Conheça a trajetória da carioca Isabela Cerqueira, que saiu de multinacional para empreender no mercado erótico
No ano passado, a Good Vibres teve um faturamento de R$ 10 milhões e, neste mês, fará sua estreia na maior feira erótica da América Latina, a Íntimi Expo, em São Paulo Isabela Cerqueira tinha 21 anos quando comprou seu primeiro vibrador. A carioca, hoje com 30, foi levada a uma feira erótica por amigas, no Rio, para sair da fossa após o término de um namoro. “Comecei a pregar a palavra do sex toy a partir desse momento, foi uma revolução na minha vida sexual”, relembra.
Mal sabia ela que o brinquedinho também revolucionaria sua carreira. Em outubro de 2020, no meio da pandemia, Isabela — que é formada em Engenharia de Produção — pediu demissão de um cargo na área de logística da L’Oréal para criar a Good Vibres, marca de bem-estar sexual. “Foi um choque para minha família quando comentei que estava decidida a sair de uma multinacional para empreender no mercado erótico. Não rolou um grande apoio”, conta a empresária.
Márcia Cerqueira, mãe de Isabela, confirma a preocupação com a escolha da filha, à época. “Fiquei assustada pelo escopo de trabalho, tive medo da reação das outras pessoas”, diz ela, que não só mudou de ideia, como em janeiro passou a trabalhar oficialmente na área comercial da Good Vibres.
O que parecia loucura acabou dando certo com produtos em cores vibrantes e formatos criativos, como o recém-lançado “picolé”, que vibra, suga e pulsa ao mesmo tempo. No ano passado, a empresa teve um faturamento de R$ 10 milhões e, neste mês, fará sua estreia na maior feira erótica da América Latina, a Íntimi Expo, em São Paulo.
A sexóloga Lu Angelo enaltece empreendedoras mulheres no mercado erótico — que, só no Brasil, movimenta cerca de R$ 2 bilhões anualmente. “Cria-se uma teia de produtividade, lucro e prosperidade. Uma puxa a outra. Não é um mercado que vá retroceder”, avalia.
Investir no sexo como negócio, entretanto, não é fácil, principalmente pelo cerceamento nas redes sociais e pelos haters e machistas de plantão. “É um desafio, mas driblamos isso com criatividade. Tentamos falar de sexualidade de uma forma engraçada, madura e sem agredir ninguém”, conclui.
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