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A empreendedora baiana que está por trás da tecnologia usada em vacinas e diagnósticos de doenças

A empreendedora baiana que está por trás da tecnologia usada em vacinas e diagnósticos de doenças


Mona Oliveira fundou a Biolinker, biotech que desenvolve proteínas em laboratório para instituições como Fiocruz e Instituto Butantan A baiana Mona Oliveira, 39 anos, descobriu sua paixão pela ciência ao entrar na universidade. A possibilidade de empreender com a ciência, contudo, chegou mais tarde, quando teve a oportunidade de fazer um doutorado em bioquímica e nanociência na Eslovênia. Foi em terras estrangeiras que surgiu a ideia da Biolinker, biotech que desenvolve produtos para melhorar a performance de pesquisas e processos.
“Tive contato com metodologias de ponta que não existiam no Brasil. Minha primeira hipótese foi produzir proteínas mais rapidamente em laboratório. Recebi proposta de investimento, mas meu time de sócios não era sólido. Aprendi que não se monta empresa com amigos, mas com pessoas alinhadas com o foco em empreender. Hoje somos referência na produção de proteínas difíceis”, conta.
A ideia inicial exigia um time multidisciplinar e muito investimento, algo que não conseguiu ao retornar ao Brasil. A saída foi pivotar o negócio para a realidade nacional, com foco na resolução de problemas do mercado local. Oliveira afirma que, até o momento em que a Biolinker começou a rodar, em 2019, quem precisava de proteínas para pesquisas e desenvolvimento de vacinas precisava comprar fora do país.
Etapa do processo de produção da Biolinker
Divulgação
“Atendemos a dor do cientista, mas [a solução] impacta toda a cadeia. Essas proteínas podem ser aplicadas na produção de vacinas, diagnósticos médicos, cosméticos com bioestimulantes, indústria química. É um mercado trilionário e ainda tem muitas enzimas e proteínas para descobrir”, aponta. Incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), da Universidade de São Paulo (USP), a Biolinker cresceu seis vezes durante a pandemia reproduzindo as proteínas do coronavírus, saindo de contratos pontuais para vendas recorrentes.
O trabalho da startup consiste em estimular a produção de ingredientes em bactérias, modificando-as geneticamente para que desenvolvam as proteínas necessárias para diferentes aplicações. Não há necessidade de extrair ingredientes da natureza. “A insulina foi uma das primeiras produzidas em fábrica, sem extração animal. Nós nos inspiramos no código genético dos organismos. Já fizemos mais de 200 proteínas diferentes dessa forma”, explica.
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O modelo de negócios da Biolinker contempla a venda de proteínas “de prateleira”, como antígenos virais para doenças como chikungunya e dengue, e kits para pesquisadores desenvolverem suas proteínas em laboratório. A startup também trabalha com demandas específicas dos clientes. Alguns já têm projetos prontos, e cabe à Biolinker prestar o serviço. Outros contratam a empresa para desenvolver uma proteína do zero, se necessário.
“O tíquete varia de R$ 20 mil a contratos milionários. Na área farmacêutica, os contratos são maiores, o que é muito comum lá fora. As indústrias brasileiras são mais focadas em genéricos”, pontua. Entre os clientes atendidos pela startup estão o Instituto Butantan (SP) e a Fundação Oswaldo Cruz (RJ).
Oliveira é filha de empreendedores. O pai tinha uma fábrica têxtil próxima ao Pelourinho, em Salvador (BA), e a mãe revendia roupas que comprava em São Paulo. Apesar de a pequena indústria conseguir sucesso, o negócio passou por um período de crise após a morte do pai.
“O mantra em casa era que os filhos deveriam ser funcionários públicos. Eu sempre tive vontade de montar um negócio, mas com a instabilidade financeira da família eu não tinha dinheiro para me aventurar. Também fui mãe muito jovem, então acabei buscando opções mais estáveis”, conta.
Sem cientistas na família, ela ingressou na Universidade Federal da Bahia (UFBA) para cursar Medicina Veterinária. Chegou a lecionar na instituição após passar em um concurso público, mas a pesquisa falou mais alto.
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Atualmente, a produção da Biolinker é feita em um laboratório sediado no Parque Industrial de Cotia, interior de São Paulo. A startup captou R$ 6 milhões, incluindo editais da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), acelerações da Ambev e da Bauducco, e um cheque de valor não divulgado de Fabricio Bloisi, então CEO do iFood.
“Ele proativamente entrou em contato em 2021, mandou e-mail dizendo que queria conhecer a startup. Achei que fosse trote. Ele pediu material de investimento, mas nem olhávamos para isso. Tinha Ebitda positivo, crescia com dinheiro de fomento e os clientes”, relembra. Bloisi continua integrando o conselho da Biolinker.
Time da Biolinker no laboratório
Divulgação
Com 12 funcionários, a startup registra crescimento médio de 66% ao ano desde a fundação. Em 2024, a receita foi de R$ 1,5 milhão e a expectativa é chegar a R$ 5 milhões neste ano.
Oliveira também iniciou conversas com potenciais investidores nacionais e internacionais para garantir um aporte na planta fabril. Ela deseja levantar US$ 5 milhões na rodada seed. “Estamos em briga por causa do valuation. Meus concorrentes pegam rodadas seed de US$ 140 milhões sem receita. A mentalidade é diferente lá fora, os investidores nos EUA são técnicos, entendem o desafio. No Brasil, você não acha investidor assim”, afirma. “Ainda não tivemos um iFood, um Nubank biotech. Falta muito amadurecimento no ecossistema para o salto dos softwares para as biotechs”, conclui.
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