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Jovens criam startup para prática de inglês pelo WhatsApp e preveem faturar R$ 15 milhões em 2024

Jovens criam startup para prática de inglês pelo WhatsApp e preveem faturar R$ 15 milhões em 2024


Em pouco mais de um ano, a BeConfident atraiu 17 mil usuários pagantes e está na fase de testes com um aplicativo próprio Aprender inglês era uma dificuldade comum entre os amigos Robson Amorim, Felipe Silva, Felipe Tiozo e Luan Cavallaro. Quando Silva fez um intercâmbio em 2022, ele percebeu que aprendia mais conversando com amigos do que dentro da sala de aula. Essa ideia foi o embrião para a BeConfident, startup que utiliza inteligência artificial para que as pessoas aprendam inglês conversando pelo WhatsApp. Fundada no mesmo ano, a empresa prevê faturamento de R$ 15 milhões em 2024.
Os amigos se conheceram ainda na infância, quando competiam em olimpíadas de robótica em times adversários e aprenderam a programar. Com a convivência, eles perceberam que tinham a mesma veia empreendedora. “A gente brinca que somos empreendedores seriais desde o ensino médio, criamos várias soluções que chegamos a lançar no mercado, desde aplicativo para ajudar professores no planejamento de aula até entrega de café da manhã por assinatura. A gente via o tanto de energia que tínhamos para trabalhar”, conta Amorim.
A ideia do “iFood do café da manhã” foi a última aventura dos amigos antes de embarcar na tese da BeConfident. Eles criaram o negócio após notar o interesse por pedidos no período da manhã, mas poucas opções no app de delivery, além da demora na entrega. O unicórnio divulgou recentemente um estudo que apontou um crescimento de 31% nos pedidos entre 2023 e 2024, mas apenas 19% dos estabelecimentos parceiros estão abertos neste horário. O modelo por assinatura foi testado, com mais de 100 entregas feitas por motoboys, mas os jovens perceberam que a praia deles não era a logística.
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“A mãe do Robson é professora, meus pais têm uma escola em Diadema, nós trabalhamos em vários projetos de educação e vimos como ela nos transformou, não viemos de famílias ricas. Fomos direcionados para essa missão”, comenta Silva.
Ao voltar do intercâmbio, Silva propôs a ideia para os amigos: criar uma tecnologia para permitir que os alunos praticassem inglês pelo WhatsApp. Um protótipo foi feito com investimento inicial de R$ 1,5 mil de cada sócio e, em dois dias, a startup conseguiu 53 assinaturas. O capital dos primeiros clientes foi investido em anúncios para colocar a máquina para rodar.
“Passamos os R$ 6 mil no cartão de crédito, mas a BeConfident deu resultado no mesmo mês e faturamos R$ 1 milhão nos seis primeiros meses de operação, crescendo mês após mês, 100% bootstrap. A nossa solução conversacional dá feedback em tempo real e resolve uma dor muito latente. A gente pegou um mercado que estava esperando por uma solução mais barata, então crescemos muito rápido”, revela Amorim.
A BeConfident desenvolveu modelos de IA para avaliar pronúncia, gramática e coesão a partir da troca de mensagens por texto e áudio pelo WhatsApp. Segundo os fundadores, especialistas em linguagem foram consultados para construir a metodologia. Hoje, a startup já tem uma base de dados com mais de 40 milhões de segundos de áudios dos alunos, usados para continuar treinando os modelos.
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“O nosso diferencial é criar múltiplos pontos de contato para que a pessoa tenha acesso à língua estrangeira a todo momento. Uma das formas é estar dentro do WhatsApp, outra é pela extensão no Google Chrome”, afirma Silva.
Para acompanhar a evolução, os usuários podem acessar um dashboard para ver o crescimento no vocabulário, um relatório com as horas semanais investidas na conversação e quais foram os principais erros cometidos. “A gente não quer ser um jogo. Queremos que as pessoas realmente aprendam, que sintam que estão evoluindo”, diz Tiozo.
A evolução dos alunos nas conversas pelo WhatsApp pode ser acompanhada por um dashboard
Divulgação
Nove meses depois do lançamento, os sócios decidiram fazer a primeira rodada de investimento, em janeiro deste ano. O CEO diz que a BeConfident não precisava do dinheiro, mas eles queriam trazer pessoas do mercado para dentro do negócio. “A gente não utilizou o dinheiro ainda, está em caixa. Foi mais estratégico, pensamos nas pessoas-chave que fariam diferença para tornar a BeConfident global”, diz.
Eles levantaram R$ 2,5 milhões com Latitud e investidores-anjo como André Penha (QuintoAndar). Diego Libanio (Zé Delivery) e ⁠⁠Doug Scherrer (Nubank). A ideia foi fazer uma rodada menor para não ter muita diluição e, no início de 2025, fazer outra captação para garantir um aporte de US$ 10 milhões focado na expansão global.
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Para se tornar usuário da BeConfident, os alunos pagam R$ 39,90 por mês. A startup afirma que chegou a 17 mil alunos pagantes em setembro, com novas adesões mensais em torno de 4,5 mil alunos. Usuários totais – aqueles que interagem com a IA, mas não se tornam assinantes do serviço – somam 270 mil pessoas. A BeConfident estima encerrar 2024 com R$ 15 milhões de faturamento.
“Nossa taxa de conversão de usuários é 4%, bem acima dos benchmarks de aplicativos que giram em torno de 2%. O fato de estarmos dentro do WhatsApp, integrado na rotina da pessoa, aumenta esse número. O foco hoje é fazer com que mais gente conheça a BeConfident para que esses 4% sejam cada vez mais significativos”, aponta Amorim.
Com uma meta ambiciosa de alcançar 100 milhões de usuários nos próximos 10 anos, a BeConfident criou o seu próprio aplicativo, que está sendo testado por cerca de 200 pessoas no momento. Ainda não há previsão de lançamento, mas a plataforma será uma evolução do modelo atual, permitindo que os usuários tenham trilhas interativas baseadas nos seus interesses. A ideia é que seja possível conversar pelo app enquanto se realiza outras atividades, sem precisar ficar interagindo fisicamente com o celular.
A estratégia para cumprir a meta é oferecer o serviço no formato freemium, com algumas soluções sendo pagas à parte. Por enquanto, o foco continuará no inglês. “Agora estamos mais concentrados em educar uma base que não tinha acesso à conversação para começar a modelar o produto freemium. Nos próximos dois anos o foco vai ser esse e quando estivermos com uma estrutura viável, vamos expandir o nosso modelo de negócio”, finaliza Amorim.
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