Jovem irlandês cria negócio de revenda de Lego e fatura R$ 2,7 milhões em dois anos

Vendedor revela que a chave do negócio é escassez e paciência O irlandês Shane O’Farrell, 35 anos, trabalha como engenheiro, mas no seu tempo livre tem um empreendimento de compra e venda de conjuntos de Lego. O negócio começou como um hobby nostálgico. O’Farrell, que mora nos EUA, já faturou US$ 500 mil (R$ 2,7 milhões) em pouco mais de dois anos de empreendimento.
O conjunto de blocos que deu o pontapé inicial no negócio foi um Forte Legoredo, espécie de forte apache, com o qual o homem brincava na infância. O item foi comprado em 1996 por US$ 86 e hoje custa cerca de US$ 2.405. Ao ver a valorização, ele enxergou uma oportunidade de negócio.
De acordo com estudo da Universidade HSE da Rússia, os brinquedos de montar dão maior retorno do que investimentos clássicos. “Os retornos médios dos conjuntos Lego são de 10% a 11% ao ano e ainda maiores se o novo tiver sido comprado no mercado primário com desconto. Isso é mais do que ações, títulos, ouro e outros itens colecionáveis, como selos ou vinhos”, argumenta Victoria Dobrynskaya, uma das autoras do estudo e professora associada da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade HSE.
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“O tempo que me demanda é mínimo, então, posso fazer isso além do meu trabalho de tempo integral e criar uma renda complementar”, diz O’Farrell ao jornal norte-americano New York Post.
O empreendimento necessita de uma unidade de armazenamento para o estoque e atenção ao mercado de Lego. O’Farrell lê relatórios anuais de finanças e tendências publicados pela Lego. Depois, acompanha quando os conjuntos são retirados do mercado e determina um valor futuro de compra e posterior revenda.
O entusiasmo com o negócio chega ao ponto de O’Farrell compartilhar dicas para possíveis investidores em um canal do YouTube chamado Brick Bucks. Lá ele tem 22,4 mil inscritos e mais de 2,3 milhões de visualizações em seus 384 vídeos publicados.
O vendedor revela que a chave do negócio é a escassez. Ele dá como exemplo o capacete Lego Star Wars TIE Fighter Pilot. “Custava US$ 60 antes de ser tirado das prateleiras em 2021. Cerca de um ano e meio depois de ser aposentado, já estava em US$ 350. Você está falando de um retorno do investimento de 400% em um ano e meio”, afirma.
Outro segmento importante o segmento de revenda de Lego são as miniaturas de personagens que acompanham os conjuntos, como as de “O Senhor dos Anéis”. “As minifiguras do set estavam sendo vendidas por US$ 250”, conta O’Farrell.
Além da restrição de oferta, outro ponto importante é a paciência. É preciso esperar para comprar e vender no momento certo, pois o valor aumenta com o passar do tempo . “Você poderia simplesmente comprar o produto, guardá-lo em algum lugar e esperar o preço subir. A carga de trabalho é bastante baixa”, argumenta.
Outro empreendedor, David G – que oculta o seu sobrenome por conta da privacidade – compara o negócio de Lego como uma adega de vinhos, onde é preciso estar atento aos rótulos e safras disponíveis. Em paralelo com o trabalho de cinegrafista freelancer, David G já vendeu cerca de US$ 20 mil (R$ 109 mil) em seu negócio de revenda. “Você tem que comprar pelo preço certo e tem que escolher os conjuntos certos – nem todos valorizam à mesma taxa ou nem sequer valorizam”, diz.
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