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Deathtechs: 3 startups brasileiras que oferecem serviços para quem perde entes queridos

Deathtechs: 3 startups brasileiras que oferecem serviços para quem perde entes queridos


Apesar do tabu em torno de tema, novos negócios têm se desdobrado sobre a dor e a burocracia no fim da vida Startups são conhecidas por utilizar tecnologia para criar soluções para resolver dores da sociedade de forma escalável. Elas buscam solucionar problemas de diferentes setores, sendo alguns mais explorados, como finanças, saúde e educação, e outros menos, como longevidade e fim da vida (end of life).
As deathtechs, startups que criam negócios com foco nesse período, buscam diminuir os problemas que podem surgir para os familiares após a morte de um ente querido, em um momento de luto e maior vulnerabilidade. Elas oferecem serviços para viabilizar apoio profissional, orientações para questões burocráticas, acompanhamento terapêutico, entre outros.
O mercado já está mais avançado fora do Brasil. Startups como Empathy, que oferece plano de ação para os familiares, levantou US$ 47 milhões recentemente. Outro exemplo é a Betterleave, de logística pós-morte, que já captou US$ 2,4 milhões. Porém, os dados ainda são escassos: segundo números divulgados pela North America Outlook Magazine, o mercado representa US$ 120 bilhões e criou cerca de 178 mil empregos em 2022.
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Para Gina Gotthilf, cofundadora e general partner da Latitud, apesar do setor ter dores agudas, existem barreiras culturais que impedem o seu crescimento. “No auge da dor de perder alguém próximo é quando somos obrigados a lidar com burocracias, papeladas, pendências. Mas não gostamos de pensar ou falar sobre a morte, não é considerado legal compartilhar informações sobre o tema antes da hora. Pode ser que isso mude, mas será um processo muito devagar”, opina.
No Brasil, algumas startups já começam a se desdobrar sobre o problema. Nesta matéria, apresentamos três delas: Amparo, Herdei e Last Wish. Conheça mais sobre os negócios a seguir:
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Amparo
A startup foi fundada por Matheus Drummond em 2023. Advogado, ele começou a acompanhar o tema em 2017, quando precisou cuidar de um inventário no escritório em que trabalhava – o que pensava que demoraria duas semanas se prolongou por dois anos. Frequentando o fórum para verificar o andamento do processo, conheceu a dor de famílias que passavam pela mesma situação.
Quando foi fazer um mestrado nos Estados Unidos, ele decidiu estudar o tema e criar um negócio para resolver essa dor. A Amparo foi desenvolvida nas aulas e incubada na universidade. Durante o processo, Drummond perdeu a avó e reforçou a percepção sobre o desamparo das famílias no momento após a morte de um ente querido.
Ele entrevistou famílias, planos funerários e seguradoras para desenhar o MVP da startup e voltou para o Brasil, onde levantou uma rodada de US$ 1 milhão, com liderança de Canary e participação de QED Investores e investidores-anjo. O capital foi utilizado para construir o time e estruturar o negócio. “Vimos que o problema tem três frentes: os familiares não sabem o que fazer, como fazer e não existem produtos financeiros para ajudá-los a navegar essa fase sem afetar o patrimônio”, aponta.
A Amparo funciona como plataforma com concierge que conecta os usuários a uma rede de prestadores de serviço que passam por uma curadoria da equipe da startup e um aplicativo no qual os usuários podem resolver tarefas mais urgentes após a perda. Parte pode ser acessada de forma gratuita. A startup opera no B2C e no B2B, oferecendo a Amparo para seguradoras, planos de saúde, planos funerários e como benefício corporativo para empresas.
Lançada oficialmente há um mês, a Amparo tem 400 vidas cobertas no momento. “Uma grande parte do nosso esforço era não escalar a operação com problemas. Fizemos questão de permanecer pequenos para aprender e desenvolver o produto. Agora estamos abertamente falando com operadoras e empregadores”, indica.
Drummond não quis abrir projeções, mas citou números do setor para mostrar o potencial do mercado: 17% da população adulta tem seguro de vida no Brasil – cerca de 35 milhões de pessoas –; 25% é beneficiária de serviços funerários; e em torno de 38 milhões trabalham com carteira assinada no país.
