Este é o truque mental usado por atletas como Neymar para atingir o desempenho máximo, segundo a neurociência

Esportistas de elite desligam boa parte do cérebro enquanto competem. Veja como usar a tática no dia a dia Você já se perguntou o que se passa dentro da cabeça de um atleta olímpico em um momento de alta tensão? Ao contrário do que se possa imaginar, a neurociência diz que grandes realizadores nos esportes colocam suas mentes em modo de piloto automático. Assim, eles entram no fluxo e atingem seu desempenho máximo. E, segundo os especialistas, todos nós podemos fazer algo semelhante para dar o nosso melhor também.
Uma equipe de cientistas comparou exames cerebrais jogador de futebol Neymar Jr. com os de atletas de nível inferior e descobriram que o atleta tem uma mente muito mais tranquila. Segundo Michael John O’Keeffe, pesquisador de treinamento esportivo na Universidade de Queensland, Neymar usa 90% menos de sua capacidade cerebral em comparação a um grupo de jogadores espanhóis da segunda divisão. “Em termos simples, era como se seu cérebro estivesse no piloto automático em comparação aos atletas de nível inferior”, diz O’Keeffe, em entrevista ao The Conversation.
No caso da ginasta Simone Biles, quando se afastou do esporte temporariamente, ocorria o oposto. Segundo o psicólogo de Harvard Michael Hollander, é como se o corpo da ginasta dissesse: “Há perigo”. “De certa forma, você pode pensar nisso como se agora tivesse duas tarefas. Uma é administrar o perigo que está em sua mente, e a outra é fazer seu giro triplo no tapete. E tentar fazer duas coisas ao mesmo tempo raramente, raramente funciona”, afirma ao The Harvard Gazette.
Atletas de elite realmente precisam desligar a maior parte de seus cérebros enquanto competem — e é possível adaptar essa mentalidade para o dia a dia — mesmo que você não esteja concorrendo a uma medalha durante Paris 2024, diz Jessica Stillman, escritora e colunista do Inc.
Um estudo feito com músicos de jazz mais e menos experientes revela que entrar em um “estado de fluxo”, similar ao relatado por atletas olímpicos, é basicamente um processo de duas partes.
A primeira é ganhar experiência praticando a tarefa. A ideia é desenvolver uma rede cerebral especializada para executar essa atividade. A outra é liberar o controle consciente para que esta rede possa assumir e comandar no piloto automático, sem que o indivíduo pense demais no que está fazendo.
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O ingrediente-chave do fluxo é a consciência de seus próprios pensamentos, segundo a publicação na Scientific American. “Atingir esse estado mental depende de aprender quando parar de pensar demais e deixar sua expertise assumir o controle”, escrevem os cientistas.
A lição é paciência e consciência. “Se você não consegue entrar no fluxo quando está aprendendo uma nova habilidade difícil, vá com calma consigo mesmo. Isso é natural. Você está, na verdade, reconectando seu cérebro, e isso leva tempo”, aconselha Stillman.
