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Festa de Iemanjá movimenta faturamento de pequenos empreendedores em Salvador


Celebração completa 103 anos e acontece neste domingo, 2 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho As rosas brancas e amarelas dão o tom de uma das festas populares mais importantes de Salvador, na Bahia: a Festa de Iemanjá, que completa 103 anos. A celebração acontece neste domingo, 2 de fevereiro, e reúne não apenas devotos e turistas com homenagens e oferendas à Rainha do Mar, mas empreendedores que aproveitam a data para aumentar o faturamento e fortalecer seus negócios.
Por ser em um fim de semana, a expectativa é que a festa supere a edição anterior, que reuniu mais de 1 milhão de pessoas. O evento é organizado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Empresa Salvador Turismo (Saltur), e a Colônia de Pesca Z1, no Rio Vermelho. Neste ano, o tema é “Renascer com as Águas de Yemanjá”.
Hotéis e restaurantes têm promovido programações temáticas ao longo dos últimos dias. Mas, além dos negócios diretamente ligados ao turismo, em meio ao simbolismo da data, a entrega de rosas é um dos pontos altos da festa e gera o aumento da demanda pelo item nas floriculturas da capital baiana. De acordo com o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas), a projeção é que o setor tenha um incremento acima de 10% no volume de vendas em relação ao ano passado.
“A Festa de Iemanjá traz uma expectativa positiva para o setor de floriculturas. É uma data em que, de fato, as pessoas poderão fazer essa homenagem com flores. Isso significa um crescimento excepcional nas vendas nesse período”, comenta o presidente da entidade, Paulo Motta.
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Para contemplar a demanda, a empreendedora Mirla Santana, que é proprietária da Mirla Flores, conta que resolveu dobrar o estoque de rosas brancas por causa da Festa de Iemanjá. “Sempre são as rosas brancas, é o que mais tem saída na floricultura. E costumo dobrar a quantidade que eu pego semanalmente. Desta vez, comprei 100 pacotes para a semana”, afirma.
Na Mirla Flores, cada rosa branca custa R$ 7, mas ainda há oferta de buquês e arranjos especiais que podem ser montados a pedido do cliente. A expectativa da empreendedora é que o faturamento seja acima de 40% nas vendas.
“Temos uma demanda maior nos dias 1 e 2 de fevereiro. E uma clientela de alguns anos já, pessoas que vêm, inclusive, do Rio de Janeiro, que deixam pedidos fixos. Aí fazemos o envio para eles no Rio Vermelho”, diz.
Devotos levam flores como forma de presentear a divindade
Joa Souza/GettyImages
Assim como Santana, o proprietário da Acácia Flores, Eiji Kuwano também ampliou a oferta de flores e aumentou a quantidade de rosas brancas. “Geralmente, a gente vende uns dez pacotes de rosa. Mas, para a Festa de Iemanjá, eu já separei 50”, relata. Ele conta que um pacote com 20 rosas brancas sai a R$ 110.
As floriculturas também investem em contratações temporárias para melhorar o atendimento e experiência dos clientes. É o caso da Ikebana Floricultura, que está localizada no mesmo bairro da festa e registra um movimento elevado no período. Segundo o gerente Caio Soledade, a empresa projeta um aumento de 300% no faturamento, considerando a proximidade da loja e a praia onde é feita a entrega das flores. Ele acredita que a loja deva vender entre 6 mil e 7 mil rosas durante a programação, cada uma entre R$ 5 e R$ 7. Para atender a essa demanda, ele deve trazer reforços.
“A gente investe para contemplar a demanda dessa grande festa cultural que a Bahia nos proporciona. E jogar flores no mar é um requisito básico, sem falar que é biodegradável e não polui. É algo que respeitamos e participamos com muito carinho com a venda dos nossos produtos. E o mais importante é ter rosa para todo mundo, não deixar o cliente na mão”, ressalta ele, reforçando a oferta de rosas naturais e sem corantes.
