Empreendedora indígena cria comunidade de artesãs originárias no Mato Grosso

Suelem Aguiar Kaiti produz acessórios para sua loja com mais 20 mulheres. Peças buscam valorizar a arte tradicional local Para a empreendedora Suelem Aguiar Kaiti, 41 anos, a arte indígena representa ancestralidade, resistência e conexão com a espiritualidade. Moradora do município de Canarana (MT), Kaiti é dona de uma loja que produz acessórios com temático dos povos originários. Artesã desde a juventude, ela passou a comercializar suas peças em 2013, quando criou uma página para o negócio no Facebook e no Instagram. Os perfis nas redes sociais ultrapassam mais de 120 mil seguidores juntos.
Atualmente, as vendas ocorrem, sobretudo, no modo online. Mas Kaiti conta que também atende uma clientela da vizinhança. São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul carregam o título dos principais estados que fazem pedidos na loja da indígena mato-grossense. Os produtos são feitos por ela e uma redes de 20 mulheres que reúne irmãs, tias e primas.
Segundo Kaiti, a arte étnica é passada de geração em geração. “A arte indígena não é individual, ela é de todos que existem e também dos que ainda vão nascer. O propósito do meu negócio não é simplesmente ter uma loja, mas mostrar a nossa ancestralidade. Como é feito por várias pessoas, quem compra está ajudando a fortalecer as mulheres indígenas daqui”, fala.
Os produtos são feitos por uma rede de 20 mulheres indígenas do estado do Mato Grosso
Arquivo pessoal
Mãe solo de quatro filhos, Kaiti decidiu empreender com a arte indígena para conseguir renda extra e arcar com os insumos e medicamentos necessários para o tratamento de uma doença desconhecida que sua filha de 19 anos enfrenta. “Ter um negócio me ajudou a ficar mais próxima da minha família”, diz.
Ela conta que uso das redes sociais ajudou a alcançar públicos de outras regiões. “Antes, eu vendia apenas para as pessoas mais próximas da cidade de Canarana, onde eu vivo. Mas hoje vendo para todo o Brasil”, relata.
No portfólio de Kaiti estão brincos, colares, pulseiras e outros artefatos da arte indígena tradicional. Segundo a empreendedora, as peças são vendidas a partir de R$ 60. “Às vezes, nós vendemos de 30 a 200 produtos por mês, mas depende da produção mensal”, pontua.
Em 2019, o Brasil registrou 89.178 queimadas na Amazônia, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Naquele ano, Kaiti lançou a Coleção Amazônica, que apresentou na estampa dos brincos feitos com miçangas, animais que morreram aos incêndios florestais. Até hoje, a empreendedora segue com a linha. Que, segundo ela, é uma forma de valorizar e homenagear a fauna e se posicionar contra a caça. “Nossos animais pedem socorro, não podemos deixar que eles sejam extintos por queimadas e caça. Essa coleção é uma forma de dizer que não queremos esse animais apenas como lembrança”, reforça.
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Para o futuro, Kaiti pretende lançar uma nova coleção usando como temática frutas nativas em risco de extinção pelo desmatamento ilegal. O projeto ainda está em fase de elaboração.
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