Calendário do advento se torna produto estratégico na reta final do ano; veja como fazer

Segunda dados do Pinterest, termo cresceu 300% neste ano em comparação com 2023. Especialista afirma que ainda dá tempo de surfar a onda O calendário do advento é uma prática tradicionalmente cristã que consiste em uma contagem regressiva para o Natal a partir do início de dezembro. A ideia ainda não tinha emplacado no Brasil, mas, neste ano, a oferta de calendários do advento cresceu, tornando o produto parte da estratégia de empresas de diferentes segmentos.
No cristianismo, o Advento é o tempo de preparação para celebrar o Natal e marca o início de um novo Ano Litúrgico católico. Na tradição, o início do Advento varia ano a ano, com início no domingo mais próximo da festa da Santo André (30 de novembro) e duração de quatro semanas. Segundo o Museu do Natal Alemão (Weihnachts Museum), o primeiro registro do calendário do advento se deu em um livro infantil, de Elise Averdieck, em que a mãe da personagem principal colava uma imagem na parede a cada dia, a fim de contar 24 dias para a chegada do Natal.
“No início, crianças apagavam riscos feitos com giz nas paredes ou nas portas das casas, outras colocavam diariamente pedaços de palha na manjedoura, enquanto outras acendiam velas com 24 marcas. No caso das famílias mais abastadas, eles comiam um biscoito de gengibre a cada dia”, diz Roselaine Oliveira Pedro, analista de negócios do Sebrae-SP.
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Ainda segundo o Museu do Natal Alemão, as primeiras vertentes comerciais da tradição surgiram entre o final do século 19 e início do século 20. A primeira versão com caixinhas contendo pequenas surpresas a cada dia – formato mais popular atualmente de acordo com Roselaine – é creditada a Gerhard Lang, que criou um calendário com espaços para pequenos chocolates, em 1926.
No Brasil, empresas como O Boticário e Trussardi, por exemplo, já incorporaram a ideia ao portfólio. Para Roselaine Pedro, a adesão das empresas acontece em virtude do potencial de criar experiências de consumo variadas e associadas às marcas.
Segundo o Pinterest, com base em dados internos de pesquisas na plataforma, o termo “calendário do advento” aumentou 300% no Brasil no período de outubro a novembro de 2024, em comparação com o mesmo período de 2023. Em relação a setembro a outubro deste ano, a busca já cresceu 2.500%.
O aumento da procura também é percebido por pequenos negócios. Thais Regina Pelanda Taborda, fundadora da Thais Pelanda, confeitaria artesanal especializada em cookies, criou o primeiro calendário do advento da marca em 2023. Neste ano, a empresa já registra aumento de 30% nas vendas do produto em comparação com o ano anterior.
Vendido por R$ 219, o item traz os doces mais pedidos na loja. A expectativa da empreendedora era fabricar 30 unidades em 2024, mas, até agora, já foram produzidas 50 unidades do produto. Pelanda estima que o calendário representará cerca de 20% do faturamento da empresa nos últimos meses de 2024. “Acho que o sucesso acontece por ser algo que vai além do que produzimos sempre. São pessoas que procuram pela memória afetiva que o Natal representa. O fato de ter atividades, comidas, frases e lembranças de Natal une a família”, diz.
Calendário do Advento de 2024 da Thais Pelanda
Divulgação
A busca por trazer produtos diferentes no fim de ano e conquistar reconhecimento na data comemorativa foi também o que levou Daniela Gotthilf Halbreich a oferecer o calendário do advento na Sucrier, confeitaria artesanal. A primeira edição do produto foi lançada em 2022, inspirada por uma tendência que a empreendedora acompanhava fora do Brasil. Com um aumento nas buscas pelo produto a cada ano em território nacional, Halbreich sente que o item caminha para se tornar uma tradição de consumo entre os brasileiros.
Em uma coleção limitada, a Sucrier esgotou os calendários de 2024 no primeiro dia de divulgação, triplicando o número de vendas em relação ao ano passado. “Acredito que poderíamos ter vendido ainda três vezes mais se tivéssemos mais mercadoria disponível”, diz Halbreich. De acordo com a confeiteira, o produto é inteiramente artesanal e pensado para uma experiência não apenas para o paladar, mas também sensorial. Montado na forma de um carrossel que traz um conjunto dos itens mais vendidos ao longo do ano, o calendário custa R$ 1.380.
