Depois de conquistar times como Palmeiras e Flamengo, startup de biometria facial para estádios espera faturar R$ 12 mi

Fundada em 2022, Bepass planeja chegar a 12 arenas até o fim do ano e iniciar expansão internacional em 2025 De olho em uma tendência do mundo pós-pandemia, o empreendedor Ricardo Cadar, 52 anos, decidiu transformar seu conhecimento em tecnologias de biometria em uma ideia de negócio. Fundada em outubro de 2022, a Bepass foi criada com o objetivo de levar a biometria facial para grandes públicos. Atualmente, a startup oferece um serviço focado em estádios de futebol e outros espaços de grande circulação de pessoas, e projeta um faturamento de R$ 12 milhões para 2024.
Empreendedor desde os 19 anos, quando fundou uma construtora enquanto cursava a faculdade de engenharia civil, Cadar deixou a atuação como engenheiro em 2019 para se dedicar exclusivamente ao trabalho com biometria facial. “Desde que comecei a trabalhar com essa tecnologia, eu já imaginava que ela substituiria a biometria digital em algum momento. Com a pandemia e as preocupações de encostar em superfícies, a biometria facial começou a ocupar mais espaços, mas ainda era utilizada principalmente para ambientes residenciais ou corporativos”, diz o empreendedor, que é CEO da startup.
Com a intenção de entrar em um mercado que ainda não era explorado no Brasil a partir do uso da biometria facial para espaços com grande concentração de púbico, Cadar abraçou uma dor apresentada pela Sociedade Esportiva Palmeiras. De acordo com o empresário, o clube paulista buscava uma solução para acabar com a atividade de cambistas. Assim, em janeiro de 2023, a startup deu início à operação no Allianz Parque, que adotou a biometria facial como única forma de acesso.
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O sistema da startup opera de forma integrada à plataforma de ingressos do clube e funciona a partir do cadastro da biometria, que é realizado por cada torcedor no próprio celular. A tecnologia da empresa mapeia mais de 80 pontos nodais do rosto humano (que se referem a características únicas da face de cada um), o que garante, segundo a empresa, a impossibilidade de acesso por tentativas de fraude com fotos ou deepfakes. O reconhecimento pelo chamado “face liveness” acontece em até três segundos. Apenas no Allianz Parque, a empresa totaliza mais de 800 mil torcedores cadastrados.
De acordo com o CEO da Bepass, o serviço está alinhado com todas as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que controla a privacidade e tratamento de dados pessoais dos brasileiros. “Nós somos auditados e mantemos um compliance em relação a onde guardar os dados, por quanto tempo podem ficar armazenados etc. Hoje, só usamos a face da pessoa para aquele fim específico, ou seja, somente para que ela possa acessar determinado evento”, explica.
A empresa afirma que todos os usuários concordam com uma política de uso de privacidade ao fazerem o cadastro e que podem exigir a exclusão dos dados do sistema quando desejarem. Além disso, segundo Cadar, nenhum dado é vendido e o armazenamento não guarda as fotos das pessoas, mas vetores. Assim, o algoritmo de reconhecimento facial transforma a imagem em um template biométrico, o que impede o acesso às fotos mesmo em caso de um vazamento de dados.
Planos de expansão
Com o objetivo de “conquistar o mercado o mais rápido possível”, a startup aposta na rápida expansão, alinhada à inovação, como forma de driblar a concorrência, que vem crescendo desde a aprovação da Lei Geral do Esporte (nº 14.597/2023), em junho de 2023. A nova legislação prevê a obrigatoriedade da biometria por reconhecimento facial em estádios com capacidade superior a 20 mil pessoas a partir de 2025.
Atualmente, a Bepass conta nove estádios com contrato assinado – entre aqueles já em operação e outros em fase de testes –, como Maracanã (dos clubes Flamengo e Fluminense), Nilton Santos (Botafogo), Vila Belmiro (Santos), Arena MRV (Atlético Mineiro) e Arena Fonte Nova (Bahia). A expectativa da empresa é somar 12 estádios até o final de 2024.
Para se diferenciar de outros players, a empresa projeta novas funcionalidades para o uso da biometria em eventos. Uma das novidades, que deve ser lançada em setembro no Allianz Parque, é uma ferramenta de pagamentos dentro dos estádios por meio do reconhecimento facial. “Nosso objetivo é estar sempre à frente dos concorrentes em termos de inovação”, afirma Cadar.
Para 2025, além de outros grandes clubes brasileiros, a empresa planeja alcançar times das séries B e C do Brasil e levar a tecnologia para estádios na América Latina, Europa e Estados Unidos. Para além do futebol, a empresa aposta na conquista de outros eventos que envolvem a entrada de um grande volume de pessoas. Este ano, a startup levou a solução para a Festa do Peão de Barretos, que contou com cerca de 400 mil usuários da biometria facial para o acesso ao evento.
O modelo de negócios prevê um serviço turn key, ou seja, com todo o trabalho feito apenas pela startup, da instalação dos equipamentos até a operação do software. No caso dos estádios, a empresa mantém contratos de longa duração, que podem ter cobranças por jogos ou por mês. No caso de outros eventos, é definido um único que valor que envolve todos os processos necessários para a realização do serviço.
Para manter o ritmo de crescimento buscado, a empresa acaba de anunciar a captação de R$ 5 milhões em uma rodada que contou com a participação de Ingresse, Outfield e Linkinfirm. Segundo Cadar, o capital será destinado principalmente para a contratação de novos colaboradores, com foco na equipe de desenvolvimento. Em 2023, a startup contava com oito funcionários e, em 2024, ampliou para 32 pessoas. Com os planos de expansão, depois de faturar R$ 2 milhões em 2023, a startup projeta um faturamento de R$ 12 milhões para 2024.
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