Entrar

Notícias

Ultimas Notícias
Empreendedores brasileiros relatam situação na Flórida com chegada do furacão Milton: ‘Me sinto na Arca de Noé’

Empreendedores brasileiros relatam situação na Flórida com chegada do furacão Milton: ‘Me sinto na Arca de Noé’


Com tapumes e deslocamentos de estoque, donos de negócios locais tentam evitar impactos do evento climático classificado como “altamente perigoso” Empreendedores brasileiros no estado da Flórida (EUA), que se preparam para a chegada do furacão Milton, usam palavras como “apreensão” e “desespero” para descrever a situação. Matheus Ázaro, 30 anos, tem cinco lojas que trabalham com venda e aluguel de carros e 430 veículos em operação. Para ele, é certo que haverá perdas materiais. “Minha loja em Tampa está enchendo de água. Se continuar, vai subir em todos os carros”, afirma.
Ele conta que passou nove horas movendo os automóveis no que classifica como “operação de guerra”. Parte da frota foi transferida para garagens altas, ainda que descobertas, disponibilizadas pela própria cidade. “Outros parei em uma garagem particular.”
Ázaro, que saiu do Rio de Janeiro para empreender na Flórida em 2017, tem unidades em Tampa, St. Petersburg (onde mora), Orlando, Miami e Fort Lauderdale. Depois de dirigir 15 horas e meia, conseguiu chegar ao estado da Georgia, de onde pretende voltar até sábado para verificar os possíveis danos ao seu negócio. “Vão ser umas 20 horas para voltar”, estima. “Temos quase 200 carros alugados que estão na rua. Ligamos para todos os clientes pedindo que evacuassem também, pois as seguradoras não cobrem catástrofes naturais. Se pudesse resumir, usaria a palavra ‘desesperador’”.
Apontado como um dos mais fortes pelo governo dos Estados Unidos, o furacão Milton, atualmente classificado como categoria 3 (com ventos de até 208 km/h), está previsto para chegar na Flórida na noite desta quarta-feira (9/10), atingindo primeiro cidades como Tampa, Naples, Gainesville e Saint Cloud, e depois seguindo na direção de Orlando. O alerta local diz que se trata de um furacão “extremamente perigoso”.
Saiba mais
A Flórida é o estado dos EUA com maior número de nascidos no Brasil segundo o Ministério das Relações Exteriores. Foi o local escolhido por Janaina Cunha, 49 anos, para abrir o Jana’s Café. Para proteger seu negócio, aberto há um mês na cidade de Oldsmar, zona A de evacuação, a empreendedora está desde segunda-feira organizando a loja, colocando tapumes e levantando os materiais. Não conseguiu suspender os refrigeradores pelo peso dos equipamentos.
“Nós não sabemos a altura certa que o furacão vai entrar, mas independentemente disso, esperamos que venha só com vento, sem água. Se tiver água, podemos perder tudo. Todas as geladeiras e freezers estão no chão, isso me deixa apreensiva”, diz a empreendedora.
Cunha está há oito anos nos EUA e anteriormente trabalhava como confeiteira. Agora, a loja, com capacidade para atender 52 pessoas, compõe 100% da renda da família, constituída por Cunha, seu marido e dois filhos. A confeiteira teme precisar ficar com o negócio fechado por muito tempo. Também acredita que perderá o estoque de frios que têm e as embalagens.
Ela mora perto do seu negócio, porém, em Tampa — outra cidade que também está na zona A de evacuação. Os seus filhos foram para o Tennessee, estado localizado na região sudeste do país, 1.165,4 km da Flórida, mas empreendedora e seu marido ficaram na casa de amigos, fora da zona principal de enchentes, na intenção de ficar mais próximos do empreendimento.
“Eu só peço a Deus que a gente fique seguro. Ainda não estou pensando muito em possíveis perdas financeiras porque nesse momento só queremos manter a cabeça fora do que está acontecendo”, afirma Cunha. “É como se fosse a Arca de Noé, nós ficamos na casa, lacrados, a água podendo subir, e tentando manter a mente fora do que acontece lá fora”, acrescenta.
