Apagão cibernético: como uma startup brasileira detectou o problema antes do aviso da CrowdStrike

A gaúcha Axur está por trás de plataforma SaaS para monitorar riscos e vulnerabilidades virtuais usada por empresas como Leroy Merlin e Gol Linhas Aéreas A sexta-feira amanheceu diferente por causa da pane que afetou o sistema Windows em todo o mundo, causada por uma atualização do Falcon, da empresa de segurança cibernética CrowdStrike. O episódio levou computadores a ficarem travados em uma tela azul de bug, impactando operações de empresas como aeroportos, hospitais e bancos em todo o mundo. O alerta técnico para a pane foi emitido às 5h30 de hoje (19/7), mas os clientes da startup brasileira Axur ficaram sabendo antes, às 4h15.
Isso foi possível por causa do Polaris, produto direcionado a gerentes de segurança cibernética que utiliza inteligência artificial generativa para detectar alertas e informar, em um relatório, as geografias afetadas e o histórico do problema, trazendo insights do que fazer para resolver a situação.
“O caso de hoje, de falha no próprio sistema de segurança, é mais raro. Mas quando essa falha aparece, alguém explora essa vulnerabilidade. Das quase 100 [falhas] relevantes no último ano, 25% foram exploradas no mesmo dia. A velocidade para corrigir é muito importante”, ressalta Rodrigo Alves, head de produto da Axur.
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Lançada no início deste ano, a tecnologia fornece em poucos minutos o que um time de inteligência cibernética demoraria um dia para avaliar e informar em relatório, a partir do monitoramento de 350 fontes ao mesmo tempo. Concebido em parceria com clientes que participaram dos primeiros testes, o Polaris hoje é utilizado por mais de 20 empresas, incluindo Leroy Merlin, Cielo e Gol Linhas Aéreas.
Relatório gerado pelo Polaris sobre a pane, enviado às 4h15
Reprodução/LinkedIn @Axur
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“Quanto mais rápido o gerente tiver a informação, mais rápido ele pode corrigir para restabelecer o sistema. A IA tem três grandes benefícios: velocidade, cobertura e priorização. A demanda por cibersegurança é infinita, mas o orçamento das empresas é finito e a tecnologia pode ajudar”, pontua Alves.
Com sede em Miami, a Axur foi fundada no Rio Grande do Sul em 2012 por Fabio Ramos, para fazer a gestão de vulnerabilidades e monitoramento de phishing a partir da criação de sites falsos por criminosos para conseguir dados sigilosos de clientes. Segundo Alves, a startup remove de 1 mil a 1.500 sites enganosos do ar por dia.
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A Axur opera no formato SaaS B2B e atende também multinacionais, como Volkswagen, Toyota e Carrefour, com atuação no exterior. Ao longo da trajetória, levantou duas rodadas de investimento: uma em 2019, com a DGF Ventures, e outra há um ano, com a Igah Ventures. Os valores não foram divulgados, mas a startup afirmou que o aporte mais recente seria direcionado para ampliar a equipe internacional – Alves declara que o quadro de colaboradores soma mais de 200 funcionários atualmente.
O head de produto também afirma que a startup segue trabalhando em novos produtos. Um deles será lançado em setembro para monitorar a superfície de ataque dos clientes. “Vamos entender as possíveis vulnerabilidades de cada empresa utilizando IA e, como já sabemos das intenções dos grupos de hackers, podemos conectar as informações para identificar os riscos”, finaliza.
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