De olho no poder de gerar desejo instantâneo, O Boticário lançou este ano sua primeira edição do calendário do advento. De acordo com Vanessa Machado, diretora da categoria de Gifts e Acessórios do Grupo Boticário, a empresa notou um movimento nas buscas pelo produto nos últimos anos e um interesse ainda maior em 2024.
“Por isso, o lançamento do primeiro Calendário do Advento do Boticário está justamente alinhado a este crescente interesse em pesquisa pelo item nos sites de busca e em tendência internacional, especialmente movimentada pelas redes sociais”, comenta Machado.
A empresa afirma que as vendas superaram as expectativas, com o produto esgotado em poucos dias no e-commerce da marca. Vendido a R$ 1,3 mil, o calendário ainda está disponível em algumas lojas físicas e conta com 24 produtos-surpresa, sendo seis de perfumaria, nove de cuidados, três de maquiagem, dois de skincare, um item para cada e dois acessórios. “Temos expectativas muito positivas em relação ao Calendário do Advento, tanto em relação a receptividade dos consumidores, quanto às vendas”, diz.
Calendário do Advento de 2024 do O Boticário
Divulgação
Ainda dá tempo de oferecer o Calendário do Advento? Veja como fazer
Quem não começou a planejar o lançamento de um calendário do advento em 2024, ainda pode surfar na tendência e oferecer o produto neste ano. É o que afirma Roselaine Pedro, do Sebrae-SP. De acordo com a especialista, a dica para quem busca contar com o item no portfólio de 2024 é focar em produções pequenas e exclusivas, aproveitar a escassez para criar um senso de urgência nas campanhas de marketing e utilizar as redes sociais para as vendas diretas, com maior agilidade na divulgação.
Contudo, a analista de negócios afirma que, em um cronograma ideal, o mais indicado é iniciar o planejamento pelo menos seis meses antes do Natal. “A produção deve começar no início do segundo semestre, e as campanhas de marketing, entre setembro e outubro, para capturar os consumidores que antecipam as compras natalinas”, indica.
Para Pedro, as etapas para incluir o produto entre as ofertas de final de ano podem ser dividias em quatro passos centrais:
Planejamento do produto: nesta fase deve-se decidir o tema, selecionar os itens e projetar o custo-benefício do calendário;
Prototipagem: criar uma versão inicial para avaliar o design, funcionalidade e atratividade visual do produto. A partir disso, deve-se definir os fornecedores e garantir a produção ou aquisição dos itens em tempo hábil;
Início da produção: nesta etapa, inclui-se a produção completa do produto, incluindo detalhes dos compartimentos e embalagens;
Marketing e divulgação: é o momento de atrair os consumidores, destacando o fator surpresa, tradição, exclusividade e espírito natalino.
Vale notar que, antes de incorporar o produto ao negócio, é importante determina se o item é realmente válido para a proposta da empresa. Segundo Roselaine, é necessário manter alguns pontos de atenção:
Considerar o perfil do público-alvo;
Analisar se o produto desperta interesse no consumidor habitual;
Verificar se existe alinhamento entre a identidade do negócio e o tema natalino;
Garantir que a empresa tenha capacidade operacional, meios de produzir ou adquirir 24 itens únicos para cada calendário, sem comprometer sua operação;
Certificar se na soma do ticket médio os produtos dentro do calendário justificam o valor final mantendo atratividade comercial;
Analisar qual seu diferencial competitivo, agregando criatividade e personalização ao produto para destacá-lo da concorrência.
Para Daniela Halbreich, fundadora da Sucrier, apostar na criatividade é uma das receitas para o sucesso do produto. “No ano passado, tivemos luzes que acendiam e apagavam. Neste ano, nosso calendário vem com um lindo carrossel que gira sem parar e toca música. É muito mais que uma simples caixa de doces”, comenta.
Pedro afirma que o principal ponto de atenção para agregar valor ao produto é a personalização, seja com a inclusão de nomes ou mensagens específicas. Além disso, a especialista sugere que, para os pequenos negócios, buscar parceria com outras empresas de pequeno porte pode garantir a diversificação de produtos e a atração de novos públicos. “Desenvolva uma narrativa do produto, conte uma história, tornando-o mais envolvente e atrativo”, conclui.
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