil fazermos isso. Um grupo grande dando esse suporte é o que estava faltando”, diz.
A expansão global é outra oportunidade que se abre para a Velocity com a nova gestão. Young adianta que uma unidade franqueada deve abrir as portas em Barcelona até o final do ano, sob gestão de um ex-aluno. Também já há um contrato assinado com um multifranqueado brasileiro para operar uma academia em Portugal. “Vemos muita oportunidade na Europa. A SmartFit já está em Madri. Entendemos que o apoio deles ajuda na expansão global”, afirma.
Antes de se juntar ao conglomerado criado por Edgard Corona, a Velocity vinha se expandindo também em outros modelos de negócios. Em 2022, a marca colocou no mercado o aplicativo Sweatify, para oferecer aulas remotas, e também bicicletas ergométricas que poderiam ser usadas em ambientes domésticos. De acordo com ele, já há conversas para decidir o futuro do produto, que pode envolver uma possível integração dos serviços à plataforma digital do grupo SmartFit, o Queima Diária.
No ano passado, a empresa lançou um modelo de licenciamento focado em pequenas academias de bairro. O piloto foi instalado em Bagé (RS), mas acabou não avançando para outras praças por falta de estrutura interna, de acordo com Young. “Era muito difícil dar esse suporte para vários modelos. Então, optamos por não expandir”, diz.
Como parte de uma empresa com capital aberto, Young é discreto ao falar sobre o futuro. Ele não confirma números de expansão ou de faturamento, mas diz ver um horizonte de oportunidades para o crescimento dos estúdios nos próximos anos, inclusive com unidades híbridas, que contenham mais de uma marca. Ele mencionou uma entrevista recente de Edgard Corona, que diz ver potencial para 500 estúdios no Brasil. “Temos a possibilidade de ser um dos maiores, senão o maior ecossistema fitness do mundo. Esse é um grande desafio que eu gostaria de enfrentar nos próximos anos”, finaliza.
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