Empresa gaúcha de alfajor que teve fábrica alagada faz pré-venda e paga salário de 60 funcionários

Localizada em Porto Alegre, planta da Odara teve inundação de dois metros de altura e continua fechada A marca de alfajor Odara, na sede na zona norte de Porto Alegre, foi um dos negócios impactados pelas enchentes no mês de maio no Rio Grande do Sul. O fundador Jeison Scheid, 37 anos, não teve alternativa a não ser paralisar a operação na fábrica — invadida pela água, que alcançou dois metros de altura.
A empresa, que está em processo de limpeza e segue fechada, organizou uma campanha de “pré-venda solidária” por 16 dias, a partir de 14 de maio. A ideia era que os clientes comprassem os produtos para recebê-los depois que a fábrica estivesse recuperada. O resultado de mais de 30 mil alfajores vendidos impressionou o empreendedor. “Ultrapassou os R$ 350 mil que eram necessários para a folha salarial dos 60 funcionários”, comemora.
Foram mais de 2,5 mil pedidos de clientes, que deveriam começar a receber os alfajores em agosto — mas o empreendedor tem planos de antecipar a entrega. “Tivemos um acolhimento muito forte, e isso se tornou um grande incentivo”, diz em entrevista a PEGN. A companhia também iniciou uma campanha de financiamento coletivo em que oferece recompensas, como ecobags e camisetas.
Segundo Scheid, a fábrica da Odara ficou alagada por pelo menos 20 dias. “Não conseguimos tirar nada. Perdemos todo o estoque e matéria-prima. Algumas máquinas também estragaram, outras vamos conseguir recuperar”, diz Scheid, que estima prejuízo de pelo menos R$ 1,8 milhão.
O negócio começou no final de 2013, quando Scheid decidiu sair de Porto Alegre e aprender uma receita de alfajor para vender na Praia da Ferrugem, em Garopaba (SC). O objetivo era ter uma vida mais tranquila, diz o empreendedor. “Fazia os doces na cozinha da minha casa para vender para os argentinos e uruguaios que estavam nas praias no início do ano”, afirma o gaúcho, que produzia cerca de 80 unidades por dia. “Deu muito certo até abril.”
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Com a diminuição do fluxo de pessoas, Scheid optou por retornar a Porto Alegre, mas seguir com o seu negócio. Foi quando conheceu Kauê Bohrer, engenheiro de alimentos que se tornou seu sócio. “Ele ficou responsável pela produção e operação, enquanto eu cuidava do marketing e comercial”, conta o empreendedor.
“Fomos crescendo aos poucos. Começamos em casa, e fomos para uma fábrica maior, de 60 metros quadrados, onde ficamos um ano e meio. Depois, migramos para outras fábricas maiores até chegar à que estamos agora, de quase 5 mil metros quadrados, em 2021”, diz.
A empresa vende por meio de e-commerce, para o consumidor final, e para grandes redes, como Oxxo, Daki, Casa Santa Luzia, Bistek e Azun. “Estamos presentes em mais de 6 mil pontos de vendas”, Afirma Scheid.
Alfajor da Odara
Divulgação
Antes da enchente, a Odara tinha capacidade de produzir 10 mil unidades de alfajor por hora, e atendia empresas do Sul e Sudeste, especialmente no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
O empreendedor e os funcionários iniciaram a limpeza da fábrica na última semana de maio, e em breve o espaço começará a ser reformado. “Trabalhamos com alimentação, então, é um processo muito minucioso para garantir que está tudo higienizado”, afirma. “Não conseguiremos voltar a operar como antigamente porque ainda precisamos comprar mais maquinário, mas vamos retomar a fábrica em julho.”
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