Negócios de rua tem sido a aposta de muitos empreendedores para reduzir gastos e fidelizar a clientela

Veja as oportunidades e os desafios de abrir ou migrar empreendimentos para fora dos shoppings centers Custos altos para manter uma loja em shopping center, atrelados aos juros elevados do atual cenário macroeconômico e somados a uma mudança de comportamento do consumidor pós-pandemia e à forte tendência de revitalização de espaços urbanos. O resultado não poderia ser diferente: a rua está se tornando um lugar mais atrativo para empreender.
“Desde 2020, lojistas têm revisto estratégias de locação. Alguns migraram para as ruas e, também, para os strip malls [centros de conveniência]. A razão é o alto custo de manter uma loja em shopping, que gira em torno de 15% a 30% do faturamento, ante 4% a 8% nas operações de rua”, aponta Daniela Archanjo, diretora-executiva da Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos).
Não bastassem aluguel, condomínio e taxas de publicidade abocanhando parte da receita, as despesas dos shoppings também aumentaram – energia e segurança, por exemplo. “Isso dificulta ainda mais as negociações com os lojistas”, afirma Áurea Ribeiro, professora de Estratégia e Marketing da Fundação Dom Cabral.
É verdade que os shoppings entregam inúmeros benefícios para os empreendedores – como tráfego consolidado de clientes; estacionamento e acessibilidade; variedade de opções de entretenimento e lazer; conforto, com ar-condicionado e ambientes cobertos – e permitem visitas o tempo todo, independentemente das condições climáticas externas.
Isso, porém, tem um preço, que não é baixo. “São várias questões que podem impactar a margem de lucro e limitar a flexibilidade das operações e a personalização do negócio, além de aumentar a dependência em relação à administração e a concorrência com lojistas no mesmo espaço”, diz Lyana Bittencourt, CEO do Grupo Bittencourt, consultoria para franquias e redes de negócios.
Espaço de experiências
As lojas de rua, em contrapartida, destacam-se por algumas vantagens, como proporcionar uma identidade visual exclusiva e personalizada e ter horários maleáveis (leia mais no quadro ao lado) – e ainda estão destinadas a criar uma conexão com a comunidade local, elevando as chances de fidelização da clientela.
Para escolher o melhor ponto, afirma Ana Carolina Damasio, analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio de Janeiro (Sebrae-RJ), deve-se ponderar “um conjunto de fatores que vão desde o perfil do consumidor local, conectado ao produto ou serviço a ser fornecido, até a avaliação da concorrência e a confirmação se há visibilidade e fluxo de pessoas”.
Outro ponto é que, muitas vezes, a jornada de quem compra online passa por uma unidade física perto de onde a pessoa mora ou trabalha, para conhecer o produto ou serviço antes de adquiri-lo: “A loja na rua pode ser entendida como um espaço de experiências”, observa Fabiana Estrela, coordenadora da Comissão de Expansão e Pontos Comerciais da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Por isso, o mais importante é desenvolver um bom planejamento para adequar o negócio ao que o cliente deseja encontrar. Foi o que fizeram as seis empreendedoras que você vai conhecer nas próximas páginas.
Initial plugin text
AS VIAS MAIS CARAS DAS AMÉRICAS
SP e Rio estão na 26ª e 27ª posições
Upper 5th Av.
49th to 60th Streets
Nova York, EUA
Valor do aluguel/m²: US$ 2 mil
Madison Av.
57th to 72th Streets
Nova York, EUA
Valor do aluguel/m²: US$ 1,25 mil
Rodeo Drive
Beverly Hills
Los Angeles, EUA
Valor do aluguel/m²: US$ 925
Oscar Freire
Jardins
São Paulo
Valor do aluguel/m²: US$ 72
Garcia D’Ávila
Ipanema
Rio de Janeiro
Valor do aluguel/m²: US$ 69
Fonte: Cushman & Wakefield, 2023
Fonte: pesquisa “Impactos da Mobilidade Urbana no Varejo”, conduzida em 2022 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Sebrae
Check-list para tomar uma boa decisão
O público-alvo está presente na região escolhida?
O ponto tem boa visibilidade? Isso é importante para o tipo de produto ou serviço?
O posicionamento do imóvel na quadra favorece o perfil do negócio?
Há alto fluxo de veículos e pedestres?
A região possui polos que atraem a movimentação de pessoas?
