Confeitaria no Rio aumenta faturamento em 20% após servir de cenário para ‘Ainda Estou Aqui’

Estabelecimento, que funciona desde 1942, passou a receber milhares de visitantes e turistas todos os dias por causa da repercussão mundial do filme Em duas cenas emblemáticas de ‘Ainda Estou Aqui’, a Confeitaria Manon, fundada em 1942 no Rio de Janeiro, surge como uma das locações escolhidas para contar a história da família Paiva. No longa-metragem, o estabelecimento traz a atmosfera de uma sorveteria e marca momentos importantes da narrativa: a celebração do encontro familiar e a ausência do patriarca, o ex-deputado Rubens Paiva, que foi sequestrado e morto durante a ditadura militar. A energia transmitida pela obra extrapolou as telas dos cinemas mundo afora e transformou o filme em um fenômeno.
Com o sucesso e as inúmeras premiações, a confeitaria entrou na rota dos admiradores do filme e passou a receber milhares de clientes e turistas. Com a proximidade do Oscar, onde a obra concorre em três categorias na noite deste domingo (2/3), incluindo a de Melhor Filme, os visitantes vão ao local com o desejo de tirar fotos e até sentar na mesma mesa em que os atores se reuniram para gravar as cenas.
Segundo uma das sócias da confeitaria Manon, Fabiula Gonzalez Lopez, a repercussão da obra brasileira impactou diretamente no aumento de 20% no faturamento, registrado nos últimos três meses. Ela explica que isso ficou ainda mais evidente depois da vitória da atriz Fernanda Torres no Globo de Ouro, em 5 de janeiro deste ano. Aclamada pela crítica especializada, a artista, que deu vida à protagonista do longa, Eunice Paiva, conquistou o prêmio de Melhor Atriz e desbancou concorrentes como Nicole Kidman, Angelina Jolie e Tilda Swinton.
Fernanda Torres e diretor do longa Walter Salles em uma das cenas na Confeitaria Manon
Sony Pictures/Divulgação
“O filme não trouxe mais movimento só para a confeitaria, não. Trouxe para o centro da cidade, para essa região da Uruguaiana até o Saara. Trouxe muita gente, muito turista, não só brasileiro, mas estrangeiros também. Hoje a gente tem portugueses almoçando aqui, franceses e até um grupo grande de pessoas da Zâmbia”, diz.
A sócia, que é filha de um dos fundadores da confeitaria, afirma que a expectativa é que o faturamento cresça ainda mais após o Oscar. Assim como a maioria dos brasileiros, ela está confiante que tanto o filme quanto Torres sejam premiados em uma das cerimônias mais importantes de Hollywood. Para aproveitar a visibilidade do momento, Lopez antecipa que está avaliando estratégias com a assessoria para seguir impulsionando o negócio.
A ideia inicial é identificar a mesa que foi usada pelos atores com uma plaquinha. No entanto, ela reforça que o estabelecimento não funciona no domingo. Ou seja, a novidade só poderá ser apreciada pelos clientes depois do resultado do prêmio.
“O povo quer ficar na mesa em que a Fernanda Torres encenou, fez aquela cena. Todo mundo quer sentar nessa mesa. Mas tem que ser uma coisa bonitinha e organizada para não ferir o patrimônio. As mesas do restaurante são mesas preservadas, tombadas”, conta.
Em meio ao movimento constante na confeitaria, ela ainda relata que tem observado a emoção dos visitantes e clientes quando chegam ao local. “Tem gente que até chora”, diz ela, reforçando a dimensão que a obra brasileira alcançou no mundo.
“Quando você vê que um filme conseguiu levar a sua imagem, a imagem do país, da minha loja, do Rio de Janeiro, é uma coisa maravilhosa. Ser indicado ou até premiado no Oscar é uma grande vitória”, acrescenta.
Saiba mais
Além da locação para ‘Ainda Estou Aqui’, a confeitaria já foi cenário do premiado ‘A Vida Invisível’ (2019), vencedor como Melhor Filme em Cannes, e da minissérie ‘Dercy de Verdade’ (2012), que foi produzida pela TV Globo.
Parte do salão onde foi gravado a cena de ‘Ainda Estou Aqui’
Divulgação
Prédio histórico
Fundada há 83 anos no centro do Rio de Janeiro, a Confeitaria Manon precisou ser adaptada para se parecer com a lanchonete Chaika, estabelecimento que costumava ser frequentado pela família Paiva em Ipanema, na zona sul da capital fluminense. O imóvel, que preserva a arquitetura da época, foi tombado pelo patrimônio histórico no ano de 1993.
A confeitaria tem origem portuguesa, mas foi adquirida por imigrantes espanhóis em 1965. A sócia relembra que o negócio enfrentava dificuldades e só ganhou impulso depois dessa reformulação, também encabeçada pelo seu pai, o sócio e fundador Benito Gonzalez Lopez, de 90 anos.
Sócio-fundador da Confeitaria Manon, Benito Gonzalez Lopez passou ensinamentos do negócio para a filha
Divulgação
“Eu sou filha de um dos fundadores, meu pai está vivo, seu Benito, espanhol, imigrante da pós-guerra civil espanhola, que veio aqui para trabalhar. E ele, inclusive, trabalhou alguns anos para pagar a parte dele aqui de graça, porque achava que o investimento valia e cresceu como profissional. Conheceu a minha mãe no balcão e eu nasci aqui”, conta.
Ela ainda revela que assumiu o posto na confeitaria em 2008 a fim de dar continuidade ao sucesso conquistado por ele ao longo de tantos anos. O carro-chefe do negócio é o tradicional madrilenho (iguaria típica de Madri, na Espanha), que consiste em um pão com creme e goiabada. São vendidas 4 mil unidades do doce por dia. A Confeitaria Manon ainda tem um restaurante aberto para almoço e jantar. Atualmente, a equipe do estabelecimento conta com um efetivo de mais de 50 funcionários.
Madrilhenho, doce que é sucesso de vendas na Confeitaria Manon
Divulgação
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