NRF 2025: 4 tendências do maior evento de varejo do mundo que vão nortear o setor neste ano
Especialistas brasileiros que participaram do evento destacaram os principais temas que foram discutidos no maior evento de varejo do mundo, que aconteceu nesta semana em Nova York Após três dias de evento, a NRF Retail’s Big Show 2025 chegou ao fim na última terça-feira (14/1). Organizado pela National Retail Federation (NRF), o maior evento de varejo do mundo acontece tradicionalmente em Nova York (EUA) há mais de 100 anos e costuma abordar as tendências que norteiam o setor. Nesta edição, participaram nomes como John Furner, CEO do Walmart; Doug Herrington, CEO da Amazon Stores; Azita Martin, vice-presidente da Nvidia e responsável pela área de varejo na empresa; e Artemis Patrick, CEO da Sephora.
Especialistas brasileiros que estiveram na convenção foram consultados por PEGN e destacaram os quatro principais temas que o empreendedor brasileiro precisa ficar de olho neste ano. Confira a seguir:
1 – Inteligência Artificial no varejo
Os três dias abordaram assuntos como sustentabilidade, engajamento e experiência do consumidor, mas um tema ganhou destaque em todas as discussões: Inteligência Artificial. De acordo com os especialistas, os painéis destacaram a importância da IA na produtividade, mas alertaram que sua adoção requer planejamento e integração.
Segundo Tatiana Moreira, sócia da Praxis Business, uma das palestras mostrou a IA como um salto tecnológico único, que pode revolucionar o varejo. De acordo com ela, a ferramenta é vista como uma tecnologia que, quando adotada da melhor maneira, poderá mudar toda a jornada do consumidor. “A IA não é sobre redução de seres humanos: o varejo é um negócio de gente e a tecnologia pode criar experiências memoráveis”, conta a especialista.
2 – Experiência do cliente
De acordo com Juarez Leão, CEO da Leão Group e membro do conselho da Associação Brasileira de Franchising (ABF), durante o evento, as marcas falaram sobre a importância do varejista pensar no aperfeiçoamento da experiência de seus clientes.
Por exemplo, no terceiro dia de plenárias, Dylan Lauren, CEO da Dylan’s Candy Bar, e Alex Rodriguez, CEO da A-Rod Corp, exploraram o papel das experiências imersivas no varejo físico. Ambos enfatizaram que “lojas devem ser destinos emocionais, que conectem gerações e transcendam os produtos oferecidos”.
“Parcerias estratégicas foram apontadas como chave para a expansão, enquanto a integração física e digital foi identificada como elemento indispensável para o sucesso omnichannel. A dupla reforçou que o futuro do setor será liderado por comunidades, inovações tecnológicas e um propósito claro”, contou Leão.
Para Lee Peterson, da WD Partners, as lojas precisam ser como hubs de experiências imersivas e emocionais. De acordo com Julio Monteiro, CEO da Megamatte e vice-presidente da ABF-Rio, Peterson afirmou que para competir com o e-commerce, o varejo físico deve investir em um design único, atendimento excepcional e produtos exclusivos, criando assim conexões profundas com os consumidores.
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3 – Sustentabilidade
A sustentabilidade segue como uma forte tendência no varejo. Para especialistas, os negócios do setor devem exercer uma gestão responsável pelos recursos naturais, promover condições de trabalho justas e fomentar o consumo consciente.
Empresas como a IKEA estão incorporando práticas regenerativas e desenvolvendo produtos que priorizem durabilidade e sustentabilidade. “A visão de que ‘saúde climática é saúde pública’ destaca o papel das marcas em liderar mudanças positivas para enfrentar a crise climática”, analisa Leão.
Segundo Tom Moreira, presidente da ABF, as previsões da consultoria Worth Global Style Network (WGSN), apresentadas no evento, indicam uma transição para uma maior conectividade e sustentabilidade até 2027. “As tendências incluem inteligência artificial ética, foco em comunidades intencionais e produtos com ciclos de vida mais longos. Além disso, o papel do entretenimento e da nostalgia no engajamento do consumidor foram explorados”, destaca o especialista.
4 – Cultura organizacional
Segundo Leão, o impacto da cultura organizacional no sucesso das empresas foi amplamente discutido. A Target compartilhou algumas das suas iniciativas para engajar colaboradores e promover uma liderança inclusiva e transformadora. “Combinando tecnologia e interação humana, a empresa conseguiu reduzir drasticamente a rotatividade de líderes e melhorar a experiência do cliente”.
Brian Cornell, CEO Target, Michael Bush, CEO Great Place To Work, e Abubakarr Bangura, vice-presidente da Target
Divulgação
O especialista acredita que para crescer o empreendedor precisa ter uma escuta ativa com diálogos constantes com colaboradores, impulsionando inovação e engajamento. Além de programas de treinamento personalizados que fortaleçam equipes e garantam retenção de talentos.
Para Monteiro, da Megamatte, no terceiro dia ficou evidente que “o futuro do varejo é definido pelo equilíbrio entre tecnologia avançada e a conexão humana”. O especialista acredita que para prosperar em um cenário competitivo, o empreendedor precisará de não apenas tecnologia, mas uma abordagem genuinamente humana e estratégica.
“A troca de experiência, conhecimentos e insights compartilhados durante o evento reforçam que o varejo do futuro exige adaptação constante, inovação responsável e um compromisso com valores humanos”, destaca Monteiro.
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