As lojas vizinhas são complementares ao negócio?
Há concorrentes (diretos e indiretos) na vizinhança? A estratégia é estar perto ou longe deles?
O local é acessível para trajetos a pé, de transporte público ou de bicicleta? Tem estacionamento ou é fácil parar carros nas imediações?
Quais fatores podem mudar o perfil da região nos próximos anos?
Fonte: Sebrae-RJ
O que ponderar na escolha
Prós e contras de um ponto comercial na rua
Vantagens
Custos operacionais menores Locação mais acessível do que a dos shoppings, exceto em vias muito concorridas; não tem condomínio nem taxa de marketing obrigatória, como no caso dos centros comerciais.
Gerenciamento de despesas Apesar de necessários, os gastos com marketing local podem ser adequados ao orçamento de cada empreendedor, sem obrigatoriedade de investimentos.
Flexibilidade de horário A jornada pode ser alterada para atender às necessidades dos clientes, podendo ser estendida, por exemplo, em datas especiais ou sazonalidades.
Recrutamento de mão de obra Com horários mais curtos e flexíveis, é mais fácil contratar funcionários.
Personalização Pode ter uma identidade visual exclusiva e personalizada, devido à liberdade para projetar fachadas e layouts internos, de acordo com a marca e o estilo do negócio.
Visibilidade É mais visível para pedestres, motoristas e usuários de transporte público, o que resulta em maior tráfego de potenciais clientes.
Conexões Há maior capacidade de empreendedores engajarem e se relacionarem com o entorno, promovendo uma base de clientes mais fiéis, além de parcerias comerciais e colaborações entre empresas locais.
Desafios
Imóveis estruturados As ofertas de pontos comerciais com condições ideais de ocupação são menores; muitos não permitem vitrines amplas.
Segurança Trata-se de um dos pontos de atenção, particularmente em grandes centros urbanos; requer investimentos em equipamentos de monitoramento.
Estacionamento A falta de vagas para veículos pode motivar a desistência de uma compra.
Suscetibilidade ao clima Questões incontroláveis, como mudança de clima e precipitações, tendem a atrapalhar o movimento.
Qualificação do fluxo Há um menor controle sobre o vaivém de potenciais clientes.
Captação de clientes Dependendo da região, é necessário um maior esforço para atrair e fidelizar consumidores; oferece poucas chances de parcerias para dividir gastos com marketing local.
Concorrência local Não existe um órgão regulador do mix de lojas nas redondezas; a concorrência pode estar ao lado ou bem próxima.
Fontes: Associação Brasileira de Franchising (ABF), Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos), Fundação Dom Cabral, Grupo Bittencourt e Sebrae
Initial plugin text
Investimento menor
CENTRO HISTÓRICO – Ana Paula Crummenauer reformou um imóvel de 1903 para instalar a Casa Verdinha, que vende peças de porcelana que ela pinta à mão
Letícia Moreira
Designer de interiores com formação técnica em administração, Ana Paula Crummenauer, 32 anos, é o nome por trás da Casa Verdinha, que ocupa um casarão antigo no centro histórico de Curitiba (PR), uma área mista de comércio e residências. Antes de ter uma loja física, ela comercializava de forma online e em feiras de artesanato as peças de porcelana que pinta à mão.
Para escoar sua produção, teve de procurar um espaço para o ateliê. Não tinha shoppings em mente, e visitou vários imóveis até encontrar um que precisava de reforma, mas dispunha de ótima localização e aluguel acessível, comparado com outros pontos mais novos e prontos para serem ocupados. “Por ser uma antiga residência, precisou que toda a fiação elétrica fosse refeita”, conta. Esse foi o maior investimento inicial, cuja conta fechou em R$ 25 mil.
Como a Casa Verdinha “fala de amor e conexão com o lar”, nada mais óbvio, segundo ela, do que se instalar em um antigo imóvel residencial – sua escolha foi uma casa de 1903, que já foi centro cultural e escola. A estrutura interna passou por muitas alterações e, atualmente, tem 80 m², com três salas, banheiro e cozinha, no andar inferior, e uma grande sala, no superior.
A loja não possui estacionamento próprio, mas é possível parar o carro nas ruas tranquilas do bairro. Também é facilmente acessada por transporte público. Entretanto, por estar na rua, se mostra mais suscetível a furtos: já foram quatro, com arrombamentos. Isso trouxe uma conta extra para a operação, uma vez que foi necessário contratar uma empresa especializada para auxiliar na vigilância, além de adquirir sistemas de monitoramento, câmeras e alarmes.
