‘Não precisamos de tantos unicórnios, precisamos de camelos’, diz Márcio França no Startup20

Último evento do fórum do G20 sobre startups no Brasil contou com a presença do ministro e paineis sobre investimento em empresas de base tecnológica O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Márcio França, participou da cerimônia de abertura do último evento do Startup20, fórum do G20 que debate o ecossistema de inovação e tecnologia , nesta terça-feira (10/9), em São Paulo (SP). Em seu discurso, ele pontuou que o Brasil precisa de mais startups camelos, aquelas que focam em um crescimento sustentável, do que de unicórnios, aquelas que alcançam o valor de mercado de US$ 1 bilhão.
“Todo mundo fica aguardando que as startups se transformem sempre em um grande unicórnio, mas talvez isso não seja o mais correto. Não há problema em se transformar em empresa de pequeno porte. Não precisamos de tantos unicórnios, precisamos de camelos para gerar mais empregos”, afirmou.
Dan Iosche, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e chair do B20 – grupo que conecta a comunidade empresarial ao G20 –, apontou que os encontros realizados no Brasil foram importantes para mostrar o trabalho que tem sido realizado aqui para os outros países.
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“Ter esse foro no Brasil nos trouxe a oportunidade de mostrar ao mundo um pouco do que a gente faz e da nossa agenda, alinhá-la de forma compactuada com os outros países. Entender melhor como o Brasil pode liderar algumas áreas ou dinamizar os debates sobre os temas.”
Anita Fiori, diretora do Fundo Soros de Desenvolvimento Econômico, destacou a questão climática como uma das pautas que podem ser capitaneadas pelo país. “É impressionante a quantidade de startups no Brasil todo, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, que trazem a questão da criatividade para aumentar a produtividade de várias cadeias. A transição ecológica é a grande oportunidade que as nossas startups podem contribuir para a economia global”, declarou.
Apesar do potencial, o Brasil ainda tem entraves que limitam seu crescimento. Juan Parodi, diretor de investimentos do BID Invest, indicou a questão da infraestrutura física e digital, além da dificuldade de acesso a recursos financeiros. “Há uma carência muito grande de capital de qualidade, de recursos que venham para ficar e entendam o que significa fazer empreendedorismo na América Latina”, afirmou. Ele também pontuou que a criação de laços mais estruturados com os países do G20, suas corporações e fundos de investimento, é importante para que a colaboração seja maior.
O Startup20 realizou quatro eventos no Brasil ao longo do ano: Macapá (AP), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE) e, agora, São Paulo (SP). O resultado das discussões entre os grupos de trabalho será reunido em um documento com recomendações que será entregue antes da cúpula do G20, marcado para 18 e 19 de novembro no Rio de Janeiro.
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