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De babá a empresária do Racionais: Conheça a trajetória de Eliane Dias no empreendedorismo musical

De babá a empresária do Racionais: Conheça a trajetória de Eliane Dias no empreendedorismo musical


A advogada abriu um negócio inspirada no sucesso do marido, Mano Brown, e hoje é responsável pelo grupo de rap e por outros projetos artísticos Esposa do rapper Mano Brown, Eliane Dias começou a empreender para ter sua própria independência, e hoje, é uma das maiores referências no mercado musical nacional. Advogada de formação, ela é CEO e cofundadora da produtora Boogie Naipe, que nasceu para empresariar o grupo de rap nacional Racionais MC’s, que tem Brown como um dos integrantes, mas hoje tem um leque de artistas e até outros serviços.
Hoje, embaixo do guarda-chuva da produtora, Dias comanda a Yebo, de roupas femininas, e faz a gestão de carreira do Racionais MC’s e dos artistas Mano Brown, Duquesa, Labbel Yunk Vini e Danzo. A Boogie também produz os podcasts Mano a Mano e Az Ideias e atua como distribuidora digital e editora musical. Além disso, em breve, promoverá um evento dedicado à cultura preta.
O projeto da Boogie Naipe já fazia parte dos planos de Mano Brown desde 2009, mas foi Dias quem tirou do papel em 2013. Um dos primeiros trabalhos do Racionais MC’s que foi intermediado pela empresa foi a Virada Cultural de São Paulo, em 2013. O show, que ocorreu na Praça Julio Prestes, atraiu mais de 100 mil pessoas, representando um marco na carreira do grupo.
Em 2016, com o lançamento da carreira solo de Brown, a produtora estendeu sua atuação para agenciá-lo também. Nos anos seguintes, começou a aumentar o portfólio de artistas, além de ajudar a promover o legado do Racionais MC’s, com shows, exposições e relançamentos de discos.
Durante a pandemia, com a agenda de shows paralisada, a empresa lançou a marca de moda feminina Yebo. Além disso, desde a fundação do negócio, Dias ministra palestras sobre produção cultural. Em 2017, ela foi eleita a melhor empreendedora musical do ano pelo “Women’s Music Event Awards”, premiação anual que reconhece a atuação das mulheres no mundo da música.
Um dos próximos projetos de Dias, o evento Boogie Week, será organizado pela própria Boogie Naipe, e terá como principal agenda a promoção da cultura preta. Marcado para acontecer entre os dias 18 e 23 de novembro, em São Paulo, o evento terá shows musicais, como do próprio Racionais MC’s, e espaço para exposições de pequenos negócios. Os empreendedores selecionados já estão participando de uma mentoria sobre educação financeira e investimentos na Bolsa de Valores brasileira, a B3, desde setembro.
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Hoje uma referência na cena cultural brasileira, Dias teve o primeiro contato com o empreendedorismo ainda na infância, aos 11 anos. A jovem, que era a mais velha de quatro irmãos, vendia calcinhas e produtos para cabelo para ajudar nas contas de casa. Anos depois, na adolescência, ela trabalhou como babá, diarista, costureira, vendedora, fotógrafa e modelo.
“Tudo que estava ao meu redor me levava para um outro tipo de vida, com outro ritmo e comportamento”, relembra. “Mas eu acho bem poderoso quando você começa de um jeito e termina de outro”, acrescenta.
Dias se casou com Mano Brown aos 23 anos e, dois anos depois, tornou-se mãe. A agenda do marido a impediu de continuar a trabalhar, e ela não conseguia ninguém que a ajudasse a cuidar do filho, Jorge.
Quando Jorge estava com 6 anos, Dias começou a cursar Direito na Universidade Municipal de São Caetano, na Grande São Paulo. De acordo com ela, esse era um sonho que ela cultivava desde os 9 anos de idade, quando achou no lixo um livro de Carolina de Jesus, primeira escritora negra brasileira. Na época, Dias não sabia ler muito bem, então pediu ajuda para uma pessoa que estava cuidando dela. “Ela disse que quem entendia as palavras eram os advogados. Então decidi ser advogada”, conta.
A CEO da Boogie Naipe conta que o empreendedorismo retornou à sua vida por um desejo de independência.
“Percebi que meu companheiro estava indo, e eu estava ficando. Ele sabia quais eram as roupas legais, o que estavam falando nas ruas e eu não sabia de nada. Ele queria viajar para o exterior e eu não poderia ir. Então, decidi que era hora de trilhar o meu caminho”, comenta Dias.
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A empreendedora mora no Capão Redondo, bairro na Zona Sul de São Paulo, desde os 16 anos, e afirma que não pretende sair dali, por estar perto da comunidade e da sua cultura. “Eu enxergo o ser humano preto como cultura. Ele tem muita coisa para ensinar que não está nos livros, que você não vai aprender em nenhuma faculdade”, comenta.
Porém, para a CEO, ainda há poucos investidores que realmente acreditam, apoiam e investem no empreendedor negro e periférico. “Não é fácil para a periferia conseguir dinheiro. Antes ela não conseguia por falta de conhecimento. Hoje, não consegue porque as pessoas sabem que se tivermos grana, vamos vencer, vamos conseguir chegar lá”, destaca.
Para incentivar o negócio em periferias, a empreendedora afirma que o fomento governamental, por meio de editais, vem sendo muito importante. Além do apoio da própria comunidade. Inclusive, Dias costuma utilizar suas redes sociais para divulgar negócios locais — só no Instagram, a CEO tem 152 mil seguidores.
“Nós temos que nos ajudar, consumir o que produzimos. Se eu tiver que comer em um restaurante, eu vou em um local na comunidade e vou gastar R$ 500 lá. Se eu precisar de um óculos, vou em um empreendedor preto que vende. Temos que consumir coisas boas dos nossos”, afirma.
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