Mesmo com a alta manutenção – já teve de reformar o telhado, pintar a fachada e investir em jardinagem – e a impossibilidade de ter uma vitrine como gostaria, por conta da estrutura do imóvel, os custos, diz ela, ainda saem mais em conta que num shopping. O faturamento médio mensal é de R$ 34 mil.
Redução nas despesas
BAIRRO NOBRE – Karlla Vilella fechou duas unidades da Kalu joias em shoppings de São Paulo e migrou para os Jardins, onde diz faturar 50% mais
Thays Bittar
Cirurgiã-dentista por formação, Karlla Vilella, 52 anos, é apaixonada por joias desde pequena. Foi natural, então, que se dedicasse a isso. Quando retornou ao Brasil, depois de morar fora em função do trabalho do marido, decidiu empreender no segmento de alta joalheria, em prata e ouro.
Fez cursos de administração e empreendedorismo no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e recebeu ajuda de amigas lojistas e especialistas na área jurídica. E diz que também aprendeu bastante com acertos e erros.
Sua estratégia inicial foi implantar lojas em shoppings, por ser um ambiente mais seguro e para conquistar clientes, para depois migrar para espaços de rua, onde o custo de manutenção é bem mais baixo. A primeira Kalu Joias foi aberta em 2006, no Morumbi Shopping, e a segunda em 2009, no Shopping Vila Olímpia, em São Paulo. Ambas foram fechadas entre 2013 e 2014.
Nesse intervalo, a empreendedora abriu uma unidade de rua nos Jardins. “Contei nos dedos quantas clientes iriam comigo e me permitiriam pagar as despesas iniciais”, lembra. A empreitada deu certo. Seu sonho era conseguir atender melhor, servindo champanhe, oferecendo banheiro exclusivo e realizando eventos fechados, além de poder encerrar o expediente quando bem entendesse. Tudo isso era inviável no shopping, que aplicava multas relacionadas a horários extrapolados, além do fato de os comerciantes serem obrigados a participar de todas as ações.
Na loja atual, três vezes maior que as dos centros comerciais, os custos se mostraram bem menores, e ela agora diz poder escolher com o que gastar. Também afirma que conseguiu negociar valores em tempos difíceis – como ocorreu com o aluguel, na pandemia. O faturamento é 50% maior do que o obtido antes – no último ano, a média mensal foi de R$ 72,5 mil.
Nem tudo são flores, entretanto: em dias chuvosos, por exemplo, o movimento é menor do que seria em um shopping center, totalmente coberto – inclusive o estacionamento. Também exige bastante trabalho para conquistar o cliente e ganhar sua lealdade, fazendo com que busque a loja em vez de um lugar com várias opções de comércio.
Perto do transporte público
A 100 M DO METRÔ – Para instalar uma unidade do Açaí da Barra, Janete Nagasawa demorou cinco meses até achar um bom ponto comercial
Thays Bittar
Depois de trabalhar por uma década com desenvolvimento de pessoas na área de recursos humanos, a administradora Janete Mayumi Nagasawa, 52 anos, decidiu ampliar seu escopo de atuação e migrou para o franchising.
Em 2021, abriu uma unidade da Açaí da Barra, self-service de açaí e sorvete, complementos, lanches e bebidas saudáveis.
Num primeiro momento, ela pensou em se instalar em um shopping, mais seguro, com infraestrutura adequada e com um “órgão regulador” do mix de lojas, minimizando riscos da operação. Avaliou pontos comerciais disponíveis, mas percebeu um número relevante de negócios fechados, o que lhe gerou insegurança diante dos altos custos de ocupação.
“Os anos de consultoria me deram boa familiaridade com estudos de viabilidade e análise de negócios. Isso me fez avaliar que, para o meu caso, uma loja de rua poderia ser mais viável e atrativa”, diz.
Por saber que a escolha do ponto é crucial para o sucesso de um negócio, foi criteriosa: demorou cinco meses até encontrar um local para se instalar na capital paulista, a cem metros do metrô Praça da Árvore, próximo de um centro comercial, com bom fluxo de pedestres, características e tamanho adequados, numa região com muitos restaurantes e custos de ocupação compatíveis com as projeções de resultado financeiro.
