Dia do Sexo: Empreendedores apostam em mercado erótico como renda para família

Setor tem se mantido em expansão nos últimos anos. Neste Dia do Sexo (6/9), confira três negócios comandados por parentes que encontraram oportunidades no mercado O mercado erótico no Brasil é um setor que tem se mantido em crescimento nos últimos anos, com previsão de expandir 3% em relação ao ano passado, segundo uma pesquisa do Portal Mercadoerotico.org, de Paula Aguiar.
“Assuntos relacionados ao sexo e ao prazer ainda são um tabu, mas atraem cada vez mais o interesse do público, principalmente feminino e de uma nova geração de consumidores com idade entre 25 e 35 anos”, afirma Flávio Petry, analista de Competitividade do Sebrae Nacional.
Empresas familiares também têm encontrado sucesso no setor, com empreendimentos que se tornam uma importante fonte de renda. Neste Dia do Sexo (6/9), confira três negócios comandando por parentes no mercado erótico:
Negócios de irmãos
A Garota Veneno, empresa de produção de lingerie e fantasias eróticas, é a principal fonte de renda da família Silva, que vive em Juruaia (MG). A organização tem 10 irmãos como sócios — que se dividem em diversas funções. “A indústria tem muitos setores e cada um está se especializando em uma parte. Quatro irmãos cuidam da produção e outros seis são responsáveis pelo comercial”, diz Cesar Silva, diretor e sócio do empreendimento. A empresa faturou R$ 6 milhões no ano passado, e a expectativa é aumentar cerca de 20% neste ano.
Familía Silva: César, Crislãine, Maria Onofra, Elizandra Claudete, José Reinaldo, Maria Regina (matriarca), Nilva, Mateus, Renata, Damaris e Flávia
Arquivo pessoal
A responsável pela idealização do negócio é Maria Regina Bueno e Silva, matriarca da família que começou a trabalhar em uma fábrica de lingeries em 2004. No ano seguinte, decidiu abrir sua própria confecção e os filhos embarcaram na ideia.
Desde o início do negócio o foco é o atacado. “Juruaia é um polo de confecção de roupas íntimas, muitos lojistas procuram fabricantes para comprar lingerie para revender”, diz o empreendedor de 43 anos. Porém, com tanta concorrência, a empresa teve que encontrar formas de se diferenciar — e inseriu fantasias eróticas em seu catálogo.
“Participamos de muitas feiras de conteúdo erótico e também vendíamos por telefone”, diz Cesar. A empresa também inseriu uma linha de lubrificantes no portfólio. “Geralmente, os clientes que compram fantasias eróticas também vendem cosméticos, então é mais uma chance que temos de agregar valor à nossa marca”, diz Silva.
Em 2012, os irmãos decidiram fundar a empresa Dalla Pelle, de moda praia e roupas fitness. “A Garota Veneno surgiu para ser o sustento da família. Porém, como somos muitos sócios, entendemos a necessidade de ter mais um negócio para não depender de apenas uma empresa”, diz Silva. A empresa também tem foco no atacado.
O foco da Garota Veneno é apostar mais fortemente em cosméticos. “Expandimos nossa linha de lubrificantes, criando opções com fragrâncias ou sem, e também estamos planejando o lançamento de perfume”, diz Silva. A longo prazo, a empresa também planeja investir na exportação.
Saiba mais
De revendedora a dona de loja
Em busca de uma renda extra, Carla Nunes iniciou a revenda de produtos eróticos em 2014. “Eu trabalhava com telecomunicação e tinha curiosidade no setor de sex shop. Comprei produtos de forma consignada e comecei a vender em redes sociais e encontros com amigas. Vi que era rentável e decidi que queria ter o meu próprio negócio”, diz a empreendedora de 42 anos em entrevista a PEGN. Hoje, ela é dona da Doce Pimenta,
Inicialmente, Nunes investiu R$ 500 para comprar novos produtos direto do fabricante e aumentar a lucratividade. “Cresci aos poucos. Comprei um produto de cada. Fui aumentando as vendas aos poucos”, afirma. Durante um ano, a empreendedora investiu todo o lucro no negócio.
