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Empreendedor de SP cria marca de café para enaltecer população negra na cafeicultura

Empreendedor de SP cria marca de café para enaltecer população negra na cafeicultura


Os produtos do Café Quilombo podem ser adquiridos via e-commerce e varejo e também são comercializados para o food service Especialista em gestão de negócios e formado em ciências contábeis, Danilo Negrete, 36 anos, trabalhou por muito tempo no mercado financeiro. Em janeiro de 2020, ele decidiu apostar no empreendedorismo e investir em sua própria marca: o Café Quilombo. O negócio surgiu da necessidade de resgatar raízes ancestrais da cafeicultura, que contou com trabalho de pessoas escravizadas até a abolição da escravidão. Os itens podem ser adquiridos via e-commerce e varejo e também são comercializados para o food service.
“Se fomos nós quem cultivamos o café lá no passado, por meio da mão de obra escrava, por que é que hoje o café é tão conhecido como uma obra gastronômica feita por descendentes italianos e demais europeus? Não questiono o mérito deles, mas passei a me perguntar o motivo de o povo negro não ser referenciado também”, afirma.
Um ano antes de o Café Quilombo sair do papel, Negrete tinha um e-commerce chamado Quitandeiro, que vendia sobretudo cachaças, cafés e chocolates nacionais. Quando notou que os grãos estavam sempre entre os produtos mais vendidos, Negrete resolveu pesquisar e aprender mais sobre o café.
“Eu quis entender a história e como ele era feito antigamente. Quando li ‘A Escravidão’, do escritor Laurentino Gomes, aprendi sobre a relação entre a cafeicultura e a história sociocultural da população negra. O povo negro era o principal responsável pelo cultivo do café nos séculos passados. Aí me veio a ideia do Café Quilombo. Vi que tinha essa lacuna no mercado, já que hoje as pessoas negras não são popularmente conhecidas por ter marcas de café”, diz.
O investimento inicial foi de R$ 2,8 mil — posteriormente, Negrete pediu um empréstimo de R$ 15 mil. O negócio começou na própria casa do empreendedor, na cidade de São Paulo (SP). Lá, ele mesmo recebia os grãos, moía, embalava e despachava aos clientes.
No entanto, a pandemia de covid-19 veio na sequência, e a reclusão social fez com que Negrete interrompesse a operação. No primeiro ano da crise, o empreendedor focou apenas em aumentar a exposição nas redes sociais. “Eu preferi tirar uma pausa, aproveitei para melhorar a marca e estudar o objetivo do meu negócio. Dar uma revitalizada no site e no Instagram. Vi isso como uma oportunidade de fortalecer a representatividade da marca”, explica.
Em meados de 2021, o Café Quilombo ressurgiu e cresceu. Tanto que, no ano seguinte, Negrete identificou a necessidade de transferir a produção para uma fábrica no bairro do Ipiranga, em São Paulo — onde permanece até hoje.
Os grãos do Café Quilombo, todos da espécie robusta, vêm de uma fazenda localizada no semiárido do estado do Espírito Santo. Na fábrica, o café é processado, embalado e enviado. Na loja online, é possível encontrar diversos tipos de café, comercializados a partir de R$ 26,30 (250 g). As embalagens dos produtos são estampadas com ilustrações de mulheres que marcaram a luta e a história negra, como Dandara dos Palmares, Tereza de Benguela, Anastácia e Chica da Silva.
Dois dos produtos do Café Quilombo
Divulgação
A empresa também vende filtros e panos de prato, feitos em collab com a loja e The Bosh Club.
Pano de prato do Café Quilombo em collab com a loja The Bosh Club.
Divulgação
Os pacotes de café também podem ser encontrados nas gôndolas de nove unidades do Carrefour de São Paulo e uma no Rio Grande do Sul. E em restaurantes da capital paulista, Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG). Mas Negrete revela um sonho: fazer os produtos do Café Quilombo chegarem a Salvador (BA). O faturamento mensal do negócio é de R$ 25 mil.
Para 2025, a ideia é expandir a distribuição no varejo e abrir uma loja física. “Quero que os clientes possam estar em um espaço nosso, experimentar com calma o nosso café.”
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