Optando pela rua, a empreendedora diz ter flexibilidade com dias e horários de funcionamento e em realizar ações de captação de clientes em frente à loja. Isso sem considerar as margens de lucro mais atrativas, devido aos custos menores.
Embora o imóvel em geral estivesse em boas condições, foram necessárias várias adequações para o padrão exigido pela franqueadora. As reformas levaram cerca de três meses, com um investimento total aproximado de R$ 200 mil. Atualmente, o faturamento médio mensal é de R$ 96 mil.
Saiba mais
Grande fluxo de pessoas
ÁREA CENTRAL – Mayra de Oliveira, sócia de duas unidades da Orthodontic instaladas em ruas movimentadas de Contagem e Sete Lagoas, em MG
Marta Lucena
Desde o início da faculdade de odontologia, Mayra de Oliveira, 34 anos, sonhava em ter o próprio consultório. Formada, primeiramente atuou no serviço de saúde pública e, após um ano, migrou para a área particular. Sem condições de montar o próprio espaço, trabalhava em clínicas de parceiros, até que começou a prestar serviço na rede Orthodontic, como ortodontista.
Apaixonou-se pelo modelo de negócio da franquia e, depois de conquistar ascensão profissional e financeira, em 2017, ao lado do irmão e um sócio-investidor, tornou-se franqueada da rede em Sete Lagoas, cidade mineira em que vive. O negócio deu tão certo que, dois anos depois, o trio abriu a segunda unidade, desta vez em Contagem, a 65 quilômetros de distância.
Em ambas as cidades, os consultórios estão instalados em uma área central, com bastante movimento e fluxo de gente. “Com uma loja de rua, a captação de clientes é mais humanizada: a pessoa passa, se identifica, entra para conhecer as instalações e isso já gera venda”, afirma. Outro ponto, diz, é a acessibilidade, pois estar em área de grande fluxo de pedestres e veículos torna conveniente a visita à clínica – em Sete Lagoas, por exemplo, a unidade fica bem perto do terminal de ônibus.
A empreendedora também acredita que a divulgação da marca e dos serviços é mais eficiente quando exposta na rua. Ela avalia que a proximidade com outros comércios pode gerar parcerias e colaborações, além de ser conveniente para quem trabalha na região, permitindo realizar consultas e tratamentos na hora do almoço ou após o expediente.
Apesar disso, vê algumas desvantagens, como custo mais elevado de aluguel em relação a áreas menos centrais, falta de segurança, competição com outras clínicas e serviços de saúde – todos buscando a atenção do cliente –, além de congestionamentos em horários de pico, que dificultam o acesso de quem vai de carro.
Antes de assumir a frente da franquia, Oliveira fez MBA comercial e empresarial e Empretec (programa de formação de empreendedores do Sebrae), além de ter passado por mentorias e consultorias com o intuito de se preparar para gerenciar as operações.
Em Sete Lagoas, o imóvel onde a unidade funciona tem 220 m², com oito consultórios odontológicos, centro radiológico e de esterilização, salas comerciais, recepção, banheiros, entre outros cômodos, com estacionamento para clientes. A de Contagem tem metade dessa área e conta com cinco consultórios, entre outras instalações. Atualmente, as duas franquias faturam, juntas, uma média de R$ 380 mil por mês.
Acesso facilitado
MINICENTRO – Lílian Alves montou a clínica Majô Beauty Club em uma quadra mista de Brasília, por ser bem localizada e fácil de estacionar
Andressa Anholete
Lílian Santana Alves, 41 anos, dedicou-se por muito tempo ao serviço público, o que lhe garantiu capital inicial para investir e se tornar empreendedora. Ela é franqueada da rede Majô Beauty Club, na área de estética e depilação, em Brasília (DF).
Por prestar um serviço in loco, escolheu uma loja de rua que garantisse o conforto que desejava oferecer ao cliente, tendo fácil acesso, segurança e que ficasse próxima do público-alvo. Também pesaram na decisão o custo menor de aluguel e a necessidade de investimentos mais baixos em divulgação.
Embora tenha visitado alguns espaços em shoppings, a intenção sempre foi encontrar um imóvel de rua. Pelo fato de Brasília ser uma cidade planejada e a maioria dos espaços ser agrupada em minicentros, ela não teve dúvidas ao rejeitar pontos dentro de grandes centros comerciais. “O investimento seria muito alto para reforma, sem contar as despesas maiores com marketing e propaganda, assim como outras, como 13º aluguel.”