Uma das estratégias de crescimento era apostar em revendedoras por consignado — da mesma forma que ela começou. “Fiz publicações em grupos do Facebook dizendo que eu estava procurando revendedoras, e muitas mulheres tiveram interesse em vender por consignado. Elas indicavam esse modelo para outras pessoas, e fomos crescendo”, afirma a empreendedora, que chegou a fornecer para 120 sacoleiras. Porém, viu a necessidade de remodelar o negócio.
“Meu estoque e, consequentemente o meu dinheiro, estava na mão de outras pessoas que estavam me dando prejuízo. No momento de fazer o acerto e pegar mercadorias de volta, eu via que muitas revendedoras não estavam vendendo e me devolviam as embalagens danificadas. Percebi que meu negócio iria à falência se eu não mudasse a estratégia”, diz Nunes, que decidiu abrir uma loja e chamou a filha Camila Nunes, que estava na faculdade de Arquitetura, para ser sua sócia.
Carla e Camila Farias: mãe e filha comandam a Doce Pimenta
Arquivo pessoal
Montou a loja em um quarto em sua casa em 2019. “Como era um espaço pessoal, eu só atendia com hora marcada e pessoas que eu conhecia”, diz a empreendedora.
Conforme o negócio foi crescendo, a filha decidiu fazer faculdade de sexologia e especialização no marketing erótico. Em dezembro de 2023, abriram uma loja física da Doce Pimenta em Bauru, interior de São Paulo. O faturamento é de cerca de R$ 35 mil por mês.
38 anos de tradição
Aos 58 anos de idade, o empreendedor Alex Farias tem uma história de longa data com as lingeries — mais especificamente 38 anos. Nascido em Gurjão (PB), ele se mudou para a cidade de São Paulo aos 15 anos e passou a trabalhar como ajudante geral e office boy. Tornou-se subgerente de uma empresa de lingeries em 1985. “Vi que existia um futuro naquele negócio. Meu patrão decidiu que fecharia a empresa, e pedi para que a minha rescisão fosse paga com cinco mil calcinhas. Também comprei o número do telefone dele”, afirma.
Em 1993, o empreendedor convidou o pai, João Batista Farias, a esposa, Ana Farias, e a mãe, Almira Farias, para fundar a Aline Lingerie, loja sediada no o bairro do Brás em São Paulo. O nome é inspirado na filha Aline Farias — que fez faculdade de Moda e hoje trabalha como sexóloga. O negócio atende 90% em atacado e fatura aproximadamente R$ 2 milhões por ano.
Inicialmente, o negócio começou como confecção de roupas íntimas básicas e pijamas, mas Farias apostou em lingeries eróticas para se diferenciar da concorrência. “Começamos com fio-dental, com algum detalhe de metal ou brilho. Depois inserimos espartilhos e fantasias eróticas”, afirma. Hoje, o negócio oferece mais de 100 opções de fantasias.
Segundo o empreendedor, saber como se adaptar é fundamental para o negócio sobreviver todos esses anos. “Sempre estudei e procurei estar atento às tendências para buscar os melhores tecidos e acabamento”, afirma.
A produção é de tamanho único, e atende do 38 ao 46. “Fazemos muitas peças de amarração que conseguem servir diferentes corpos, o que facilita na hora de ser presenteada. Também é uma peça sensual que a pessoa usará por um momento específico, não passará o dia todo com ela ou usando para trabalhar, diz Farias
A empresa vende na loja física e em um e-commerce. A longo prazo, o empreendedor espera que o negócio seja comercializado apenas em canais digitais. “Hoje não recebemos mais tantos lojistas do interior que vem até o Brás. Já temos um nome consolidado e boas avaliações na internet. Mas é um processo que ainda preciso estruturar.”
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