Devotos e turistas lotam areia da praia no Rio Vermelho, na capital baiana
Wirestock/GettyImages
Além das floriculturas, a data também movimenta outros setores. Neste ano, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) credenciou 715 ambulantes que vão atuar no Rio Vermelho. Desse total, foram incluídos 600 isopores para venda de bebidas, 30 tabuleiros de baianas de acarajé, 80 carrinhos diversos e cinco food trucks. No ano passado, 602 vendedores receberam licença para trabalhar na festa. O cadastro foi realizado de forma 100% online, entre 21 de setembro e 10 de outubro de 2024.
Credenciada pela Semop, a vendedora Camila Dias trabalha há mais de nove anos nas festas da capital baiana. Ela considera que a Festa de Iemanjá tende a aumentar seu faturamento com as vendas de bebidas, como água, cerveja e refrigerante. Ela conta que fez um investimento de R$ 400 por dia. Isso porque já começou a atuar no evento na última sexta-feira (31/1). “No ano passado, eu amei trabalhar lá, achei a energia contagiante. Espero que as vendas sejam melhores neste ano”, diz.
A vendedora ambulante Alaide Almeida afirma que “já perdeu as contas” de quantas vezes trabalhou na festa. Ela ainda declara que é uma admiradora da cultura e fé presente na data. “Já trabalho há mais de 40 anos, comecei muito cedo com minha mãe. E vendo de tudo: cerveja, refrigerante, água. Eu gosto de trabalhar e observar a festa ao mesmo tempo”, diz.
História
A Festa de Iemanjá é uma tradicional celebração que acontece todo dia 2 de fevereiro no Rio Vermelho, em Salvador. Com início em 1923, a tradição partiu da iniciativa de pescadores da capital baiana, que resolveram presentear a divindade das águas na esperança de que ela pudesse resolver a escassez de peixes. Ao longo dos anos, a entrega de presentes se popularizou e se estendeu para demais devotos e adeptos de religiões de matriz africana.
Com pesquisas nas áreas de Antropologia da Festa e das Religiões, a jornalista e doutora Cleidiana Ramos, destaca a representatividade e importância dos pescadores na manutenção da tradição por mais de um século, além do impacto para a cultura e economia da Bahia e do Brasil.
“Eles dão uma lição e um presente para todo o país com essa festa cheia de camadas e de uma diversidade cultural impressionante. A devoção dos pescadores é o centro. Já aconteceu tanta polêmica e perseguição ao longo da história, mas eles continuam firmes. A festa existe por conta da teimosia e resistência dos pescadores”, pontua.
Quanto ao gesto de presentear com flores, a especialista aponta que a iniciativa tem relação com o desejo de agradecer e homenagear a divindade de origem iorubá, que é associada às águas e é a mãe de todos os orixás; além da tradição nas religiões de matriz africana, como o candomblé.
“A gente lembra que sempre é melhor optar por algo biodegradável. E o presente dos pescadores é feito por um especialista religioso, ou seja, é uma ialorixá, um babalorixá. A alta autoridade do terreiro que fica responsável pelo presente e há a grande preocupação de não poluir o mar.”
Saiba mais:
Programação da Festa de Iemanjá
A programação, que é repleta de simbolismo para as religiões de matriz africana, começou no dia 1º de janeiro, às 0h, com a entrega do presente de Oxum no Dique do Tororó. O presente saiu do Terreiro Olufanjá – Ilê Axé Iyá Olufandê, no bairro do Beiru, às 23h20.
Já no dia 2, o presente principal de Iemanjá sairá às 4h30 também do Terreiro Olufanjá – Ilê Axê Iyà Olufandê e tem previsão de chegada às 5h na Colônia de Pesca Z1, momento em que haverá a tradicional alvorada de fogos. O presente principal permanecerá no caramanchão até às 16h, local onde as pessoas também deixam os seus presentes para a organização em grandes balaios e posterior entrega no mar.
Às 16h, o presente principal será levado pelos pescadores para a embarcação e seguirá pelo mar até o Buraco de Iaiá, ponto em formato de concha situado a 3 milhas náuticas da terra.
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