Este empreendedor já transformou 3,5 toneladas de plástico em objetos e itens de decoração
O estúdio Arte 8, com sede em Cotia, São Paulo oferece produtos que vão de chaveiros a móveis. A empresa faturou R$ 169 mil em 2023 Encontrar um destino mais adequado para o plástico é o objetivo de Felipe Cazé, empreendedor por trás do estúdio Arte 8, com sede em Cotia, São Paulo. “Acredito na necessidade de um olhar diferente sobre o plástico. É um material que não mofa, é impermeável e fácil de ser limpo. Só tem de ser utilizado de uma maneira inteligente”, afirma. Desde o início de 2021, a empresa já reaproveitou mais de 3,5 toneladas do material para criar objetos como chaveiros, móveis, utensílios e itens de decoração.
O empreendedor também desenvolve placas que podem ser usadas como mesas e bancadas — uma de 80 cm x 80 cm, com 15 mm de espessura, sai por R$ 450. “Muitos arquitetos e designers me procuram para fazermos projetos juntos”, relata. Uma das parcerias que fez foi com a empresa Novidário Design, na criação de móveis que foram expostos na feira SP-Arte, em abril deste ano.
Os preços variam. Enquanto um banquinho é vendido por R$ 380, brindes corporativos, como chaveiros e porta-copos, saem entre R$ 10 e R$ 20 a unidade. Os produtos são vendidos especialmente pela página no Instagram e pelo site.
Outra frente do negócio é a educação, em que Cazé oferece cursos sobre como trabalhar com o material e gerar renda. No ano passado, a empresa faturou R$ 169 mil.
Arte 8: produtos são feitos de plástico reciclados
Divulgação
O empreendedor de 32 anos conta que, durante o curso de Biologia Marinha na cidade de São Francisco de Sul (SC), participava de projetos de monitoramento de praias e limpeza da praia. “Eu era responsável por analisar os animais marinhos que encalhavam na faixa de areia e entender qual era o motivo da morte”, diz Cazé. “Muitos morriam sufocados ou porque comiam plásticos, acreditavam que estavam saciados e, então, morriam por desnutrição.”
Em 2017, um colega comentou que estava derretendo plásticos retirados das praias para fazer chaveiros. Foi quando ele conheceu o projeto Precious Plastic, uma plataforma global que ensina a trabalhar com plástico reciclado e a criar máquinas para manejá-lo.
No ano seguinte, Cazé se mudou para Portugal com a esposa. Começou, então, a coletar materiais nas praias e a fabricar chaveiros. Para reciclar, ele derretia o plástico em uma forma retangular e depois deixava secar. Então, cortava em pequenos retângulos, fazia furos na lateral e colocava argolas. O empreendedor vendia por conta e fazia parcerias com hostels locais para vender os itens nos estabelecimentos.
Quando conseguiu um emprego em uma carpintaria, percebeu que as placas de plástico tinham um manejo similar à madeira. “Fiquei muito entusiasmado de ver que existiam diversas possibilidades de trabalho”, afirma.
Saiba mais
A atividade continuou quando o empreendedor se mudou para Cabo Verde, no continente africano, no final de 2019. “O turista, que é um agente poluidor, tinha a chance de comprar um brinde local que o ajudava a levar o lixo embora, em seu bolso”, afirma. O empreendedor passou a também oferecer workshops ensinando técnicas para reciclar plásticos e ter uma fonte de renda.
De volta ao Brasil, em outubro de 2020, seguiu em frente com o projeto em sua própria casa, e iniciou a divulgação em sua página no Instagram. “Tinha dinheiro guardado e comprei algumas máquinas para fazer uma oficina”, afirma. Membros da família Schurmann, conhecida por realizar expedições de veleiro, foram alguns dos primeiros clientes. “Eles pediram brindes corporativos. A ideia era entregar os chaveiros feitos de plástico reciclável em um evento no dia de partida do veleiro.”
Inicialmente, o empreendedor recolhia plásticos nas ruas ou pedia doações. “A informação começou a se espalhar, e chegou a um momento em que eu estava recebendo muito material que não dava para ser reaproveitado. Em um mês, a minha casa estava insalubre até para trabalhar”, diz. “Agradeci as pessoas, mas disse que a partir daquele momento só aceitaria tampinhas de garrafa.”
Conforme o negócio foi crescendo, o empreendedor passou a comprar o material de organizações que recolhem as tampas para ajudar em causas sociais. “Hoje, 90% do meu estoque vem de ONGs”, diz.
Banquinho da Arte 8
Divulgação
O empreendedor também começou a produzir móveis. “Foi muito espontâneo. Enquanto vendia os chaveiros, testava maneiras de criar mobílias de plástico reciclado. Primeiro fiz banquinhos pequenos e doava para pessoas próximas. Fui melhorando ao longo do tempo para poder vender“, relata.
Cazé tem planos de aumentar sua produção, mas não de maneira industrial. “Atualmente tenho uma funcionária e quero contratar mais pessoas para poder me dedicar mais à criação. Não penso em ter uma indústria porque não me identifico com esse modelo escalável para baratear tudo. Gosto de projetar e fazer coisas com mais qualidade”, diz. A expectativa é faturar R$ 300 mil neste ano.
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da PEGN? É só clicar aqui e assinar