Empreendedores criam marca que foi de um quiosque a rede com 119 lojas e faturamento de R$ 60 milhões

Açaí Formosa se transformou em potência com ideia de Marcos Ferreira, que ganhou corpo com chegada de sócios Em 2005, Marcos Ferreira tinha apenas o sonho de ganhar a vida com um negócio próprio. Inspirado em uma barraca que viu durante sua rotina de trabalho, decidiu investir todos seus recursos para abrir um quiosque de açaí em Mauá, na Grande São Paulo. Onze anos mais tarde, a sociedade com Remo Santana fez o empreendimento deslanchar. Hoje, são quase 120 lojas e uma rede franqueadora que se diferencia por não cobrar taxa de franquia.
Quando tinha 27 anos, Ferreira fazia entregas de supermercado com a Kombi que possuía. Em uma das saídas, viu uma fila enorme de pessoas querendo comprar açaí em Guaianases, distrito na zona leste paulistana. Impressionado, foi falar com o vendedor. Não precisou muito tempo para vender o veículo e investir os R$ 6 mil que tinha para abrir um quiosque na entrada do supermercado em que trabalhava.
Alugou o espaço e, em 30 dias, ele mesmo desenhou a estrutura e montou-a em MDF. Na véspera da inauguração, comprou 30 kgs de polpa de açaí, com um distribuidor direto de Belém (PA) e passou a noite preparando em casa a receita (com xarope de guaraná) que lhe renderia fama. Nascia aí o Point do Açaí,
Em menos de dois anos, após jornadas exaustivas de mais de 14 horas, preparando açaí à noite e colocando à venda durante o dia, conseguiu expandir o negócio e abriu outros quatro quiosques em pontos estratégicos — postos de gasolina e supermercados — e abriu uma loja física em frente a uma escola, que se mostrou uma decisão acertadíssima. Em 2011, após um processo de reestruturação, Ferreira decidiu manter apenas duas lojas, mas seguia como fornecedor de seus antigos estabelecimentos.
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O começo da sociedade
A grande virada veio em 2012, quando Rodrigo Santana convenceu Remo, seu pai e dono do Restaurante Formosa, em São Bernardo do Campo, a instalar um quiosque do que considerava ser “o melhor açaí que já havia experimentado” na frente do estabelecimento da família.
Como esperado, o sucesso foi imediato, com vendas que chegaram a 1 mil copos em um único domingo. Ferreira, que ajudou Santana a montar seu quiosque e apenas fornecia o produto vendido em formato de creme, se espantou com o volume comercializado.
De um lado, Ferreira tinha a aptidão para preparar a receita. No outro, Santana era habilidoso com os negócios. O dono do Point do Açaí convidou o proprietário do restaurante para ser seu sócio, na parceria comercial formalizada em 2014, sob o nome de Açaí Formosa.
O crescimento também veio rapidamente. Ainda no primeiro ano de sociedade, eles inauguraram cinco lojas em quatro cidades. Também foi aberta a fábrica própria, com 460 metros quadrados, responsável pela produção mensal de até 25 toneladas de açaí, o que equivale a cerca de 28 mil litros por mês.
Um ano mais tarde, a rede já contava com 20 lojas em São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema e Piracicaba, todas no estado de São Paulo. A expansão foi crescente, e o número de unidades chegou a 60 em 2020, mesmo sem um sistema formal de franquias, apenas com licenciamento e parcerias.
Açaí Formosa
Divulgação
Abertura de franquia
A necessidade de estruturar a rede como franquia, formalizada em 2021, veio durante a pandemia. A adoção do formato foi impulsionada pelo interesse de pessoas que perderam emprego nas montadoras do Grande ABC e decidiram investir suas economias em quiosques de açaí, que seriam uma boa oportunidade de negócio em meio à crise econômica provocada pela pandemia.
Com isso, Rodrigo Santana — o cliente fiel de Ferreira que convenceu o pai a investir no negócio — e Lucas Ponciano entraram oficialmente na sociedade, sendo fundamentais para a formatação e a expansão.
Atualmente, Ferreira foca na produção, Remo cuida da parte financeira, Ponciano é responsável pelo operacional e Rodrigo responde pela expansão e marketing. Os quatro participam ativamente de todas as decisões da franquia.
Logo a rede abriu outras 50 novas unidades no ABC, litoral e interior de São Paulo. A Açaí Formosa opera com três modelos de franquias (quiosque, loja e container) que oferecem flexibilidade aos franqueados conforme o espaço e o perfil de mercado local. Tudo isso com o diferencial de não cobrarem taxa de franquia.
“Optamos por não cobrar a taxa porque acreditamos que o verdadeiro crescimento vem do sucesso dos nossos franqueados. Nosso compromisso é oferecer as melhores condições e isso inclui reduzir o custo de entrada para facilitar o início da operação”, explica Ferreira.
Diante disso, o investimento mínimo para abrir uma franquia é de R$ 60 mil para uma loja de 20 metros. Como taxa fixa, são cobrados R$ 250 de marketing. Entre as taxas variáveis, são 5% do faturamento em royalties. A lucratividade prevista é de 18% a 25% e o faturamento esperado por loja, no primeiro ano, é de R$ 40 mil a R$ 50 mil. O tempo de retorno de investimento é, em média, de 1 ano.
Marcos Ferreira, Rodrigo Santana, Lucas Ponciano e Remo Santana
Divulgação
Expectativa de faturamento 15% maior
No ano passado, a rede faturou R$ 60 milhões e mantém a expectativa de crescimento de 15% para 2024. Hoje a empresa conta com 119 lojas no estado de São Paulo, em que são comercializadas quase 80 toneladas de açaí todos os meses. Como planos futuros, a intenção é expandir para outros estados.
O ingrediente principal continua vindo de Belém, mantendo-se a tradição da origem diretamente da Amazônia. “Recebemos a polpa congelada para garantir a qualidade e frescor do produto e, nas lojas, é preparada a receita exclusiva já conhecida pelos clientes”, diz Ferreira.
Além do item principal do cardápio, a marca produz mais de 20 sabores de cremes e frozens, contabilizando outras 60 toneladas de produtos vendidos todos os meses.
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