Empresário transforma ‘cidade fantasma’ em destino turístico no Amapá

Wirley Almeida impulsionou ecoturismo na cidade de Serra do Navio e já recebeu quase 4 mil visitantes em quatro anos O empreendedor Wirley Almeida, viu sua cidade natal, Serra do Navio, no Amapá, perder sua principal fonte de renda após a saída de uma fábrica de manganês em1998. Em um cenário de escassez e êxodo, ele se tornou “mateiro”, guiando amigos e pesquisadores de forma espontânea por trilhas que poucos conheciam na região.
“Houve uma grande fuga das pessoas daqui indo pra cidade grande procurar emprego. Então, a gente sempre escutou isso: ‘Serra do Navio é uma cidade fantasma’. Isso deixava a gente bastante triste porque não é para quem vive aqui, nasceu aqui, tem sua família aqui. A gente fica até chateado de ouvir um negócio desse”, diz.
Com a sensação de que poderia fazer mais pela cidade, o jovem colocou na cabeça que iria mudar a realidade da região. Para alcançar tal feito, uniu duas paixões: o contato com a natureza e a fotografia. Apesar das dificuldades, ele conta que viu potencial na natureza da cidade ao descobrir sua aptidão para a fotografar as paisagens e os animais.
“Comecei a ver que eu tinha um dom, comecei a fotografar e aprendi tudo na internet. Abri a minha primeira rede social e ali eu já comecei a jogar algumas fotografias que eu já tinha e vi que muita gente se interessou”, declara.
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Após a criação do perfil na rede social, as fotos começaram a fazer sucesso entre os internautas, que começaram a demonstrar interesse em conhecer o local. Com isso, Almeida percebeu a grande possibilidade de negócio que viria mudar sua vida e economia da cidade.
“Quando a minha rede social bateu os 5 mil seguidores, percebi que existiam turistas na minha página, que falavam: ‘Eu quero ir aí, com quem eu falo?’. Comecei a analisar os dados das fotografias, as pessoas estavam gostando muito do pôr do sol e nascer do sol, da neblina e da nossa ‘lagoa azul'”, conta.
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Enquanto amadurecia a ideia, ele diz que pensou em montar um roteiro que contemplasse a preferência dos seguidores e nem precisou ir tão longe. “O lugar que tem tudo isso em um só lugar é a F12, a montanha que eu enxergo do meu quintal”, diz ele, que se credenciou e passou a trabalhar oficialmente como guia de turismo.
Com o desejo de crescimento profissional, ele criou uma agência de turismo ecológico e investiu cerca de R$ 20 mil no negócio. Ao observar as necessidades dos clientes, comprou barracas, mochilas e artigos para serem alugados e usados no passeio. Em quatro anos de agência, ele revela que já atendeu quase quatro mil turistas.
“Hoje está todo mundo conseguindo vê turismo, tanto é que as pessoas falam assim: ‘Ah, a saída agora para Serra do Navio, tirando a mineração, é agricultura e turismo’. Antigamente, tudo era só sonho”, afirma.
Mirante da mina F12 em Serra do Navio
Reprodução/Globo
O sucesso da agência de turismo ainda transformou a economia local, impulsionando os negócios de outros empreendedores da região. Atualmente, a cidade tem cerca de 110 micro e pequenos empresários.
Confira a reportagem completa no vídeo abaixo:
De ‘mateiro’ a empresário: como empreendedor amapaense está movimentando negócios no norte do país
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