Funcionários de farmácia do MT viralizam com vídeos bem-humorados: ‘Já viu o preço do leite Nan?’
Participação do gerente Pablo Athayde e do balconista Diego Moreira nos posts alavancou número de seguidores nos perfis do estabelecimento e atraiu clientes até de outras cidades O gerente e farmacêutico Pablo Athayde, 35, e o balconista Diego Moreira, 31, que trabalham juntos há um ano na Farmácia Economize, localizada na cidade de Cáceres, no Mato Grosso, resolveram participar da gravação de vídeos da empresa, mas não esperavam que alcançariam milhares de visualizações nas rede sociais. O último conteúdo viral da dupla, publicado no dia 24 de março, já soma 7,4 milhões de visualizações no TikTok.
Nos vídeos, os funcionários costumam utilizar músicas virais para interpretar personagens e promover os produtos vendidos no estabelecimento, além de seguir trends difundidas nas plataformas. Em uma das produções, por exemplo, eles aparecem ao som da música “Mãe solteira”, do cantor J. Eskine com participação de DG e Batidão Stronda, MC Davi e MC G15. A partir de uma abordagem bem-humorada, a dupla se baseia na letra da música para mostrar itens como leite em pó, teste de gravidez, pílula do dia seguinte, entre outros.
A publicação rendeu milhares de comentários e divertiu os usuários. “Gente, não existe um marketing melhor que os dois”, escreveu uma pessoa. “Preciso encontrar essa farmácia só por causa deles”, declarou outra.
De acordo com Athayde, a parceria da dupla nos vídeos começou em janeiro deste ano após convite do marketing da empresa. Ele conta que a ideia era transmitir a sintonia dos dois em conteúdos bem-humorados para o Instagram e TikTok. Por sinal, o primeiro sucesso deles é o vídeo da música “Tu Xera”, de Wesley Safadão e Marcynho Sensação, que atingiu 8,9 milhões de visualizações e 788.3 mil comentários.
“Tudo começou como uma brincadeira depois de o Lucas [Farias, funcionário de marketing] ter nos chamado para participar dos vídeos. Fizemos alguns voltados para a área da farmácia, como que o gerente e o balconista se tratam, tudo na comédia mesmo. Fomos pegando gosto aos poucos porque a gente não postava nem foto nas redes sociais. E nem tínhamos essa intenção de viralizar desse jeito”, relata.
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Sem mensurar o impacto dos virais na receita da farmácia, o gerente ressalta que observou um aumento das vendas do estabelecimento, que faturou R$ 1,2 milhão em março. Ele diz que a farmácia tem recebido até clientes de outras localidades do estado. Na última semana, um deles ainda pediu foto com a dupla durante as compras no estabelecimento.
Diante da repercussão dos posts, o balconista também destaca que os vídeos causaram uma comoção nos clientes, que costumam fazer sugestões e pedir novos vídeos da dupla. “Os clientes começaram a pedir muitos vídeo para nós. Foi uma forma de alcançar mais visibilidade, pois moramos em uma cidade pequena. Para ter noção, Cáceres só tem 91 mil habitantes”, conta.
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Segundo ele, o sucesso dos vídeos chamou atenção de outros negócios vizinhos. Com isso, a farmácia avalia possíveis parcerias tanto com os clientes quanto com as empresas interessadas. “Creio que futuramente vamos acabar gravando com alguns clientes. Até a loja vizinha quer gravar com a gente para juntar o marketing deles com o nosso”, afirma.
Moreira ainda reforça que o tom de humor presente nos vídeos é uma forma de mudar a ideia de que a farmácia é apenas um lugar voltado para a venda de medicamentos. “Tem aquela visão de que na farmácia só vem pessoas tristes, doentes. Estamos tentando fazer isso para que os clientes se sintam mais à vontade, que possam conversar e rir com a gente”, frisa.
Para a rotina de gravação, a dupla conta com o auxílio de outros funcionários. Eles fazem as filmagens durante o expediente para aproveitar o horário de funcionamento da farmácia. Contudo, o balconista lembra que já precisou pausar a atuação por conta da reação dos clientes. “Tive que tirar o laço da cabeça porque os clientes chegaram, eu precisava fazer o atendimento de forma séria e eles não paravam de rir.”
Antes da participação da dupla, os conteúdos eram gravados com outros funcionários da farmácia, especialmente com o funcionário de marketing Lucas Farias, que aparecia nos vídeos. No entanto, a interação entre o gerente e o balconista impulsionaram o alcance dos perfis da empresa. Desde o primeiro vídeo viral em fevereiro, o número de seguidores passou de pouco mais de 4 mil para 58,2 mil no TikTok e 6 mil para 31,3 mil no Instagram da empresa.
“Tivemos um aumento muito bom de seguidores em relação ao que nós postamos antes. A produção de conteúdo não só elevou os seguidores, mas também trouxe mais clientes para a loja”, reitera.
Empresa pode gravar vídeos dos funcionários para as redes sociais?
De acordo com o professor de Direito da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, Paulo Renato Fernandes, a produção de conteúdo entre funcionários das empresas tem ocorrido frequentemente por conta do alcance das redes sociais. No entanto, o especialista explica que os empregadores devem regularizar a situação. Ou seja, os trabalhadores devem autorizar a prática por meio da cessão dos direitos de uso de imagem.
“Isso é muito comum, hoje em dia, de os empregados quererem participar da divulgação da empresa, às vezes até ganham para isso. Então, a empresa precisa ter cautela e obter o documento assinado pelo funcionário que a proteja e regulamente essa situação”, pontua.
Por fim, ele reitera que o empregador deve respeitar a privacidade e prezar pela segurança do funcionário. Isso porque, caso o colaborador se sinta assediado a gravar conteúdos, a empresa pode sofrer consequências jurídicas. “A empresa não tem como obrigá-lo a fazer propaganda para ela, a não ser que ele tenha sido contratado para isso”, acrescenta.