Aumento da Selic é bom ou ruim para empreendedores? Especialistas avaliam

Taxa básica de juros, que não subia desde agosto de 2022, passou de 10,50% para 10,75% ao ano. Cautela é recomendada ao buscar empréstimos em instituições O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (18/9) o aumento da Selic em 0,25 ponto porcentual, de 10,50% para 10,75% ao ano. O indicador, que é o parâmetro que os bancos comerciais utilizam para oferecer crédito, não subia desde agosto de 2022. Especialistas consultados por PEGN avaliam que, apesar do índice estar em um patamar considerado alto, o momento de crescimento econômico do Brasil pode alavancar negócios.
“Algumas empresas precisarão se expandir para acompanhar as oportunidades. Nesse momento de crescimento econômico, é possível comprar novos equipamentos e máquinas que auxiliam a aumentar a linha de produção para atender o crescimento da demanda”, diz Renaldo Antonio Gonsalves, professor da faculdade de Ciências Atuariais da PUC-SP. “O pequeno negócio que não for capaz de atender perderá clientes para a concorrência”, alerta.
O crescimento econômico é baseado em indicadores como Produto Interno Bruto (PIB), que registrou crescimentode 1,4% no segundo trimestre deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a taxa de desemprego ficou em 6,8% no trimestre encerrado em julho, a menor para o período da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE. Na comparação com o segundo trimestre de 2023, o consumo das famílias teve alta de 4,9% neste ano.
Segundo André Sacconato, economista da FecomercioSP , o excesso de demanda pode ser razão de preocupação. “Com a economia muito aquecida, muitas empresas procuram mais trabalhadores. Os salários sobem, o consumo sobe e a inflação acaba subindo também”, diz, explicando a lógica por trás do aumento da taxa básica de juros. “Olhando para os dados de inflação seria justificado manter a Selic em 10,5%. Vemos que está prevalecendo a preocupação com excesso de demanda.”
A inflação está próxima à meta estipulada pelo governo, de 3%, com tolerância de 1,5 pp para cima ou para baixo. O IPCA acumulado em 12 meses em agosto ficou em 4,24%. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) também cortou os juros do país em 0,50 ponto percentual, para a faixa de 4,75% a 5% ao ano. É a primeira redução desde março de 2020, o que seria um indicador para que o BC fizesse o mesmo por aqui.
Na avaliação do economista, não ocorrerá seca de crédito. “Os bancos ainda estão bem capitalizados, mas a dificuldade para os empreendedores é lidar com empréstimos que ainda estão altos”, diz. “O empresário não deve se aventurar, acreditando que existem bons negócios sem analisar evidências que promovam crescimento da empresa. Vira quase uma roleta-russa que pode dar grandes prejuízos.”
Saiba mais
Gonsalves alerta que os bancos podem ficar mais seletivos nos empréstimos, preferindo empresas sem pendências e com boas garantias. Com isso, é importante buscar alternativas. “Caso a empresa decida usar crédito bancário, deve pesquisar entre as instituições o menor juros, optando por linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e cooperativas.”
Segundo o Boletim Focus, a expectativa é de que o BC aumente a taxa básica de juros até o final do ano, chegando até 11,25%. “Os empreendedores não devem sentir tão fortemente esse aumento. Acredito que os juros devem voltar a cair no ano que vem”, diz Rodolfo Olivo, professor da FIA Business School. Para 2025, a previsão é que a Selic fique em 10%.
A próxima reunião do Copom para definir a taxa básica de juros está marcada para os dias 5 e 6 de novembro. O último encontro do ano será 10 e 11 de dezembro
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