No imóvel atual, de 67 m², instalado numa quadra mista, a empreendedora destaca, além da visibilidade, a facilidade de estacionar veículos, a boa localização e a proximidade dos moradores da região. Outro ponto que a agrada é a flexibilidade para adaptar a fachada à sua marca e a economia com divulgação, que ela faz dentro do seu orçamento.
Em contrapartida, vê como desvantagem o horário de funcionamento menor, o risco de despesas altas com manutenção estrutural (pintura, elétrica e fachada) e a necessidade de investir em segurança patrimonial.
Com um sócio-investidor, Alves reformou o ambiente para adequação ao layout da franqueadora, que consumiu R$ 300 mil. Com a franquia aberta desde 2019, a média mensal de faturamento, com depilação e cera, é de R$ 55 mil. O objetivo, porém, é agregar mais R$ 80 mil de receita nos próximos 12 meses, com serviços de estética avançada.
A formação em administração de empresas foi bastante útil para empreender, diz ela. A curiosidade nata também. Mesmo assim, buscou mentoria, fez cursos livres, participou de palestras e congressos nas áreas de marketing, gestão e vendas, entre outros. Optou pelo franchising por ser seu primeiro empreendimento, preferindo seguir com algo já testado e validado, com suporte para conseguir resultados e sobreviver aos primeiros anos de atividades.
Público novo todos os dias
NA PRAÇA – Em um espaço de alimentação cedido pela prefeitura de Lucena (PB), Tereza Paz montou o Delícias de Lucenna e vende açaí e quitutes que ela mesmo faz
Aline D’Oliveira
Em 2008, quando começou a vender empadinhas a fim de levantar dinheiro para um projeto social, Tereza Florêncio da Paz, 40 anos, dava o pontapé inicial para o que seria seu futuro empreendimento. Moradora de Lucena, pequeno município litorâneo da região metropolitana de João Pessoa (PB), a estudante de administração de empresas atualmente é dona de um quiosque na praça de alimentação da cidade, onde vende açaí e quitutes que ela mesma produz.
O Delícias de Lucenna nasceu no momento em que a empreendedora se deu conta de sua capacidade de geração de renda comercializando comida nas ruas. “Quando o poder municipal passou a ajudar o projeto social, decidi continuar a vender, pois já tinha uma clientela, e o valor que entrava era bom. Fui atrás de cursos do Sebrae para aprender a empreender e passei a comercializar empadinhas e bolo de macaxeira”, relata.
Com as boas vendas, comprou, no fim de 2009, uma barraquinha ao lado da escola local. Ficou ali por um bom tempo, até receber ordem de saída, pois seria feita uma reforma na área. Para compensar, a administração da cidade cedeu espaços para 22 empreendedores, sendo Paz uma deles.
Há sete anos, a empreendedora ocupa um dos espaços da pequena praça de alimentação municipal, montada ao ar livre, próxima à praia. O local tem 9 m², o suficiente para a comercialização de seus produtos, preparados em casa. Cadeiras e mesas são disponibilizadas para os consumidores, que movimentam o local quase o ano inteiro.
Vendendo diretamente na rua, Paz ressalta a oportunidade de conquistar clientes novos todos os dias, além de poder divulgar seus produtos à sua maneira. Por outro lado, sofre com a segurança precária e a falta de infraestrutura adequada, como a inexistência de banheiros por perto.
O trabalho com alimentos sempre esteve presente em sua vida. É ela quem faz os doces e os biscoitos artesanais que comercializa, com ajuda de outras duas pessoas – apenas o açaí é adquirido pronto, mas servido de maneira especial: numa kenga (coco partido ao meio), com granola, castanha, amendoim, leite em pó, farinha láctea, banana, leite condensado e mel. É um dos itens mais vendidos, ao lado de cocadas e outras guloseimas.
Em um dia bom, ela chega a comercializar 150 quilos de pasta da fruta e cerca de 200 cocadas. O faturamento varia muito, mas gira entre R$ 5 mil e R$ 8 mil por mês. Além de vender cocada na praia, sempre que tem oportunidade ela participa de feiras e eventos com o objetivo de alcançar novos públicos.
