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Horário de verão: o que pensam empreendedores sobre eventual retorno do recurso

Horário de verão: o que pensam empreendedores sobre eventual retorno do recurso


Caso seja aprovado, a adoção do horário de verão poderá gerar uma economia de até R$ 400 milhões, de acordo com um estudo do ONS. Serviços esperam aumento nas vendas, mas alguns setores pedem tempo para adaptação Há cerca de um mês, vem sendo discutida a possibilidade do retorno do horário de verão, ainda neste ano, como medida para ajudar na economia de energia. A ideia encontra resistência principalmente nos setores da indústria, agronegócio e aéreo. Mas, do outro lado, para empreendimentos de comércio varejista, serviços e turismo a mudança temporária nos meses mais quentes do ano é vista com bons olhos.
Segundo estimativa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com a adoção do horário de verão a expectativa é que o setor tenha um aumento de até 50% na sua receita neste período do dia, trazendo um impacto de 10% a 15% de aumento no seu faturamento mensal médio.
“O tempo de luz natural a mais no começo da noite faz com que as ruas fiquem mais atrativas, trazendo vigor para o comércio”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel. “Teremos mais recursos circulando na economia, mais geração de empregos e a sociedade como um todo sai ganhando”, acrescenta.
Lucas Muller, CEO do Sirène, rede de Fish & Chips, acredita que o retorno do horário alternativo trará novas oportunidades de negócio. Criada em 2016, a rede conta com mais de 20 unidades e pretende aumentar o horário de happy hour e criar promoções. Além disso, projetam um aumento de 50% de faturamento durante o período.
“Nós operamos três anos com o horário de verão e as mudanças eram significativas. O nosso movimento começava mais cedo e os clientes ficavam mais tempo consumindo. A nossa percepção é que as pessoas sentiam que o dia não tinha acabado”, descreve Muller.
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De acordo com Carolina Moraes, gestora de Energias Renováveis do Sebrae Nacional, como o horário de verão estende o período com luz natural à noite, muitas pessoas acabam permanecendo por mais tempo nas ruas e tendo tempo de fazer compras, conhecer novos lugares ou sair com amigos após o horário de trabalho.
Essa é uma situação que Alysson Wiinsch, dono da Pastenina, rede de lanchonetes e pastelarias de Curitiba, vem observando há um tempo. Segundo o empreendedor, as suas vendas tinham um crescimento significativo durante o horário de verão porque o curitibano tem um hábito matinal.
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“Curitiba é uma cidade pouco movimentada à noite, aqui as pessoas não costumam sair de casa ao anoitecer. Na época do horário de verão, a cidade tinha um clima mais positivo. Os parques ficam mais movimentados e o comércios principalmente os segmentos de alimentação e entretenimento recebem mais clientes para happy hour e, consequentemente, faturam mais”, defende Wiinsch.
A Associação Nacional de Restraurantes (ANR) apoia o retorno do horário de verão no Brasil. Para a entidade, a mudança pode ajudar os estabelecimentos a se recuperarem economicamente. Além disso, “com o aumento no consumo em bares e restaurantes há um impacto positivo na arrecadação de tributos e na criação de empregos”, afirma Fernando Blower, diretor Executivo da ANR, em nota enviada.
Na avaliação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o horário alternativo traz impactos positivos para os setores do comércio, dos serviços e do turismo por dois motivos: a ampliação do período de funcionamento dos estabelecimentos e pela redução de custos com o consumo de eletricidade.
“Em regiões turísticas, a medida pode potencializar a presença de visitantes, já que sobra pelo menos uma hora a mais para fazer compras, conhecer lugares e consumir serviços”, diz a entidade.
Entretanto, a federação destaca que se aprovada, a medida deve considerar um prazo maior para o ajuste das operações das empresas. “A previsibilidade é um fator de extrema importância para as companhias”, comenta.
Saiba mais
É o caso do CEO da Opera Energy, Guy Rodrigues Peixoto Neto. O empreendedor gerencia oito postos de combustíveis e, segundo ele, como o seu negócio depende de uma certa rotina, com um fluxo constante, a adoção do horário alternativo força ajustes e aumenta a complexidade operacional.
“Normalmente, o fluxo nos postos de combustíveis é maior no início da noite, antes de chegar em casa, mas com o horário de verão, como ainda há luz, muitos clientes adiam o abastecimento. Com a mudança do horário de pico, temos uma mudança de agenda e eu vou precisar reprogramar turnos e fazer ajustes no estoque para atender ao novo período de maior demanda”, afirma o empreendedor.
Para as companhias aéreas, a adoção de um novo horário traz prejuízos para os voos programados para os próximos meses. Caso seja aprovado, o setor pede um prazo mínimo de 180 dias para a implementação da mudança do horário.
“A entrada súbita do horário de verão causará, por parte das empresas aéreas brasileiras, alterações de horários em cidades nacionais e internacionais que não aderem à nova hora legal de Brasília. Isso mudará a hora de saída/chegada dos voos, podendo gerar a perda do embarque pelos clientes por apresentação tardia e eventual perda de conectividade”, disse o setor por meio de uma nota conjunta divulgada no final de setembro.
Afinal, o horário de verão vai voltar?
Criado em 1931, no governo de Getúlio Vargas (1882-1954), o horário de verão prevê que os relógios sejam adiantados em uma hora. A medida passou a ser anual em 1985, no governo de José Sarney e foi extinta em 2019, por um decreto assinado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Na época, o governo afirmou que a medida já não estava surtindo a economia desejada.
A discussão foi retomada, em setembro, após o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recomendar o horário especial como medida para diminuir o estresse energético ocasionado pela crise hídrica que a região Norte do país vem enfrentando — esta é a pior seca dos últimos 74 anos, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.
Caso seja aprovado, a adoção do horário de verão poderá gerar uma economia de até R$ 400 milhões, de acordo com um estudo da ONS. Isso porque a medida evitaria o acionamento de usinas térmicas, que tem um alto custo, e utilizaria mais fontes de energia solar e eólica.
Se aprovado, porém, ele não será implementado no Brasil todo, somente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.
Até o momento nenhuma decisão foi tomada, mas de acordo com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governo vem discutindo a adoção do horário de verão ainda neste ano e se aprovado, o início da vigência será 20 dias após decreto.
“É um tema absolutamente transversal, e não se pode decidir olhando apenas para um lado. O horário de verão é uma política global de economia de energia, mas só tomaremos essa decisão quando ficar claro de que sua adoção é imprescindível para o país nesse momento”, comentou Silveira em nota divulgada pela pasta.
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