Como George Clooney ajuda a manter ativa a última oficina de máquinas de escrever de Nova York
Com quase um século de história, a Gramercy Typewriter Co. resiste ao tempo e à tecnologia graças à dedicação familiar, ao charme retrô e a um impulso de Hollywood Em meio ao avanço tecnológico, a última loja de consertos de máquinas de escrever em Nova York, a Gramercy Typewriter Co., continua firme com a ajuda do ator George Clooney e de produções hollywoodianas.
Fundada em 1932 pelo avô de Jay Schweitzer, a empresa sobreviveu à ascensão dos computadores e ao declínio da demanda, mantendo-se fiel à sua missão. “Nunca entramos no ramo dos computadores. Meu pai achava que seria como aprender um novo idioma — e ele não queria voltar à escola”, conta Schweitzer ao New York Post. “A gente sempre soube que nosso negócio era com máquinas que duram séculos, não cinco anos.”
O resultado? Uma clientela fiel e diversificada. Jay, de 57 anos, que comanda a loja ao lado do pai, Paul Schweitzer, explica que apesar de parecer anacrônico, o mercado para máquinas de escrever não acabou. A loja vende entre 40 e 50 unidades por mês. Algumas são adquiridas por colecionadores, outras por pais que desejam manter os filhos longe de telas. Há também uma crescente de jovens adultos que veem nas máquinas uma forma de expressão única, livre de distrações digitais.
Além das vendas, a loja também passou a ser uma fornecedora recorrente para o mundo do entretenimento. Produções como ‘Maravilhosa Sra. Maisel’, ‘The Post – A Guerra Secreta’ e outras obras que se passam em épocas passadas recorrem à Gramercy para garantir autenticidade em cena. “É engraçado ver uma máquina que você consertou ser usada por Meryl Streep em um filme”, brinca.
Cena em “The Marvelous Mrs. Maisel” que apresenta a máquina de escrever
Divulgação/Amazon Prime Video
O envolvimento mais recente foi com o espetáculo da Broadway ‘Good Night and Good Luck’, que trouxe um novo tipo de visibilidade. A peça, inspirada no filme homônimo dirigido por George Clooney, conta com máquinas restauradas da loja. Clooney, entusiasta declarado das máquinas de escrever, não apenas apoiou o uso dos equipamentos, como também expressou sua admiração pelo trabalho dos Schweitzer.
A relação com o cinema e o teatro trouxe mais do que destaque: também conferiu legitimidade cultural à loja, que agora é procurada até por designers de interiores em busca de peças retrô para compor escritórios e bibliotecas. O empreendedor ressalta: “Elas são funcionais, mas também são belas. Cada uma tem sua história. São objetos que sobrevivem gerações.”
Exposição das máquinas dentro da loja
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Paul Schweitzer, que começou a trabalhar com o pai ainda adolescente, segue atendendo clientes com a mesma atenção de décadas atrás. Aos 87 anos, ele não pensa em parar. “Isso aqui é minha vida. Enquanto eu puder subir as escadas da loja, estarei aqui”, diz.
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A Gramercy Typewriter Co. permanece, assim, como um raro elo entre passado e presente, uma loja onde a nostalgia não é apenas decoração, mas o coração do negócio.
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