Baixa escolaridade e baixa renda influenciam perfil empreendedor no Brasil, mostra GEM

Dos 42 milhões de brasileiros que pretendem ter um negócio próprio em até três anos, 77% têm até ensino médio e 70% recebem até 3,5 salários, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2023 A baixa escolaridade e a baixa renda têm uma forte influência no empreendedorismo do Brasil. Dos 42 milhões de brasileiros que pretendem ter um negócio próprio em até três anos, 77% têm até ensino médio, 70% recebem até 3,5 salários mínimos, 63% são pretos e pardos e 55% são mulheres. Os dados fazem parte do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2023, que monitora o empreendedorismo em todo o mundo. A pesquisa foi apresentada inicialmente em abril deste ano, com desdobramentos revelados nesta quarta-feira (11/9) em live que divulgou estatísticas da relação entre empreendedorismo e inclusão social.
O relatório GEM é conduzido pela Associação Nacional de Estudos e Pesquisas em Empreendedorismo (Anegepe), em parceria com o Sebrae.
“Se conseguirmos transformar essas pessoas em empreendoras de fato, estaremos promovendo uma inclusão social fantástica. Isso porque se traz para a área econômica e para a atividade produtiva pessoas de baixa renda que vão melhorar seus ganhos e pessoas de baixa escolaridade que vão melhorar a sua autoestima e progredir em outras áreas” afirma Marco Aurélio Bedê, economista da Unidade de Estratégia e Transformação (UGE) do Sebrae Nacional. Na visão do economista, os dados mostram que o empreendedorismo é a grande chave para o crescimento social do Brasil.
Já entre empreendedores — tanto iniciais quanto estabelecidos — 70% têm até o ensino médio e 48% recebem até 3,5 salários mínimos, 56% são pretos e pardos, 38% são mulheres.
Renda x Empreendedorismo
Os dados apresentados também compararam a renda e escolaridade com os empreendedores brasileiros — e como estes são fatores que influenciam nos perfis de seus negócios. A diferença já começa na motivação para empreender.
No caso de empreendedores oriundos de famílias que recebem até 3 salários mínimos, 52% começaram um empreendimento por necessidade. Por outro lado, 71% dos que têm renda acima de 3 salários mínimos são motivados por oportunidade.
Também muda a inovação dentro dos empreendimentos, dependendo da renda dos empresários por trás do negócio. Segundo o GEM 2023, 11,1% dos empreendedores de famílias até 3 salários oferecem produtos que são novos na cidade onde vivem e 1,8% são novos para o Brasil ou exterior. Enquanto isso, 9% dos empreendedores de famílias com renda maior oferecem produtos que são novos na cidade onde vivem e 2,9% são novos para o Brasil ou exterior.
Saiba mais
A pesquisa também mostra que indivíduos brancos são mais empreendedores do que pretos ou pardos em famílias de menos de 3 salários mínimos, com 18% de brancos e 15% pretos e pardos. Porém, o resultado é invertido quando se fala de empreendedores com renda maior — com 31% de pretos e pardos e 20% de brancos.
Segundo Simara Greco, coordenadora do GEM Brasil, não ficou claro o motivo de existirem mais empreendedores pretos e pardos com renda acima de 3 salários mínimos. “Nos surpreendemos com essa informação e precisamos ir mais fundo nesses dados”, diz.
Em questão de formalização, 59% dos empreendedores com renda maior são formalizados — valor que cai para 26% para pessoas de baixa renda. “Essa população [de baixa escolaridade e baixa renda] precisa ser foco de outros programas de inclusão pela educação e qualificados para atingir alguma condição de se tornar um empreendedor”, diz Greco.
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da PEGN? É só clicar aqui e assinar
