Cachorro-quente de São Paulo opera há 61 anos e envolve a terceira geração da família

Tradicional no bairro da Lapa, Hot Dog do Seu Angelo ganha segunda unidade e já projeta crescimento pela cidade Com mais de seis décadas em atividade, o Hot Dog do Seu Angelo é referência no bairro da Lapa, em São Paulo. Fundado por Angelo Meneghesso, o empreendimento começou com um carrinho de cachorro-quente perto da estação de trem e, agora, é comandado pela segunda e terceira gerações da família — que faz questão de manter a tradição da receita que trouxe fama ao negócio.
Desde sua criação em 1963, o sanduíche simples, mas saboroso, passou por algumas fases e endereços até se firmar na Viela Ema Angelo Murari. À frente da operação, o neto Rafael Fazio Meneghesso, 23 anos, e seu pai Marcos Roberto Meneghesso, 50, projetam a expansão para outras regiões da capital paulista, após inaugurarem recentemente a segunda unidade, a 700 metros da “original”.
O avô Angelo permaneceu no comércio alimentício até 2010, quando, aos 75 anos, foi convencido a parar de trabalhar pelo filho. “Ele trabalhou por 47 anos no mesmo ponto e só parou porque meu pai insistiu”, lembra o neto, em tom de brincadeira. O patriarca faleceu em 2021, aos 89 anos, deixando o legado que o filho Marcos, com 37 anos de experiência, e Rafael, com paixão por cozinhar desde a infância, fazem questão de continuar.
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Até hoje, o lanche tradicional do Hot Dog do Seu Angelo segue a receita original criada pelo dono, com adaptações mínima: é feito no pão francês crocante (reposto a todo momento), uma ou duas salsichas (de acordo com a fome do cliente), purê de batatas caseiro e o clássico trio de condimentos — maionese, ketchup e mostarda. Ainda leva um molho de pimenta também produzido em casa, para quem gosta de um pouco de picância.
Para Rafael, “a qualidade do produto sempre foi o diferencial, desde o pão até o tempero da salsicha”, que é cozida em água de pimentão e alguns temperos extras. “Tudo é feito no dia para garantir frescor”, afirma.
Aliado a esses fatores, o cuidado com a produção e a relação próxima com os clientes fazem do primeiro endereço um ponto de encontro, onde moradores, ex-moradores do bairro e até clientes vindos de outros cantos da cidade compartilham gerações de memórias. “Temos clientes que vêm com seus bebês nos apresentá-los, como se fôssemos parte da família deles”, conta Rafael.
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Segunda unidade inaugurada
A segunda unidade, inaugurada em março deste ano, marca um novo capítulo na história do Hot Dog do Seu Angelo. Localizada em uma “dark kitchen” na rua Clélia, o novo espaço só funciona à noite e foca no delivery, apesar de oferecer alguns assentos para acomodar os clientes. Ali, o cardápio ganhou um plus, incluindo novas opções como o Hot Dog Nova Geração, em que são acrescentados vinagrete e batata palha e a opção do pão baguete. Além dele, há lanches de calabresa e porções.
O Hot Dog Duplo Tradicional (em ambos endereços) custa R$ 12; o Duplo Nova Geração tem o preço de R$ 14; o Super Dog (na baguete) sai por R$ 20; mesmo preço do lanche de calabresa. Porções de batata frita são vendidas a R$ 12 (pequena) e R$ 20 (grande) e as de calabresa por R$ 30 (6 unidades) e R$ 50 (12 unidades). A lata de refrigerante é comercializada por R$ 6 — os preços foram confirmados em setembro de 2024.
Segundo Rafael, a aceitação do novo cardápio foi ótima, tanto pelos clientes fiéis quanto pelos recém-chegados. Ele deseja ampliar um pouco mais o menu para atender o público vegetariano. Já está certa a mudança da segunda unidade, em novembro, para um espaço maior na Praça Cívica, também na Lapa, com funcionamento durante todo o dia.
Apesar da modernização, na primeira unidade — que opera desde 2010 no mesmo ponto e deve continuar por lá —, a receita tradicional do hot dog é a única opção, honrando a simplicidade e autenticidade que marcaram o início do negócio.
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Números crescentes
Com 2 mil pedidos mensais no delivery e cerca de 100 atendimentos diários no salão do segundo espaço, o Hot Dog do Seu Angelo segue crescendo. Marcos, responsável pela parte financeira e pela reposição de estoque, divide com o filho a gestão das unidades. Rafael, por sua vez, cuida da área de inovação, expansão, branding, marketing, redes sociais e aplicativos.
Eles receberam reforço de dois tios na parte operacional da segunda unidade. “Queremos acolher cada vez mais clientes, sempre mantendo a qualidade que nos trouxe até aqui”, diz o neto, que não esconde o desejo de abrir novas unidades em outras regiões da cidade e seguir sempre o legado do avô.
A quantidade de cachorro-quente vendidos no endereço mais tradicional, o faturamento e a expectativa de crescimento são segredos tal qual as receitas caseiras. “Essas são as perguntas para deixar todos curiosos, mas meu avô nunca revelou, então não posso revelar também”, desconversa o jovem empreendedor.
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