Ela começou vendendo brinquedos usados da filha e hoje fatura R$ 15 mil por mês com brechó
Viviane dos Santos fundou a Brinquechó como forma de conseguir uma renda extra para pagar uma dívida Em outubro de 2022, Viviane dos Santos estava era uma recém-divorciada com uma filha de 4 anos. O trabalho de carteira assinada como analista financeira não estava sendo o suficiente para pagar as contas, que incluíam aluguel, condomínio e cartão de crédito. Conversando com uma amiga, ela recebeu o conselho de que deveria encontrar formas de viver para si mesma e não apenas a maternidade.
“Minha casa estava cheia de brinquedos que minha filha nem brincava mais. Eles estavam até dentro do meu quarto”, diz a empreendedora de 38 anos. “Olhei para as caixas, pensei que não poderia simplesmente doá-los porque eu tinha muitos problemas financeiros, mas poderia vendê-los. Então decidi criar um brechó de brinquedos.”
Hoje, com a Brinquechó faturando R$ 15 mil mensalmente, Santos está completamente focada no empreendedorismo. O negócio tem sede em Vitória (ES).
Formada em Administração, a empreendedora nascida em São João do Ivaí (PR) trabalhou como analista por cerca de 14 anos. Em seu tempo livre, sempre se envolveu em atividades paralelas, como decoração de festas, produção de doces e marmitas fitness. “Nunca gostei de trabalhar como CLT. Eu fazia porque era minha obrigação, mas não me identificava com a rotina de ficar até às 18h dentro do escritório”, afirma.
O empreendedorismo se tornou uma forma de sobrevivência na pandemia, depois que Santos se divorciou e perdeu o emprego. “Comecei a fazer ‘bicos’ em diversas funções, incluindo o de vendedora. Mas as dívidas foram se acumulando. Passei seis meses desempregada, sem conseguir pagar contas. Mesmo quando consegui um emprego, ainda estava com dívidas”, diz. Foi quando a conversa com a amiga a inspirou a vender os brinquedos. “Mal dormi naquela noite, criando um logo improvisado, separando os brinquedos e tirando fotos. Também entrei em diversos sites de brechó para entender quais eram suas políticas de desapego”, diz.
Em menos de 24 horas, ela passou a divulgar os produtos em grupos do WhatsApp de que já participava. “As pessoas demonstraram muito interesse e em um mês já consegui R$ 10 mil. Elas também passaram a me procurar perguntando se eu poderia vender os brinquedos dos seus filhos”, diz.
Saiba mais
Ela criou um grupo na plataforma de troca de mensagens em que, atualmente, 900 pessoas recebem notificações de novidades em primeira mão. Até o momento, a empreendedora já vendeu mais de 7 mil brinquedos.
O negócio funciona por consignação: o fornecedor do brinquedo recebe 60% do valor da venda. Os produtos são comercializados principalmente por WhatsApp e Instagram. “Vendo muito rápido, então na maioria das vezes não dá tempo de publicar no site, que está praticamente inativo. Às vezes, coloco os produtos em marketplaces, mas é bastante raro”, diz a empreendedora.
Santos recebe produtos de todas as partes do Brasil que passam por uma triagem antes de chegar à prateleira virtural. “Analiso todos os itens. Caso seja necessário higienizar, cobro uma taxa para isso. Se for um brinquedo que não tiver condições de ser vendido, mas ainda pode ser utilizado, doamos para alguma instituição de caridade. O fornecedor também pode optar por retirar o brinquedo”, diz. “Para decidir o preço do produto, avalio a qualidade e comparo com o valor de venda de um brinquedo similar novo.”
Depois que criou a Brinquechó, a empreendedora conseguiu quitar as principais dívidas que tinha — de aluguel e condomínio — em 40 dias. Em seis meses de negócio, resolveu todos os débitos. “Percebi que estava dando muito certo e me deixava muito mais feliz do que o meu emprego em tempo integral. Decidi me demitir e focar totalmente na Brinquechó para expandir. Foi a melhor coisa que eu fiz”, diz.
No momento, a empreendedora está participando de um programa de incubação com o objetivo de alavancar sua empresa. “As pessoas já confiam muito no que eu vendo. Quero encontrar formas de manter essa relação com os meus clientes, mas vendendo de forma mais automatizada. Imagino um dia ter um centro de distribuição”, diz. Por enquanto, a sede do negócio é na casa de Santos, mas o empreendimnto terá um QG próprio no início de 2025.
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