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Herdei
A deathtech não é a primeira jornada de Daniel Duque como empreendedor. Ele trabalhou com consultoria de planejamento estratégico para empresas de óleo e gás, trazendo empresas de fora para o Brasil na época do boom do pré-sal. Com a crise no setor, abriu um espaço de alimentação saudável e, depois, uma consultoria de venture builder, onde criou uma startup de ERP que chegou a ter sucesso, mas encerrou as atividades. Enquanto observava o mercado para traçar o próximo passo, ele conheceu o sócio, um advogado que trabalhava com planejamento sucessório e inventário.
“Hoje existe uma dor no mercado de inventários extrajudiciais que é o custo inerente do processo. Não existia um plano de pagamento para custear o valor para quem quer acessar um patrimônio”, conta. Eles passaram o fim de 2023 estruturando a operação da Herdei e captaram um pré-seed de R$ 1,5 milhão com familiares e amigos. Em fevereiro de 2024, começaram a rodar o MVP.
O inventário extrajudicial é quando a sucessão de bens para os herdeiros não necessita de intervenção judicial e pode acontecer em um cartório, mas exige um pagamento à vista, criando barreira de acesso para pessoas sem condições financeiras para isso. A Herdei almeja democratizar o acesso às heranças com planos de pagamento, utilizando o bem que será herdado como garantia. “O patrimônio é delas por direito, mas não conseguem por limitação de acesso a escritório de advocacia, os processos são morosos, burocráticos, e há um alto custo. Queremos mudar esse paradigma”, diz.
Ainda no MVP, a Herdei está em uma fase mais manual, avaliando caso a caso para entender se os leads são qualificados. Um software está sendo desenvolvido para que o primeiro contato seja feito virtualmente, respondendo um questionário e enviando os documentos necessários para a análise inicial. O foco no momento é o B2C – mais de 100 pessoas já foram atendidas –, e a startup pretende se conectar a outros canais de aquisição para atrair clientes: corretoras de seguros, funerárias e imobiliárias.
No primeiro ano de operação, a Herdei estima atender 129 pessoas. No ano seguinte, projeta crescer oito vezes. O objetivo é viabilizar o acesso de 50 mil pessoas a heranças até 2030. Duque acredita que a escala será conquistada com parcerias financeiras para dar respaldo para o fornecimento do adiantamento.
“A morte é a única certeza da vida, mas a perda de um ente querido abala as pessoas. Precisamos de empresas que promovam uma experiência que, por meio da tecnologia, acolha em um momento de dor. Queremos mitigar os efeitos da experiência do falecimento de alguém próximo”, afirma.
Na visão de Gotthilf, da Latitud, a oportunidade para os players do setor está na otimização financeira, por causa das ineficiências atuais e dos altos custos relacionados à morte, com foco no B2B.
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Last Wish
Fabiano Carrijo empreende desde os 15 anos. A empresa mais recente que cofundou foi a Psicologia Viva, de telepsicologia, que se fundiu em 2021 com a Conexa, mas a ideia para a Last Wish já existia antes disso. Ao se afastar do corpo executivo da healthtech, ele decidiu tirar o negócio do papel.
“A vontade nasceu porque muitas pessoas têm medo da morte, mas, naturalmente, todos vamos chegar lá. Temos dois propósitos: preservar o legado e dar conforto aos entes queridos que ficam”, conta.
A Last Wish é uma plataforma de registro de desejos que são executados após a morte. Mensagens podem ser registradas em áudio, vídeo, telegrama e carta e são programadas para serem enviadas em até 10 anos. A pessoa contrata o serviço diretamente, como um seguro de vida, e paga assinatura anual. Parte do processo é listar dois contatos de referência, que serão acionados na ocasião da morte para o envio do certificado de óbito. Os dados são criptografados em blockchain.
A startup busca parcerias com planos funerários e operadoras de seguro de vida. Até o fim do ano, pretende alcançar 2 mil clientes. Mas, por enquanto, não espera conseguir investimento externo para o negócio. “Não existe fundo para essa vertical. Existe um espaço muito amplo para ser explorado. Se as pessoas estão preocupadas em pagar plano funerário e seguro de vida, existe preocupação com a vida após a morte, mas fala-se pouco por ser um assunto tabu. Precisamos falar mais sobre o assunto”, finaliza.
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