Médica empreende com startup que ajuda mulheres no diagnóstico precoce do câncer de mama

A PinkMapp oferece orientações sobre o tratamento da doença, por meio de uma assistente virtual, e tira dúvidas em tempo real de mulheres com suspeita de câncer de mama. Ferramenta é utilizada por hospitais públicos e privados Com o objetivo de viabilizar um autodiagnóstico mais ágil, a cirurgiã oncológica Sandra Gioia, 50 anos, lançou a startup PinkMapp em novembro de 2023. O negócio funciona como uma assistente virtual para apoiar mulheres com câncer de mama ou com suspeitas da doença. A empresa oferece orientações detalhadas sobre prevenção, sintomas, riscos e os passos que as pacientes devem seguir para acessar tratamentos pelos serviços de saúde.
Atualmente, a plataforma opera online no Rio de Janeiro, por meio de um contrato anual de R$ 800 mil com a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, além de organizações privadas, como hospitais e planos de saúde. Um chatbot gratuito também é disponíbilizado no Instagram da marca. A empreendedora não abre o faturamento total do negócio.
Gioia é uma médica mastologista e cirurgiã oncológica com mais de 25 anos de experiência. Ao longo de sua carreira, frequentemente se deparava com mulheres diagnosticadas em estágios avançados do câncer de mama. Ela conta que decidiu fundar a PinkMapp há um ano justamente para ajudar as mulheres e descobrirem a doença mais cedo, permitindo assim que outros tratamentos menos invasivos pudessem ser empregados.
O projeto piloto do que viria a se tornar a PinkMapp começou em 2017, enquanto a médica trabalhava em um centro de diagnóstico da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro e também no Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Naquele período, Gioia percebeu que, apesar de a Secretaria contar com equipamentos de ponta, como mamógrafos, biópsias guiadas por ultrassom e mamografias, a adesão ao tratamento era extremamente baixa. Segundo ela, esse fator deve-se principalmente ao fato de as pacientes muitas vezes descobrirem a doença em estágios mais avançados.
Outro pilar que sustentou a ideia de Gioia foi sua pesquisa sobre o uso da tecnologia em hospitais dos Estados Unidos. De acordo com ela, as instituições norte-americanas já utilizavam ferramentas para monitorar de perto as pacientes, oferecendo informações em tempo real e facilitando o processo para aquelas que ainda estavam sob suspeita.
Após a validação do piloto, Gioia e sua equipe contrataram a assistente social Lúcia Brigagão, na época ex-chefe do serviço social do Inca, e a treinaram para fornecer informações às pacientes sobre o tratamento e diagnóstico do câncer de mama, por meio da plataforma — que ainda não tinha nome.
Durante a fase de teste, Brigagão atendia mais de 300 mulheres simultaneamente, utilizando ferramentas como Google Forms e formulários em papel. O projeto foi testado no sistema público de saúde, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Andaraí, bairro da Zona Norte da capital fluminense, e também na Clínica da Família Vila Rosali, no município de São João de Meriti, também no Rio de Janeiro.
Em 2023, após anos de testes na rede pública, a médica mastologista e cirurgiã oncológica, enfim, fundou a startup PinkMapp com um investimento inicial de R$ 100 mil. Atualmente, a ferramenta digital é utilizada no Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart e na Clínica da Família Vila Rosali — uma das unidades onde o projeto piloto foi testado. Ambos os espaços estão localizados no município de São João de Meriti (RJ).
No setor B2B, voltado para hospitais e centros de saúde, a startup oferece um aplicativo exclusivo que permite que as pacientes registrem diariamente como se sentem, agendem compromissos, gerenciem tratamentos e consultas, e acompanhem a medicação necessária. Além disso, o aplicativo fornece informações sobre como realizar o autoexame diário e inclui um blog com conteúdos relevantes sobre a doença. Nesse modelo, a PinkMapp atendeu mais de 1,5 mil pacientes com câncer de mama.
Interface do aplicativo da PinkMapp, disponível às pacientes dos hospitais e centros de saúdes contratantes
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Atualmente, o contrato anual permite que a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro utilize a ferramenta PinkMapp nos centros de saúde selecionados.
No modelo B2C, o chatbot gratuito se chama LucIA e responde às dúvidas enviadas pela caixa de mensagens do Instagram da PinkMapp. Nesse formato, as seguidoras podem fazer perguntas sobre saúde, sintomas do câncer de mama e orientações sobre os tratamentos disponíveis. A LucIA funciona como um “ChatGPT da saúde” — e suas respostas foram treinadas pela própria cirurgiã oncológica.
LucIA, um chatbot gratuito disponível na caixa de mensagens no Instagram da PinkMapp
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Na próxima semana, será lançado um novo perfil nas redes sociais da marca, exclusivamente dedicado à LucIA. “Por enquanto, a LucIA está respondendo no nosso perfil PinkMapp do Instagram. Fizemos assim para testar e treinar a IA, e aproveitar essa plataforma popular. Mas faremos o lançamento do perfil específico da LucIA [@lucia.navegadora] pois entendemos que ficará mais fácil para as mulheres lembrarem, além de dar uma identidade para a LucIA”, explica Gioia.
LucIA, personagem responsável pelas respostas no chatbot gratuito disponível no Instagram da PinkMapp
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Para o futuro, Gioia espera expandir a atuação da startup para outras instituições de saúde pública, tanto no Rio de Janeiro, quanto em estados como Minas Gerais e São Paulo. Além disso, ainda em 2024, a médica espera que a LucIA passe a também atender pelo WhatsApp, para que o chatbot gratuito possa se popularizar ainda mais entre pacientes com câncer de mama ou para mulheres com suspeita da doença.
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