Maioria de homens brancos e desafios para implementar diversidade: o que diz levantamento da Abstartups sobre empresas do setor

Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups 2024 teve participação de 3.005 empresas de base tecnológica, de 370 cidades brasileiras A Associação Brasileira de Startups (Abstartups) divulgou nesta sexta-feira (29/11) o Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups 2024. O levantamento realizado em parceria com a Deloitte mostra que o perfil dos empreendedores por trás dos negócios inovadores mudou pouco do ano passado para cá: 79,3% dos fundadores são homens cisgêneros e 19,2% são mulheres cis. 91,6% são heterossexuais — 2,6% são homossexuais e 2,2% bissexuais. No ano passado, 79,8% das pessoas fundadoras de startups eram homens cisgêneros e 95,1% se declararam heterossexuais.
“Quanto ao perfil das pessoas fundadoras, o percentual de mulheres, pessoas pretas e pardas também se manteve”, diz Mariane Takahashi, CEO da Abstartups. Segundo o relatório, 76,5% das pessoas fundadoras são brancas e 23,6% são pretas e pardas. Em 2023, os números foram 76,1% e 23,9%.
Segundo o levantamento destea no, a idade média dos empreendedores é 40 anos, e 40,2% já realizaram uma especialização após o ensino superior.
Realizado desde 2018, o levantamento tem o objetivo de identificar informações como perfil das startups e fundadores, investimentos, empregabilidade, diversidade no time de colaboradores e relação com governo. Nesta edição, foram mapeadas 3.005 startups, com respostas de todos os estados brasileiros em 370 municípios. Segundo a Abstartups, a margem de erro é de 2%.
O levantamento apurou que 51% das startups consideram apoio à diversidade muito importante, mas 59% não realizam nenhuma ação ou processo seletivo voltado à diversidade. De acordo com a CEO da associação, o dado está relacionado ao fato de que muitas startups, especialmente nos estágios iniciais, operam com equipes enxutas e orçamentos limitados, “o que faz com que priorizem recursos em áreas diretamente ligadas ao crescimento do negócio”. “A pressão para escalar rapidamente e atender às demandas dos investidores muitas vezes coloca iniciativas de diversidade em segundo plano, mesmo que sejam reconhecidas como importantes a longo prazo”, diz.
A executiva ainda aponta o desconhecimento e a falta de expertise para implementar essas ações, já que muitas empresas não sabem por onde começar ou não possuem profissionais capacitados para liderar iniciativas do tipo. “Esses fatores reforçam a necessidade de um alinhamento estratégico para que a diversidade não seja apenas um valor reconhecido, mas também uma prática efetivamente incorporada ao cotidiano das startups”, afirma Takahashi, que se mostra otimista para implementação da diversidade.
Comparando o mapeamento de 2023 com o de 2024, houve um crescimento em ações e processos seletivos voltados para diversidade — de 29,4% para 31,9%. “Sabemos que o setor ainda enfrenta desafios quando falamos de diversidade, mas essa constante mostra que nos próximos anos podemos esperar maior inclusão nas startups.”
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Perfil dos negócios
O Sudeste concentra mais da metade de startups, com 57,6% delas na região. O destaque é São Paulo, que conta com 40,7% dos negócios. Já o Sul aparece em segundo, com 21,2%, seguido por Nordeste (11,5%), Centro-Oeste (5,1%) e Norte (4,6%). Os principais segmentos são Educação (10,1%), Finanças (9,7%) e Desenvolvimento de Software (9,2%).
O relatório também revela que 53,2% oferecem seus serviços para outras empresas (B2B) e 29,8% para outras empresas que se conectam com clientes (B2B2C). Já 13% atendem diretamente o consumidor final. O modelo de negócio mais comum (40%) é o SaaS (Software as a Service). Em seguida estão venda direta (15,2%), clube de assinatura recorrente (12,3%) e marketplace (10,1%).
O estudo também identificou as fases das empresas: 29,9% estão em tração, 25,1% em operação, 20,7% estão em validação, 15,5% em escala e 8,8% na fase de ideação.
Grande parte (44,8%) oferece modelo de trabalho remoto, e 44,1% formato híbrido. Apenas 11,1% apostam no presencial.
Investimentos
Aumentou a proporção das startups que nunca receberam investimento para 65,1% em 2024 — no ano passado era de 62,5%. Enquanto isso, 34,9% responderam que já captaram dinheiro — o valor médio recebido é de R$ 1,1 milhão. As principais fontes de dinheiro são investidor-anjo (39,8%); programa de aceleração (13,9%); Family, Friends e Fools (10,2%); fomento público (7,3%); e corporate venture capital (7,2%).
Os investimentos recebidos de outro estado ou país apresentaram um aumento, em relação a 2023, de 31,1% para 31,9%. “Podemos perceber um crescimento relevante nos investimentos no Norte e Nordeste do país, mas ainda é necessário um olhar regionalizado que permita a melhor distribuição de recursos financeiros pelo território brasileiro”, diz Takahashi. “Temos grandes cases de startups de sucesso dessas regiões que estão mudando a realidade de setores como educação e saúde, duas áreas de grande destaque, e é importante que existam iniciativas de fomento à inovação em todas as regiões.”
Segundo a CEO, iniciativas que promovam a diversidade e a inclusão nas startups, “com investimentos destinados exclusivamente a ações afirmativas, são cruciais para um crescimento sustentável e que promova a pluralidade brasileira e garanta o desenvolvimento de iniciativas inéditas.”
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