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Caso Tallis Gomes: Como evitar que a empresa seja afetada pelo comportamento dos sócios nas redes sociais

Caso Tallis Gomes: Como evitar que a empresa seja afetada pelo comportamento dos sócios nas redes sociais


CEO foi criticado ao longo da semana passada por fala “Deus me livre de mulher CEO” e foi afastado do comando da G4 Educação, empresa que cofundou. Veja o que dizem especialistas A marca é um dos pilares fundamentais para o sucesso de qualquer negócio, e em muitos casos, está diretamente associada à imagem de seus fundadores. Em tempos de redes sociais, onde a comunicação é rápida e alcança públicos variados, a postura pública dos sócios se torna crucial para evitar situações adversas, que podem culminar em boicotes ou crises de reputação.
Recentemente, Tallis Gomes, fundador da G4 Educação e principal rosto da marca, enfrentou o impacto do “cancelamento” nas mídias sociais após uma declaração polêmica. Ao responder a um seguidor, que questionou se ele se casaria com uma mulher que fosse CEO de uma empresa, Gomes afirmou: “Deus me livre de mulher CEO.” A repercussão negativa foi imediata, e a imagem do empresário foi amplamente criticada, resultando em seu afastamento do cargo no último sábado (21/9).
Para Caline Migliato, professora de Administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o media training é uma ferramenta indispensável para que empresários entendam o impacto de suas palavras e ações. “É fundamental que os proprietários compreendam o peso que têm na vida de funcionários, clientes, parceiros e investidores. Um comentário pode afetar profundamente a imagem da empresa”, ressalta.
Migliato destaca que, na era das marcas personificadas, onde o fundador frequentemente assume o papel de porta-voz, é essencial ter cuidado redobrado com o que é dito e feito. “Uma fala impensada pode prejudicar gravemente a reputação da marca”, alerta.
Já Marcos Machado, professor da FIA Business School, sugere uma abordagem coletiva. Ele acredita que a responsabilidade pela comunicação da empresa pode ser compartilhada entre vários representantes.
“Quando há mais de uma pessoa falando pela marca, o impacto de uma crise envolvendo um dos sócios pode ser minimizado. Isso dilui o risco, mas diminui também o benefício de contar com um ‘líder carismático’. Não há uma resposta fácil”, pondera Machado.
Paula Fernandes, professora de administração do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais São Paulo (IBMEC-SP), afirma que as marcas precisam adotar uma gestão ativa nas redes sociais, acompanhada de monitoramento constante. “Quando a empresa conta com um planejamento sólido, uma gestão ativa nas plataformas digitais e uma política de atendimento eficaz, além de se engajar em atividades de responsabilidade social, ela consegue antecipar possíveis riscos e identificar questões que possam surgir em relação à sua gestão ou imagem”, explica.
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Como lidar com uma crise reputacional causada nas redes sociais?
Segundo Machado, da da FIA Business School, a chave para evitar crises, tanto no “mundo das redes sociais” quanto na “idade das cavernas”, é simples: não decepcionar o público com erros que não sejam razoáveis. “A diferença nas redes sociais não está na origem da crise, mas na velocidade com que ela se propaga. É como um incêndio que se espalha de forma extremamente rápida. Por isso, agir antes que a situação fuja do controle é essencial”, destaca.
O especialista ressalta que “errar é humano”, mas existem diferentes níveis de erros – alguns são perdoáveis pelo público da empresa, outros, não. “O importante em uma crise é reagir rapidamente, posicionando-se de forma clara e transparente, sem deixar que a versão dos acusadores prevaleça sozinha. Falar a verdade e se comprometer com soluções é geralmente o melhor caminho”, explica o professor.
No entanto, Machado alerta que, diante de um erro imperdoável ou inconfessável, nenhuma política de gestão de crise será eficaz. “Quando o erro é perdoável, muitas empresas evitam assumir a falha, o que acaba agravando a situação – transformando o perdoável em imperdoável”, acrescenta.
Ele reforça que no caso das marcas que constantemente vendem promessas, espera-se ainda menos erros do que de um indivíduo comum. “Essa recomendação vale tanto para empresas quanto para aquelas associadas a um empresário que personifica a marca. Nesse caso, cabe ao empreendedor adotar uma postura responsável e transparente”, conclui Machado.
Saiba Mais
É possível desvincular a marca da figura dos fundadores?
Segundo Fernandes, do IBMEC-SP, o maior desafio para pequenas empresas é construir uma identidade organizacional própria, separada da identidade pessoal do fundador. Para isso, é essencial formar uma equipe capaz de realizar análises de risco e de mercado, além de criar e sustentar um legado próprio, independente da figura do fundador.
“A empresa precisa ter uma mensagem clara sobre suas políticas de atendimento e responsabilidade social. Além de um planejamento de gestão de crise com a equipe interna e seus stakeholders. Fora isso, captar feedbacks dos clientes e ajustar a comunicação a partir disso.
Machado, da FIA Business School, acrescenta que é possível dissociar a imagem pessoal do fundador da marca, especialmente em projetos de médio e longo prazo, quando essa é uma decisão estratégica de gestão. No entanto, ele alerta que, em momentos de crise, tentar fazer essa separação pode ser interpretado como uma fuga ou uma admissão de culpa, em vez de uma boa decisão de gestão. “Quando a simbiose entre o fundador e a marca já existe, é mais prudente enfrentar a crise da forma mais adequada, mesmo que a associação entre ambos permaneça”.
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