Microfranquias: como escolher a melhor rede para investir e quais os cuidados necessários

Apesar de ter um investimento mais acessível, o modelo também exige que o empreendedor busque informações, desenvolva competências e alinhe expectativas financeiras Microfranquias estão em alta, atraindo de jovens empreendedores a profissionais egressos do mercado de trabalho ou em busca de uma renda extra. Com impulso do formato home-based e da expansão por cidades com menos de 100 mil habitantes, nos últimos cinco anos o número de redes praticamente dobrou – de 296 para 578 –, com as operações saltando de 27.406 para 66.522, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).
“Como essas franquias demandam um investimento menor, os franqueados costumam ter mais disposição para assumir riscos”, avalia Adir Ribeiro, CEO da Praxis Business. Segundo ele, a taxa de mortalidade chega a 8,4%, ante 3,7% das franquias convencionais.
“Não é um negócio para ser fechado por impulso”, adverte Marcelo Cherto, CEO da Cherto Consultoria. “Se a franqueadora promete risco mínimo, retorno rápido e lucratividade alta, antes de assinar o contrato é importante recuar, fazer uma pesquisa aprofundada e conversar com franqueados já estabelecidos”, afirma.
Atenção: R$ 135 mil é o teto atual de investimento total em uma microfranquia, já computados taxa de franquia, capital inicial e capital de giro
Panorama das microfranquias brasileiras
Fonte: Associação Brasileira de Franchising (ABF); *até abril
PEGN
Busque Informações
Entenda como funciona o franchising. “O empreendedor só saberá se o negócio atende à sua expectativa após conhecer o sistema e os papéis do franqueado e do franqueador”, afirma Bruno Arena, diretor da Comissão de Microfranquias e Novos Formatos da ABF.
Pesquise a fundo o segmento escolhido e a reputação das redes. Sem conhecer várias franqueadoras, não há como estabelecer comparações e avaliar quesitos como suporte e treinamento. Marcelo Cherto sugere investigar “da mesma forma que você faria para comprar um carro ou um imóvel usado”.
Fonte: Associação Brasileira de Franchising (ABF); *até abril
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As boas marcas avaliarão o candidato a franqueado. Desconfie das que dispensam processos seletivos, diz o consultor: “Se a franqueadora pressiona por uma resposta, dizendo que há outros interessados na região escolhida, é porque o gerente tem metas a cumprir, e não um plano sólido de expansão”.
Segundo ele, “tem redes crescendo muito rápido porque estão vendendo barato e em grande quantidade, inclusive sem se preocupar se tem espaço no mercado para tanta gente ou se a concorrência vai ser sanguinária entre os próprios franqueados”.
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Por isso, escolhida a marca, dedique alguns dias para ler com atenção a Circular de Oferta de Franquias (COF). A fartura de informações é um sinal de maturidade da franqueadora, aponta Cherto. “Acontece que a maioria assina o contrato sem ler a COF – está tão apaixonada pelo negócio que parece não querer encontrar algo negativo.”
“Se eu fosse tomar uma única providência antes de investir em uma franquia, seja ela micro ou mega, seria conversar com franqueados e ex-franqueados. Perguntaria: ‘O franqueador entrega tudo o que promete?’; ‘Se você pudesse voltar no tempo, negociaria alguma coisa de uma forma diferente?”
E é importante falar com vários: “Porque, de repente, você encontra um que é amigão do franqueador ou que está muito bravo por uma razão específica que não tem nada a ver com o negócio. Ouvindo oito ou dez, dá para você tirar uma média e chegar às suas próprias conclusões”, diz ele.