Dono de uma loja self-service de açaí em Pinellas Park, também na baía de Tampa, Berg Barreto, 50 anos, também diz que apenas torce pelo melhor neste momento. “O Milton está vindo com intensidade muito grande e estamos pedindo a Deus que ele tenha compaixão da gente”, diz.
Barreto se deslocou para a Georgia com a mulher Kaline e as duas filhas, Rayanne e Rayara. Antes disso, a família tentou proteger o negócio, aberto no ano passado. “Movemos o estoque de alimentos para um local com geradores e refrigeração. Também protegemos os vidros com tapumes.”
Ele conta que o furacão Helene, de categoria 4 (com ventos de até 251 km/h) e que atingiu o estado há duas semanas, poupou a loja, mas não sua casa. “A água chegou a 1,5 metro de altura e perdemos tudo.”
A 135,5 km de Tampa, Orlando também deve ser afetada pelo Milton, ainda que em menor escala. André Catena, gerente do Camila’s Restaurante, acredita que o furacão não chegará com tanta força e, por isso, optou por não colocar tapumes ou barreiras.
O estabelecimento estará fechado para o jantar desta quarta-feira e o almoço de quinta-feira (10/10), o que deve gerar um impacto financeiro de US$ 30 mil (R$ 167,92 mil na cotação de hoje). “Amanhã, esperamos abrir no jantar até para não perder o estoque, mas isso pode acontecer se faltar energia”, afirma.
O grupo Camila’s, fundado em 1989 por Manuel Briote, também tem outros empreendimentos em seu portfólio, como a loja de variedade Yes MegaStore e o restaurante de carnes BR77 Steakhouse – localizados em Orlando e Kissimmee, cidade que também está no caminho do Milton.
“Nós não estamos ansiosos, mas sempre atentos às notícias para entender qual será melhor forma de voltar até porque temos funcionários recém-chegados nos EUA que ficam nervosos com o furacão”, diz Catena.
Franquias brasileiras orientam que franqueados locais fechem unidades
Olivier Chemin, dono da rede de salões de beleza Jacques Janine, se mudou para o país em 2018 e abriu uma unidade da marca em Windermere, cidade próxima a Orlando. “Buscamos mais segurança e qualidade de vida para nossos filhos, e vimos a expansão da rede como uma excelente oportunidade de juntar as duas coisas”, conta.
Chemin diz que esse será o segundo furacão enfrentado pela loja, o último foi no ano passado. “Nas duas vezes, vedamos as portas para evitar que entre água. Colocamos uma fita impermeável ao redor e sacos de areia na parte de baixo”, detalha. Ele disse que não pretende sair de casa, mas que está “atento” a possíveis mudanças. “Ficamos sempre atentos porque não controlamos a força da natureza e sabemos que tudo pode mudar em minutos. Temos sempre um plano B caso seja necessário sair.”
Outras franquias brasileiras que têm unidades na Flórida têm mantido contato com os franqueados locais para orientar sobre o que fazer nesse momento. A rede de clínicas de estética Emagrecentro, por exemplo, está com a loja de Orlando fechada há três dias, e a instrução é que permaneça dessa forma até que a situação se normalize.
Unidade da Emagrecentro em Orlando está fechada desde o dia 8/10
Arquivo pessoal
A Doutor Sofá, que atua na higienização de estofados, tem três lojas na Flórida. Willian Tamara, sócio e fundador da marca, se mudou para o país no ano passado para promover a expansão local. De acordo com ele, todas as unidades fecharam as portas na segunda-feira. “[Estamos] protegendo os locais de trabalho e casa com madeira nas janelas”, diz.
A Clean New, que atua no mesmo nicho e tem uma loja em Miami, conta que seguiu protocolos parecidos, orientando o franqueado a “trancar os portões, guardar os veículos e observar se a região possui risco de alagamento por conta dos veículos e equipamentos.”

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *