Filho deixa oficina mecânica para continuar legado do pai com carrinho de pipoca

Luiz da Silva começou a vender pipocas em 1980, em frente à Universidade de São Paulo (USP). Hoje, quem cuida do negócio familiar é Eduardo Vieira Foi por meio de um carrinho de pipocas que um negócio familiar surgiu. Ativo há mais de 40 anos, o empreendimento começou em 1980, quando o pernambucano Luiz da Silva passou a vender pipocas doces e salgadas na Universidade de São Paulo (USP). Em 2017, após o patriarca descobrir um câncer, o filho, Eduardo Vieira, 44 anos, deixou sua própria oficina mecânica para dar continuidade ao legado.
Segundo Vieira, seu pai fazia muito sucesso na Cidade Universitária. Lá, conquistou a clientela com pipocas com queijo provolone e essência de coco. Seu Luiz vendeu ativamente na USP, inclusive aos finais de semana, de 1980 a 1994. Até que uma reestruturação interna da instituição de ensino o impediu de tocar seu negócio aos sábados e domingos. Foi quando passou a vender às quartas, quintas e sextas-feiras na universidade, e nos demais dias em frente ao Parque Villa-Lobos, também na zona oeste da capital paulista.
Seu Luiz vendeu suas pipocas nos dois lugares até 2012, quando uma nova licitação o impediu de continuar. A partir desse momento, Vieira sugeriu que seu pai seguisse o negócio em frente à sua oficina mecânica, situada no bairro Jaguaré, em São Paulo (SP). De início, o patriarca ficou relutante com a sugestão, mas logo aceitou a proposta e conquistou o público do bairro.
Seu Luiz começou a vender pipocas em 1980. O filho tomou passou a comandar o negócio após o falecimento do patriarca
Arquivo pessoal
Cinco anos depois, Seu Luiz foi diagnosticado com um câncer muito agressivo. “Eu resolvi entrar no mundo da pipoca após saber da doença do meu pai. Quando ele descobriu o câncer, toda a família achou que seria uma coisa pequena, então, eu fui cuidar do negócio dele, mesmo tendo uma oficina mecânica. Quando ele se recuperasse, poderia retomar o carrinho de pipoca, que era sua grande paixão”, explica Vieira.
Após um ano de tratamento, em 2018, Seu Luiz faleceu, aos 71 anos. “Em um ano tomando conta do carrinho de pipocas, eu senti o legado do meu pai. Decidi deixar a minha oficina mecânica com o meu irmão e me dedicar às pipocas”, reforça. Hoje, Vieira conta também com o apoio da esposa, Cintia Pereira, 40 anos, para tocar o negócio.
Com o decorrer dos anos, o casal implementou novos sabores de pipocas ao cardápio. “Ao todo, temos 15 sabores, ela faz as pipocas gourmets e eu as tradicionais que o meu pai fazia: a salgada, de queijo provolone, e a doce, com essência de coco”, diz.
Seu Luiz e o filho, Eduardo Vieira
Arquivo pessoal
O faturamento mensal é de R$ 6 mil. E até o final deste ano, Vieira pretende inaugurar um salão, para que as pessoas possam se sentar e comer pipocas acompanhadas por algum aperitivo ou bebida. O espaço já está em fase final de reforma.
“O carrinho de pipocas continuará em frente ao salão. Depois da morte do meu pai, eu comecei a trabalhar com a pipoca para recuperar uma clientela que estava perdida e continuar a história dele. Há dois anos comecei a ter uma visão diferente do negócio. O salão é um espaço só para deixar as pessoas mais confortáveis. Minha esperança é continuar vendendo pipoca como meu pai fez durante a vida toda”, encerra.
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