Fonte: Associação Brasileira de Franchising (ABF)
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As responsabilidades do franqueador
Desenvolver o negócio e transmitir o know-how
Estabelecer padrões e normas
Selecionar e capacitar franqueados
Oferecer suporte continuado
Homologar fornecedores
Criar estratégias de expansão
Supervisionar a rede
Cuidar da marca a médio e longo prazos
As responsabilidades do franqueado
Investigar o negócio antes de investir
Ler a Circular de Oferta de Franquia (COF)
Operar a unidade seguindo diretrizes do franqueador
Fazer um planejamento anual
Pagar os valores mensais de royalties e taxas de publicidade
Cuidar das finanças
Promover o negócio na região
Manter a equipe engajada
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Desenvolva Competências
A primeira pergunta que todo candidato a franqueado deve se fazer é: tenho perfil para este negócio? Conhecer as próprias competências, interesses e disposição para o trabalho é fundamental para o sucesso em qualquer empreendimento. “Qualquer pessoa determinada e com atitude empreendedora pode estar à frente de uma microfranquia”, afirma Adir Ribeiro. “Não existe perfil ideal porque ninguém chega pronto.”
Basicamente, considera o consultor, a diferença do microfranqueado para o franqueado convencional é o poder de investimento. “Afinal, mesmo em uma microfranquia, é preciso adquirir conhecimento de gestão, finanças e vendas. Empreender exige coragem, dedicação, curiosidade, criatividade e visão sistêmica, mas também protagonismo, domínio emocional e, se é um negócio com colaboradores, será fundamental desenvolver a liderança.”
Não por acaso, há franqueados que obtêm resultados muito mais expressivos do que outros, mesmo vendendo o mesmo produto, da mesma marca, em condições sociais, econômicas e demográficas semelhantes. “A diferença pode estar no perfil comportamental e na atitude”, diz o CEO da Praxis Business. “O negócio provavelmente não vai gerar resultado sozinho, é preciso se dedicar bastante.”
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Em razão disso, aconselha, “não deve estar à frente de uma franquia quem deseja trabalhar apenas em horários comerciais; quem não quer seguir as diretrizes da franqueadora; quem não tem paciência para lidar com o público; quem compra uma unidade apenas para ter um negócio, sem conhecer e estudar o mercado; e quem acredita que precisará trabalhar pouco”.
“É preciso analisar o próprio perfil com frieza”, complementa Marcelo Cherto. “Se eu não gosto de ver sangue, não vou ser médico. Da mesma forma, se eu não estiver disposto a trabalhar no fim de semana e no feriado, eu não vou ter uma operação de franquia de fast-food num shopping center, porque as encrencas, certamente, vão acontecer no sábado à noite ou no domingo à tarde”.
Alinhe expectativas financeiras
É imprescindível uma avaliação se os recursos financeiros disponíveis são suficientes para cobrir não apenas o investimento inicial na microfranquia, mas também para sustentar o negócio durante os primeiros meses de operação. “Uma análise realista das finanças pessoais evita problemas futuros”, afirma Bruno Arena.
Outra pergunta-chave a ser respondida é: a previsão de faturamento é confiável? O potencial de vendas é calculado com base no fluxo de pessoas no novo ponto, do histórico e do tíquete médio de outras lojas. “Porém, o previsto pode não ser o real”, pondera Cherto. Depende, por exemplo, da localização do ponto, do poder de compra da região, do cenário macroeconômico e até mesmo do desempenho do franqueado.
Juntamente com essa, vem outra indagação: qual será o lucro? Um negócio bem administrado tem uma lucratividade média de 12% a 15% do faturamento, segundo os especialistas. “Mas é preciso levar em consideração que toda franquia tem algumas taxas mensais a serem pagas, como royalties e marketing. Por isso, é importante entender o ponto de equilíbrio e o prazo de retorno do investimento antes de fechar negócio”, recomenda Ribeiro.
As nanofranquias, que exigem investimentos muito baixos, são também um ponto de atenção. “Uma das características é que costumam ser home-based, ou seja, não há a necessidade de um ponto comercial para abrir uma unidade. Assim como qualquer outra franquia, elas também apresentam alguns riscos, como a possibilidade de não obter o retorno esperado sobre o investimento inicial. Além disso, o tamanho reduzido do negócio também impõe limitações em relação ao crescimento e ao alcance de mercado.”
Portanto, “calibre a questão de expectativa x investimento x retorno”, finaliza o diretor da ABF. “Não dá para investir R$ 20 mil em um negócio e esperar um retorno de R$ 1 milhão. Isso não existe.”
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