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Fomento a novos negócios vira tema de campanha em SP

Fomento a novos negócios vira tema de campanha em SP


Na capital paulista, as micro e pequenas empresas responderam por 55% dos postos de trabalho formais criados na cidade no primeiro semestre Os desafios para os prefeitos de grandes cidades são abundantes e crescentes. Soluções para as questões de trânsito, saúde, educação, transporte público, enchentes, habitação e segurança costumam estar no topo das atribuições de quem administra um município ou pretende chegar lá. Na corrida municipal deste ano o estímulo ao empreendedorismo surgiu como tema de campanhas, sobretudo em São Paulo. E motivou a série de reportagens feitas em parceria com a “PEGN”, iniciada nesta edição. Na capital paulista, as micro e pequenas empresas responderam por 55% dos postos de trabalho formais criados na cidade no primeiro semestre deste ano, de acordo com o Sebrae.
Dois postulantes apresentam-se como empreendedores entre os mais bem colocados nas pesquisas para a Prefeitura de São Paulo: Pablo Marçal (PRTB) e Ricardo Nunes (MDB). O verbo “empreender” e suas variantes aparecem 19 vezes no caderno de propostas de Marçal, que detalha os principais compromissos para os pequenos negócios. Em seguida aparece a candidata do PSB, Tabata Amaral, com 17 menções. Nunes, atual prefeito, fala 15 vezes de empreendedorismo em seu programa, contra 8 da candidata do Novo, Marina Helena. Guilherme Boulos, do Psol, faz cinco citações, enquanto José Luiz Datena, do PSDB, ignora o tema (Leia mais aqui).
Mas, afinal, do que os candidatos estão falando quando se referem ao empreendedorismo? O Global Entrepreneurship Monitor (GEM) define “empreender” como “qualquer tentativa de criação (assim como a criação efetiva) de um novo negócio, ter um negócio, formal ou informal, individualmente ou não, como autônomo ou como empresa; ou ainda expandir um empreendimento já existente”.
Com a entrada do termo no vocabulário político-eleitoral, Nelson Hervey Costa, diretor-superintendente do Sebrae-SP, explica como as políticas públicas nessa esfera podem impulsionar o empreendedorismo. Costa observa que a compra pública é uma ferramenta poderosa de que as prefeituras dispõem para apoiar os empreendedores.
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Uma das novidades para as eleições deste ano é o reforço à importância do fomento à criação de ecossistemas inovadores nas cidades. Costa também diz que muitas startups podem oferecer soluções úteis para as gestões municipais, desde ferramentas para mapear áreas de recapeamento até a organização de filas no sistema de saúde.
O perfil mais recente do empreendedor no Brasil foi traçado pela pesquisa GEM 2023, conduzida pela Associação Nacional de Estudos e Pesquisas em Empreendedorismo (Anegepe), em parceria com o Sebrae. Homem preto ou pardo, de 35 a 44 anos, com ensino médio completo e renda mensal entre 3 e 6 salários mínimos. Este é o retrato mais presente, embora não hegemônico, entre os 42,2 milhões de empreendedores de negócios de todos os tamanhos.
As proporções de homens e mulheres à frente de negócios iniciais (com até 3,5 anos de operação) oscilaram ao longo dos anos. De 2020 para cá, contudo, houve uma queda nos negócios femininos que estão começando no mercado. Em 2019, a divisão era igualitária; quatro anos depois, os homens chegaram a 59,8%, e as mulheres, a 40,2%. Considerando todas as empresas atuais, os homens são 61,7%, e as mulheres, 38,3%.
Veja no gráfico abaixo:

“A queda coincide com a pandemia. As mulheres tiveram de se dedicar mais aos cuidados das famílias em casa e deixaram de lado seus negócios”, analisa Simara Greco, coordenadora do GEM Brasil. “Elas assumiram a dupla jornada, inclusive cuidando de pessoas doentes e que ainda sofrem com sequelas [da covid-19]. Isso também respinga nas oportunidades de trabalho e impacta o empreendedorismo”, complementa Luciana Padovez Cualheta, professora de empreendedorismo da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp).
Há, no entanto, ao menos dois dados positivos: o empreendedorismo por oportunidade, aquele aberto quando a pessoa identifica uma chance de ganhar dinheiro no mercado, passou de 49,6% em 2020 para 61,4% no ano passado. Além disso, a curva de empreendimentos estabelecidos está em alta: em 2023, chegou a 11,9%, no terceiro ano consecutivo de expansão.
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“Mostra que as pessoas estão olhando o cliente como uma oportunidade, e não apenas reagindo ao desemprego ou à baixa condição socioeconômica”, afirma Greco. “Se considerarmos o desenvolvimento econômico nacional, o empreendedorismo por necessidade não gera grandes impactos – garante no máximo a sobrevivência da própria família. O empreendedor por oportunidade tende a inovar e gerar mais empregos e renda para a comunidade.”
Os setores de preferência para empreender são alimentação e estética, higiene e perfumaria. “Esses negócios têm alta demanda e exigem pouca qualificação se comparados a outros segmentos. Empreendedores com baixa escolaridade e renda, que representam boa parte da população, buscam essas áreas. No grupo com ganhos de mais de 3,5 salários mínimos, identificamos empreendimentos mais sofisticados, como construção, comunicação, computação e jurídico”, analisa Greco.
Se, por um lado, no setor de alimentação há iniciativas complexas, como restaurantes com processos bem implantados e chefs renomados, por outro existe o indivíduo que começa a preparar doces ou marmitas dentro de casa. “A pessoa vende aquilo que já faz no seu dia a dia, sem ter formação na área”, aponta Greco.
Da mesma maneira, no setor de beleza, muitas pessoas já fazem a própria unha e o cabelo ou podem se qualificar rapidamente e prestar esse tipo de serviço. O segmento é uma aposta do público feminino: a maioria se concentra em apenas seis atividades econômicas, sendo 23,5% em estética, beleza, higiene e perfumaria.
Aumento dos custos (insumos, mercadorias, combustíveis, aluguel e energia) é a maior dificuldade para os empreendedores, segundo a pesquisa Pulso Pequenos Negócios 2024, do Sebrae. Em seguida, está a falta de clientes, citada por 24%. Dívidas com empréstimos, em terceiroº lugar, é um desafio para 10% dos respondentes.
“Hoje existem boas iniciativas de educação ou para financiar empreendedores, mas falta conhecimento da pessoa para entender a importância de aprender sobre capital de giro, por exemplo”, aponta Dariane Fraga, professora da FIA Business School. “Se o poder público oferecesse mentoria gratuita, de forma mais próxima aos empreendedores, ajudaria muitos negócios a não quebrar.”
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