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Greve de entregadores reduz pedidos em restaurantes que usam plataformas, mas entregas próprias sobem até 50%

Greve de entregadores reduz pedidos em restaurantes que usam plataformas, mas entregas próprias sobem até 50%


Paralisação começou ontem em todo o país. Categoria reivindica melhores condições de trabalho No primeiro dia da greve nacional dos entregadores de aplicativos, como iFood e Rappi, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel/SP) estima que as entregas via delivery tenham caído 100% entre os empresários que dependem exclusivamente dessas plataformas.
Restaurantes que operam em mais de uma plataforma sentiram impacto menor, mas ainda relevante, com queda no volume de pedidos entre 70% e 80%, considerando a demanda de uma segunda-feira comum.
Já os estabelecimentos que entregam seus próprios pedidos, sem demandar entregadores de plataformas, registraram aumento de até 50% na demanda. O iFood, por exemplo, diz que 60% dos pedidos na plataforma são entregues pelos restaurantes.
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A greve, batizada de “Breque Nacional dos Apps”, foi iniciada ontem por entregadores de plataformas como iFood, Uber e 99Taxi.
O movimento reivindica um pagamento mínimo de R$ 10 por entrega, reajuste no valor pago por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50, limitação do raio de atuação das bicicletas para até três quilômetros e a garantia de valor integral para corridas agrupadas.
O sindicato dos Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas de São Paulo (SindimotoSP) disse que a greve foi a forma encontrada de chamar a atenção do poder público para problemas recorrentes da categoria, como abandono das empresas em caso de acidentes.
“O SindimotoSP, assim como a categoria, sente total abandono do governo federal e empenho em resolver a situação. São dois anos de mandato do presidente Lula e do ministro Luís Marinho que se comprometeram em acabar com a precarização do setor, mas, até aqui nada, pelo contrário, as empresas é que ditam normas e regras”, disse a entidade em nota.
O sindicato disse ainda haver uma “geração inteira de trabalhadores morrendo nas ruas ou ficando com sequelas físicas irreversíveis, passando fome ou tendo suas motocicletas apreendidas” porque não conseguem comprar itens de segurança, como capacetes, ou regularizar documentos.
Já Nicolas Santos, integrante do Comando Nacional do Breque e da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativos — que está entre os organizadores do movimento — explica que as condições de trabalho atuais aumentam a jornada e impactam a qualidade do trabalho dos entregadores.
— Para atingir a mesma meta que eu conseguia alcançar há 10 anos, agora preciso trabalhar de 12 a 13 horas para compensar o valor que se perdeu ao longo do tempo. Quando não conseguimos atingir a meta, ocorre a falta de manutenção adequada dos veículos, pois damos preferência para pagar as contas, por exemplo — afirma Santos.
Sem informar quantos entregadores aderiram ao movimento, Santos disse que a paralisação ocorre em todo o país e é organizada por lideranças da categoria.
O que dizem as empresas
Procurada, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Ifood, 99 Táxi e Uber, informou que suas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores. 
A entidade mencionou levantamento recente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que mostrou que a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada.   
“As empresas associadas da Amobitec apoiam a regulação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e segurança jurídica das atividades”, disse em nota.
Já o IFood disse dialogar com os entregadores parceiros e representantes da categoria. “Estamos atentos ao cenário econômico e estudando a viabilidade de um reajuste para 2025”, disse a companhia.
Segundo o IFood, o ganho bruto por hora trabalhada no iFood é quatro vezes maior do que o ganho do salário mínimo para o mesmo período de tempo.
A empresa também disse que todos os entregadores da plataforma têm acesso a seguro pessoal gratuito para casos de acidentes, planos de saúde, programas de educação, além de apoio jurídico e psicológico para casos de discriminação, assédio ou agressão sofridos.
Uber e 99 Táxi, procurados, responderam que se posicionariam por meio da Amobitec. A Rappi disse que se responderiam por meio da nota emitida pelo Movimento Inovação Digital (MID), que reúne mais de 180 empresas.
Segundo o comunicado do MID, a entidade e suas associadas vêm participando ativamente das discussões sobre as condições de trabalho dos entregadores. “O MID permanece à disposição para contribuir com a construção de soluções equilibradas, que promovam dignidade aos trabalhadores e preservem a inovação e os benefícios gerados pela economia digital no país”, diz a nota.

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